BrasilBrasileirão Série A

Ninguém tem 3 vitórias seguidas na 27ª rodada

O Campeonato Brasileiro tem três blocos de times nesse momento. O primeiro é o do líder. O Cruzeiro disparado na frente e com o título nas mãos desfila com 11 pontos de vantagem para o segundo. O próximo bloco tem Grêmio, Botafogo e Atlético Paranaense brigando entre si pelas posições de segundo e terceiro, que dão vagas diretas à Libertadores. O terceiro é o mais amplo: do quinto para baixo, todo mundo pode cair.

O Vitória, sexto colocado, tem 37 pontos. O quarto, Atlético Paranaense, tem 45, oito pontos a mais. O primeiro time na zona do rebaixamento, Vasco, tem 32, cinco pontos a menos. A tabela está achatada e, não por acaso, todo mundo do sexto para baixo tem alguma chance de cair. Ninguém, repito, ninguém tem três vitórias seguidas neste momento no campeonato. O Cruzeiro teve a marca quebrada pelo São Paulo, o único time que tem duas vitórias seguidas.

Esse continuou sendo o tom da 27ª rodada, com times da zona do rebaixamento vencendo os times de cima, vitórias surpreendentes e o Corinthians sem marcar gols e empatando.

Quantidade não é qualidade

Grêmio 1×2 Criciúma

O Grêmio fez pressão no Criciúma. Foi mais vezes ao ataque, chutou mais a gol (16×8), teve marcação intensa no meio-campo… E nada disso foi suficiente. Com Elano e Zé Roberto em campo como titulares, o Grêmio foi diferente para o jogo, mais ofensivo. E perdeu, graças a duas bolas aéreas na área tricolor.

Os seis desarmes de Adriano no meio-campo mostram que o time mordeu no meio-campo, mas faltou mais direção. Metade dos chutes gremistas foram de fora da área, uma demonstração que o time teve dificuldades de chegar perto do gol adversário. O Criciúma comemora uma vitória importante, que o leva a 29 pontos, ainda em 18º. O Grêmio segue em segundo, com 48.

O jogo dos volantes

Coritiba 1×0 Santos

O time que mais faz desarmes no Campeonato Brasileiro, em média, é o Santos, com 24,2 por partida. Contra o Coxa, a média foi mantida: 24 desarmes do Peixe na partida. Alison fez nove desarmes, mesmo número de Gil, volante do Coxa. Aliás, o Coritiba fez 23 desarmes na partida. Bom, já deu para sacar que ofensivamente os dois times não foram grande coisa, né? Nove chutes do Coritiba, 10 do Santos. Nos chutes certos, 4×3. Ou seja, o 1 a 0 para o Coxa veio porque Júlio César acertou o gol em um chute. E aí ninguém mais conseguiu nada.

Eficiência e democracia

Bahia 2×0 Vitória

Depois de tomar umas traulitadas do Vitória no início do ano, o Bahia mudou muito. Não por só por causa do clássico, claro, mas também por uma reforma política. A torcida do tricolor baiano brincou dizendo que com Marcelo Guimarães Filho, o time perdeu de 7 a 3 para o rival. Com a saída de MGF e a entrada provisória do interventor Carlos Rátis, o Bahia empatou com o Vitória por 0 a 0. Agora, com Fernando Schmidt, eleito democraticamente com voto direto dos sócios, o Bahia venceu por 2 a 0. os torcedores, então, brincam que quanto mais democrático, maior a chance do Bahia vencer.

Reservas atleticanos não dão conta da Macaca em fúria

Ponte Preta 2×0 Atlético Mineiro

Olhar esse resultado pode causar algum estranhamento, mas o Atlético Mineiro usou todos os reservas contra a Ponte. E em um campeonato que os de baixo estão ganhando muitas vezes, não foi suficiente.William continua sua bela trajetória de gols. Marcou mais um e chegou a 14, vice-artilheiro do Brasileirão com um gol a menos que Ederson. Elias, que chegou para ser destaque, marcou o outro gol da Ponte, que chegou a 26 pontos, mas ainda é 19º. O Atlético Mineiro está em quinto, com 39 pontos, e é o primeiro do grupo dos outros do Brasileirão. Isso porque a diferença para o quarto, Atlético Paranaense, é de seis pontos.

