Brasil

Nenhuma convocação neste século abrangeu tantos clubes brasileiros quanto a do tributo à Chape

Como qualquer lista de convocação, as escolhas de Tite para o amistoso contra a Colômbia, em homenagem à Chapecoense, causaram debate. O treinador da seleção brasileira dificilmente consegue agradar a maioria. Mas, desta vez, deixando de lado os nomes e olhando apenas para os clubes, ele foi o mais plural possível. Ou melhor dizendo, o mais político possível: os maiores clubes dos quatro principais centros do país tiveram ao menos um convocado, enquanto Pernambuco e o Paraná também estiveram representados. A lista mais ampla entre as equipes brasileiras neste século.

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Em tempos nos quais os jogadores do futebol europeu passaram a dominar as convocações, raras vezes os clubes nacionais foram maioria nas listas. Quase sempre, em amistosos especiais, voltados para testar os jogadores do cenário doméstico. Aconteceu assim, por exemplo, no início de 2002, quando Luiz Felipe Scolari encontrava os ajustes rumo à Copa do Mundo; em 2005, quando a Seleção encarou a Guatemala na despedida de Romário; nos Superclássicos das Américas de 2011 e 2012; e nos novos testes de Felipão rumo ao Mundial, no final de 2013. Em nenhuma dessas ocasiões, contudo, 14 times diferentes cederam seus atletas, como agora.

Em alguns casos, dá até para perceber a tentativa de tornar o jogo festivo também em uma comunhão de clubes. Alguns jogadores mais parecem incluídos em uma ‘cota’ para rechear a lista com os mais diferentes escudos. Todos os chamados “12 grandes” foram contemplados, algo que não acontecia desde o jogo de ida do Superclássico das Américas de 2011, com Mano Menezes. Daquela vez, porém, o gaúcho se limitou a isso. Não foi além, como Tite, dando espaço também a jogadores de Sport e Atlético Paranaense.

Cabe ressaltar ainda que as condições físicas dos atletas nortearam algumas das opções de Tite. É o que ajuda a entender, por exemplo, a ausência do palmeirense Moisés, submetido a uma cirurgia após a conquista do Campeonato Brasileiro – como o próprio comandante deu pistas na entrevista coletiva desta quinta. Assim como as transferências internacionais neste início de ano também possuem seu peso, como o treinador citou Gabriel Jesus e talvez se explique também a lacuna de Marinho.

Ainda assim, Tite conseguiu encaixar os nomes para contemplar boa parte dos principais clubes do país, mesmo o que não viveram um bom ano em 2016. Em partes, até lembrou tempos nos quais a seleção brasileira realmente se formava com os destaques dos principais centros do país. Ainda que, naqueles tempos, a política também tinha as suas influências.

Confira a lista completa de convocados:

GOLEIROS:

Alex Muralha (Flamengo), Danilo Fernandes (Internacional) e Weverton (Atlético Paranaense)

ZAGUEIROS:

Geromel (Grêmio), Luan (Vasco), Rodrigo Caio (São Paulo) e Vitor Hugo (Palmeiras)

LATERAIS:

Fábio Santos (Atlético Mineiro), Fagner (Corinthians), Jorge (Flamengo) e Marcos Rocha (Atlético Mineiro)

MEIO-CAMPISTAS:

Camilo (Botafogo), Diego (Flamengo), Gustavo Scarpa (Fluminense), Henrique (Cruzeiro), Lucas Lima (Santos), Rodriguinho (Corinthians), Walace (Grêmio) e Willian Arão (Flamengo)

ATACANTES:

Diego Souza (Sport), Dudu (Palmeiras), Luan (Grêmio) e Robinho (Atlético Mineiro)

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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