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No clássico e até no Google, o Ceará reverenciou a memória de Gildo, seu maior ídolo

O nome pode não ser tão reconhecido em outras regiões do Brasil. Mas difícil encontrar um cearense apaixonado por futebol que não conheça a lenda de Gildo. Seja por alegria ou por frustração. Nascido em Recife, o centroavante começou no Santa Cruz, mas chegou ao Ceará em 1960. Tornou-se o maior de todos na história do Vozão. Foram nove anos de clube, acumulando as suas duas passagens, além de 441 partidas e 261 gols. Ergueu quatro canecos do Cearense e ainda proclamou os alvinegros como melhores do Norte-Nordeste em 1969. Não é exagero colocá-lo, em nível de representatividade, no mesmo patamar que Zico para o Flamengo ou Reinaldo para o Atlético Mineiro. Ou mesmo de Pelé para o Santos, como afirma o pesquisador Pedro Mapurunga.

Na última quarta, o Ceará recebeu com grande pesar a notícia da morte de Gildo. O velho ídolo faleceu aos 76 anos, vítima de uma parada cardiorrespiratória. E sua importância pode ser medida pela mobilização do clube em suas redes sociais. Se você pesquisar pelo site do Ceará, encontrará apenas a referência a Gildo no link. A home do site traz a face do Pernambuquinho, assim como o avatar nos perfis do Facebook e do Twitter. Antes do jogo contra o Flamengo do Piauí pela Copa do Nordeste, na quinta, o Vozão respeitou um minuto de silêncio pelo veterano, bem como o Fortaleza contra o Sport e todos os outros jogos da Copa do Nordeste. Já neste domingo, as homenagens se repetiram justamente no clássico.

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Por mais que tenha sido o jogador do Ceará que mais marcou gols contra os rivais, Gildo também inspirava amplo respeito no Fortaleza. E o minuto de silêncio se repetiu no Castelão. Antes da partida, aliás, os adversários se uniram em torno de uma causa nobre. Os jogadores usavam óculos verdes, em referência ao Projeto Cuidar do Futuro, que auxilia escolas públicas da capital cearense. Já nas arquibancadas, mais vazias do que deveriam para a ocasião especial, um bandeirão com o semblante de Gildo em preto e branco tremulava.

Quando a bola rolou, porém, o Fortaleza se impôs sobre o Ceará. Em rivalidade que se aflorou ainda mais em 2015 (pelos eventos envolvendo o Cearense, o Nordestão e o Brasileirão), o Tricolor buscou a virada por 2 a 1, com direito a belo gol de Núbio Flávio para fechar o placar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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