Vitória da obrigação

Náutico 1×3 Botafogo

Qualquer resultado que não seja ganhar do Náutico é um tropeço. O Botafogo, que está no bloco dos desgarrados lá na parte de cima da tabela, não podia se dar ao luxo de perder pontos, mesmo no Recife. Fez o que precisava para vencer, Clarence Seedorf foi o melhor jogo, marcou um gol e comandou o time. Mas o Botafogo ainda permitiu muitos chutes a gol, 15, só três a menos que o próprio Botafogo. Como o adversário era o Náutico, não teve problema. Mas é preciso melhorar contra outros adversários.

Freguesia mantida

Cruzeiro 0x2 São Paulo

É incrível, mas nos últimos anos o Cruzeiro sempre tem sofrido contra o São Paulo. Falamos disso nesse post. Desde 2003, foram 24 jogos entre os dois times, com 14 vitórias do São Paulo e só três do Cruzeiro, além de sete empates. Uma freguesia mantida até mesmo com o São Paulo em um dos seus piores momentos da história e com o Cruzeiro fazendo uma campanha histórica. Muito bonito, mas o São Paulo continua ali, sentindo a água no pescoço, só um ponto acima da zona do rebaixamento. O Cruzeiro, mesmo perdendo segue 11 pontos à frente do segundo, totalmente tranquilo.

O rei do empate

Corinthians 0x0 Atlético Paranaense

Alguns times gostam de empatar, mas ninguém gosta tanto quanto o Corinthians. São 12 no Brasileiro até aqui, em 27 jogos. Ou seja, 44% dos jogos do time na competição acabam em igualdade no placar. Destes 12 empates, sete foram por 0 a 0. Reflexo da boa defesa, que se fortaleceu com o retorno de Guilherme ao meio-campo, mas continua com um desempenho no ataque para lá de ruim. São só 22 gols marcados pelo Corinthians e a situação só não é pior porque a defesa tomou ainda menos, 17. O time é só o 10ª colocado, 36 pontos, enquanto o Furacão segue em quarto, com 45.

O goleiro fez diferença

Vasco 1×0 Fluminense

A quanto tempo você não ouvia que o Vasco ganhou um jogo porque o goleiro foi decisivo a seu favor? Sim, é necessário dizer decisivo a favor, porque contra tem sido algo constante, seja com Diogo Silva, seja com Michel Alves. Contra o Fluminense, Diogo Silva teve ótima atuação e fez cinco defesas durante o jogo, ajudando o time a vencer por 1 a 0. O gol ainda veio com o zagueiro Cris, aquele, criticado, que tem falhado constantemente. Futebol tem dessas e o jogador ajudou o time em um momento importante.

O Vasco venceu duas das últimas três partidas e já reage. Não saiu da zona do rebaixamento porque o São Paulo fez o improvável ao vencer o Cruzeiro em Minas, mas está só um ponto atrás do time paulista. O Fluminense é que precisa colocar as barbas (recentes e brancas) e Vanderlei Luxemburgo de molho. Com 34 pontos, o time também está a só um ponto da zona do rebaixamento. Precisa se preocupar.

Hugo, Walter e a Portuguesa Robin Hood

Portuguesa 1×2 Goiás

Hugo e Walter são dois desses personagens do Campeonato Brasileiro que são alvo de humor. Um é sempre lembrado pelo perfil humorístico Muricy Trabalho por ser um meia que “chega dando de cabeça” e o outro é chamado de gordinho desde sempre. Enquanto as pessoas riem, Walter já tem 10 gols e cinco assistências, enquanto Hugo marcou três. E o Goiás é o nono colocado com 37 pontos. A Portuguesa tem 34, em 13º.

Deixou chegar™

Flamengo 2×1 Internacional

Basta o Flamengo emplacar três vitórias em quatro jogos e a conversa de Libertadores já volta a aparecer. É até justificável, porque pense bem: o time está em sexto lugar, mais perto do quarto colocado do que do 17º, certo? É, em posições, é isso mesmo. Mas em pontos, não é bem assim. São cinco pontos de diferença para a zona do rebaixamento e oito de diferença para o quarto colocado.

No maluco Brasileirão que todo mundo parece querer cair, do quinto para baixo, tá todo mundo ameaçado. Mas se o time seguir vencendo – algo que ninguém tem conseguido sem serem os primeiros – tem mesmo chance de brigar por Libertadores. Até porque o Flamengo é o melhor time das últimas cinco rodadas, com três vitórias e dois empates. Mas, por enquanto, não passa de um sonho bom.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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