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Não é de hoje que o São Paulo apronta contra Cruzeiro em MG

O Cruzeiro vai fazendo uma campanha dos sonhos no Campeonato Brasileiro. Aproveitamento excelente, vantagem folgada, tudo preparado para que o tricampeonato nacional seja apenas uma questão de tempo. Excepcionalmente nesta quarta, porém, os líderes viveram um pesadelo. Justamente dentro do Mineirão, onde estavam invictos desde a reinauguração do estádio. Afinal, ser a pedra no sapato da Raposa é algo recorrente para o São Paulo, que conquistou uma vitória apontada por muitos como imaginável – e que acabou sendo vital na rodada.

Para os são-paulinos mais jovens, a derrota na decisão da Copa do Brasil de 2000, com aquele gol de Geovanni nos acréscimos, é uma das mais doloridas. Porém, nos últimos dez anos o Cruzeiro pode ser colocado como freguês do São Paulo. A partir de 2003, quando o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado por pontos corridos, foram 24 confrontos entre as duas equipes pelo nacional. O Tricolor venceu 14 desses jogos, enquanto a Celeste triunfou em somente três.

E o mais curioso: apenas uma vitória do Cruzeiro foi como mandante. Foi em 2004, quando os 2 a 1 colocou os cruzeirenses na liderança, como também tirou os são-paulinos da ponta da tabela, na sétima rodada do Brasileirão. Em um time bastante modificado em relação ao título nacional no ano anterior, os mineiros balançaram as redes com Jardel e Dudu, enquanto Gabriel descontou. No resto, Minas Gerais traz ótimas lembranças ao São Paulo.

Em 2005, o Mineirão viveu um épico pela 27ª rodada. O Cruzeiro abriu dois gols de vantagem, mas os visitantes buscaram a virada por 3 a 2 a partir do segundo tempo, que serviu para afastar a equipe de Paulo Autuori da zona de rebaixamento. No ano seguinte, a vitória não veio, mas o jogo sempre será lembrado como uma das maiores atuações de Rogério Ceni. Empate por 2 a 2, com dois gols e um pênalti defendido pelo goleiro, que naquele dia ainda quebrou o recorde como goleiro com mais tentos na história do futebol.

Outro jogo memorável aconteceu em 2007, com virada por 2 a 1 do Tricolor e um gol antológico de Hernanes, acertando o ângulo ao arriscar de fora da área. Nos seis anos seguintes, foram mais quatro vitórias dos paulistas e dois empates em Minas Gerais pelo Brasileirão, além de mais um triunfo pela Libertadores em 2010. A vida dos cruzeirenses só não foi mais amarga porque, em 2009, o time afastou carma na competição continental e eliminou os são-paulinos nas quartas de final.

O resultado desta quarta, no fim das contas, só segue a tendência vivida na última década. Nem mesmo os gols de Douglas e Reinaldo, tão criticados pela torcida, causam espanto quando se analisa o retrospecto recente. Ótimo para o São Paulo, que conquistou três pontos importantíssimos em uma rodada excelente para os times que lutam contra o rebaixamento – e que deixou o Vasco, primeiro a aparecer no Z-4, a apenas duas vitórias da sexta colocação.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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