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No bico do Galo

São onze rodadas disputadas, um pouco menos de um terço do Campeonato Brasileiro. O Atlético Mineiro é o líder com um aproveitamento de 84,8% dos pontos disputados, com nove vitórias, um empate e uma derrota. Campanha que se fosse feita por Flamengo ou São Paulo, times que são piores em formação do que o Atlético, certamente já seriam apontados como claros favoritos ao título. Com o Atlético, a desconfiança é maior. Mesmo que, fora de campo, o Flamengo seja muito mais bagunçado e em campo o time de 2009, que acabou campeão, não fosse melhor do que esse do Galo. Mesmo com o São Paulo atual vivendo desmandos sem tamanho do presidente Juvenal Juvêncio, que toma as atitudes que lembram Eurico Miranda. Mesmo assim, seriam favoritos. E o Galo?

O Atlético gera desconfiança porque fez campanhas nos últimos anos que mostraram um time que não conseguia manter um bom desempenho por muito tempo. Em 2009, o time assumiu a ponta na sexta rodada, ficou em segundo na nona, mas voltou a liderar na rodada seguinte, onde permaneceu até a 14ª rodada. E uma das diferenças, talvez a principal delas, é que o time do Atlético naquela edição era bastante pior que o atual.

Na sexta rodada de 2009, quando assumiu a liderança, o time do Atlético Mineiro era: Aranha; Carlos Alberto, Welton Felipe, Werley e Thiago Feltri; Jonílson, Renan, Márcio Araújo e Júnior; Éder Luís e Diego Tardelli. O técnico? Celso Roth, hoje no Cruzeiro, que viveu situação parecida ao liderar algumas rodadas da atual edição, com o mesmo problema daquela época: o elenco pouco qualificado. Não dá opções. Assim, manter o desempenho alto em um campeonato tão longo torna-se uma tarefa muito difícil. Quase impossível. Ao menos sem um grande craque – em 2009, o Flamengo teve Adriano, no seu último grande ano da carreira, e Petkovic, idem. 

O Galo de 2012 é um time superior ao que chegou a liderar em 2009. A escalação que goleou o Sport na Ilha do Reitor no último sábado foi: Victor; Marcos Rocha, Leonardo Silva, Réver e Júnior César; Leandro Donizete e Pierre; Danilinho, Ronaldinho Gaúcho e Bernard; Jô. Técnico: Cuca. Um time tecnicamente superior e, mais do que isso, com mais opções. No banco, Guilherme, ótimo atacante, Escudero, boa opção ofensiva, Richarlyson e Filippe Souto, que dão força de marcação no meio, e o centroavante André, que foi destaque do Campeonato Mineiro. Elenco para poder aguentar os percalços que, inevitavelmente, virão.

Mais do que isso: o time tem mostrado alguns pontos de destaque. O principal deles é Bernard, meia que joga pela esquerda, muito habilidoso, e que já fez cinco assistências no campeonato – um deles depois de dois chapéus em pleno estádio Olímpico, contra o Grêmio, quando Jô completou para o gol. No sábado, foi novamente pela esquerda que fez grande jogada e cruzou para Jô marcar. Bernard só fez menos assistências que Deco, que tem seis, uma a mais.

Coletivamente, o time se destaca. São 23 gols marcados, o melhor ataque do campeonato, com apenas oito sofridos, a segunda melhor defesa, atrás apenas do Fluminense, que sofreu sete. O time tem um sistema defensivo com dois volantes que marcam muito, Pierre e Leandro Donizete, para dar liberdade aos homens da frente, Danilinho, Ronaldinho, Bernard e Jô. Destes, Danilinho e Bernard ainda se esforçam na marcação. Marcos Rocha faz bom campeonato e Júnior César dá boa estabilidade à lateral esquerda.

Ronaldinho não se movimenta muito, mas é importante em alguns passes, cobranças de escanteios e faltas. Assumiu o papel de coadjuvante pela primeira vez em muitos anos. Talvez a última vez tenha sido em 2002, quando era coadjuvante de Rivaldo e Ronaldo na seleção brasileira que conquistou a Copa do Mundo. E tem sido útil ao Atlético assim. Sem ser brilhante, nem tão decisivo quanto outra época, mas ainda importante.

É impossível dizer a essa altura se o Atlético Mineiro será campeão brasileiro. O que é possível dizer é que o time dá sinais que está mais preparado para ficar na parte de cima durante todo o campeonato, brigar por coisas maiores e já mostrou maturidade para reverter situações difíceis. Os problemas virão no campeonato. Resta saber o quão longe o time pode ir. Os sinais são que o time irá brigar pela ponta. E se o título não vier, pode vir uma vaga na Libertadores e uma campanha consistente. Porque o Flamengo de 2009 mostra: é legal ganhar, mas ganhar em um ano e depois se afundar na própria bagunça não adianta. É preciso estar sempre brigando entre os primeiros. Uma hora, vence. Talvez seja em 2012. O importante é continuar por ali nos próximos anos, o que vai garantir que, uma hora ou outra, o título acabará vindo.

Curtas

– Seedorf estreou no Engenhão. Só que quem brilhou foi Zé Roberto, que fez uma bela assistência para o único gol do jogo, de Marcelo Moreno. Não é a estreia dos sonhos de ninguém, mas o time tem qualidade e pode melhorar. Se é suficiente para os quatro melhores? Só se melhorar.

– O Flamengo continua sendo o Flamengo: derrota fora de casa contra o Cruzeiro em um jogo que até Vagner Love pareceu mais Deivid. Ninguém aguenta mais Joel Santana – possivelmente nem o elenco. O problema é: quem seria a solução? Dorival Júnior? Renato Gaúcho? Leão? Não parecem boas opções para o caldeirão rubro-negro.

– O Palmeiras nem parece o mesmo time. Joga com uma confiança pouco vista anteriormente. O título fez bem demais ao time. Mas o time é só para isso aí mesmo, meio de tabela, não muito mais. Até pela vaga garantida na Libertadores e a consciência que não brigará pelo título, o que pode tirar um pouco da ambição.

– O Bahia, embora tenha alguns nomes bons, entre outros refugos, vai se afundando. Ainda pode se salvar, mas a demissão de Falcão é uma má decisão. É esperar para ver se Caio Júnior consegue melhorar o futebol do time.

– Aliás, a zona do rebaixamento com Portuguesa, Figueirense, Bahia e Atlético Goianiense é o grupo dos favoritos a cair atualmente, pelo que têm apresentado. 

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Equipe Trivela

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