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Mundo alternativo

Você já imaginou Aloísio negociando um novo patrocínio para o São Paulo? Ou, ainda, Vitório Pífero e Fernandão escolhendo treinador no Internacional? Tcheco, ao invés de Mano Menezes, dando treinamento coletivo no Grêmio? Situações como essas, no futebol do século XXI, cada vez mais profissional, soam como surreais. Todas elas, porém, aconteceram no Vasco da Gama, um clube totalmente à parte na cena nacional.

Jogava-se o Campeonato Carioca e, às voltas com a iminência de seu gol mil, Romário fechou, com o conturbado Banco BMG, um patrocínio para o Vasco. A logomarca na camisa vascaína, sem estampas desde 2000, rendeu bons dividendos ao atacante. Segundo se comentou, ele ficou com pelo menos 60% dos valores.

Credor do clube e amigo pessoal de Eurico Miranda, o baixinho Romário faz o que quer em São Januário. Não é possível esquecer o constrangimento de Dário Lourenço, em 2005, vendo o atacante comandar um treinamento coletivo. Tais cenas, porém, se repetiram na última semana, em que o jogador foi treinador interino.

Após isso, ele ainda teve participação decisiva na escolha de Valdir Espinosa. Segundo foi apurado, Antônio Lopes chegou a ter cotada sua quarta passagem por São Januário. Foi o camisa 11, porém, quem vetou a contratação.

É complicado saber se o Vasco dá moral a Romário, justamente, por ter que lhe pagar uma fortuna. Estátua em São Januário e camisa 11 imortalizada, ao que parece, são requintes que o Baixinho não merecia mais que outros ídolos maiores e mais importantes, como Roberto Dinamite. Mas, seu prestígio com Eurico Miranda, é enorme. Vale lembrar das metáforas de Edmundo: “Agora, a corte está completa. O rei, o príncipe e o bobo”.

Prova disso é a contratação surpreendente de Valdir Espinosa. Suas últimas passagens pelo futebol carioca, por Fluminense em 2004, e Flamengo em 2005, foram tão esquecíveis quanto breves. Neste ano, também ficou menos de seis meses no Cerro Porteño e fez um trabalho abaixo da crítica no Santa Cruz, tendo passado ainda por São Januário como auxiliar de Renato Gaúcho. Jogador seu, em 1983, nos últimos e únicos títulos significativos de sua carreira. Esta, aliás, sempre em alta por clubes como o Vasco.

Parecem claros, porém, os motivos pela predileção ao rodado treinador. Ainda mais pela demissão de Celso Roth ter ocorrido apenas três dias após a não escalação de Romário no clássico contra o Flamengo. Experiente e com enorme jogo de cintura, Espinosa dará alguma motivação aos jogadores e não se acanhará em ceder aos caprichos do Baixinho e de Eurico Miranda.

A saída de Celso Roth, seis jogos antes do fim do Campeonato Brasileiro, não se justifica. Por mais que houvesse uma queda absurda de produção e resultados, os números e a campanha do treinador gaúcho ainda estavam acima do esperado para um elenco tão frágil como do Vasco da Gama. Sem perspectivas reais de rebaixamento, ao menos o treinador cumpriria seu contrato e, ao fim do ano, ficaria mais oportuno definir se haveria, ou não, uma mudança de planos para 2008. Mas, pensar o óbvio, nem sempre, é uma prática comum em São Januário. 

Remo sem norte

Na edição de setembro da Revista Trivela, Leonardo Aquino alardeou sobre o combalida situação do Paysandu. De fora da final do estadual e rebaixado para a Série C, o Papão também teve uma meteórica e trágica passagem pela terceirona de 2007: seis jogos e cinco derrotas, suficientes para encerrar as atividades do ano em agosto. Naturalmente, o clube estava atolado em dívidas. Pois o filme, incrivelmente, vai se repetindo também na vida do Remo.

Ainda que tenha vencido o estadual, não é possível dizer que o clube vivia um bom momento. Afinal, sem o Paysandu, as coisas normalmente ficariam fáceis. A última vez que um clube se intrometeu e venceu o Campeonato Paraense foi em 1988, com a Tuna Luso.

Hoje, em péssimo momento na Série B, o Remo é vice-lanterna e um virtual rebaixado. Tem seis jogos e uma diferença de nove pontos para tirar e, assim, ultrapassar o São Caetano, 16º. Isso tudo, acredite, é pouco, perto dos problemas presentes na vida do clube paraense.

Na última semana, houve uma confusão generalizada, com algumas agressões, sobretudo verbais, entre os jogadores. Entre os mais acalorados, estavam os experientes Fábio Oliveira (ex-Criciúma), Danrlei (ex-Grêmio) e Altair (ex-Santos e Portuguesa). Ao técnico Bagé, de certa forma um novato, só restou lamentar a situação em meio aos treinamentos.

Há poucos dias, ainda, o Remo assistiu a um de seus principais jogadores, o atacante Zé Soares, deixar o clube. Fruto de quatro meses atrasados de salários. Também há não muito tempo, o volante Sandro Silva foi acusado de agredir dois torcedores insatisfeitos. Situações naturais para um clube em crise. Longe, porém, da tradição que têm os paraenses, apaixonados por futebol e de lindos espetáculos nas arquibancadas durante a Série C de 2005, ano do acesso.

A salvação, porém, está por vir. Robgol (ele mesmo!), eleito deputado, prepara uma frente parlamentar para angariar recursos aos dois clubes grandes do Pará. Triste iniciativa, pois parecem nítidas as más administrações e não é o governo que deve levantar a vida dos times de futebol.

Sem pagar salários, o presidente do Remo, Raimundo Ribeiro, ofereceu 10 mil reais a serem repartidos entre os jogadores. Além disso, admitiu vender parte do patrimônio do clube, na mira de uma empresa imobiliária. Atestados claros de incompetência.

Série C

Cinco rodadas se passaram, e a classificação pelo acesso na Série C está assim: Bragantino tem 11 pontos, seguido por ABC e Bahia com 10. Crac tem 9 pontos, Atlético (GO) tem 7, Vila Nova tem 4, Barras tem 3 e, na lanterna, o Nacional de Patos tem só 1.

– Blog

No Papo de Craque, blog deste colunista, já estão os tradicionais pitacos da rodada, além de textos sobre o futebol internacional e também de base.
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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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