Brasil

Muito pior do que perder

É bem verdade que irá algum internauta me dizer que malhar o Dunga agora é fácil. “Vocês, da Trivela, têm o rei na barriga e falam mal do Dunga que foi campeão da Copa América”. Algum bairrista mais ensandecido até irá (como já aconteceu) me acusar de preconceito contra o Dunga porque ele é gaúcho. Tudo bem. Faz parte da profissão. E se doer ouvir opinião contrária, que se lasque.

O Brasil que entrou em campo contra a Argentina, mais uma vez, conseguiu sintetizar toda a colaboração de Dunga à Seleção Brasileira: um time fraco tecnicamente, sem nenhuma impostação tática nem coragem e completamente divorciado de uma lógica que exigiria jogadores como Kaká e Ronaldinho Gaúcho ao menos confortavelmente inseridos no grupo. O empate sem gols foi pior que sofrer uma goleada, porque prolonga a agonia.

Para ser justo, também é preciso dizer que nenhuma ode à Argentina pode ser feita no sentido enaltecer o talento de Messi, a visão de Riquelme ou da consistência de Mascherano. Os ‘hermanos’ têm uma das piores seleções dos últimos anos em termos de performance e no Mineirão, só Jonás Gutierrez pôde sair com a consciência limpa. O jogo foi muito ruim mesmo. O problema é que o nosso problema é a nossa Seleção e não a Argentina.

Nada no jogo da Seleção funciona. Os laterais não acertam a cobertura dos zagueiros nem apóiam; os meio-campistas não conseguem iniciar a manobra ofensiva e quando por acaso ela começa, demora uma eternidade e os atacantes acham que decidirão o jogo sozinhos, especialmente Robinho, que aos 24 anos, já devia estar com maturidade suficiente para saber que futebol não é um esporte para ele exibir suas habilidades.

Na última semana, a discussão que se impôs no Brasil era sobre se Júlio Baptista deveria ou não jogar no lugar de Diego. Ninguém – ou quase ninguém – percebeu que na verdade, o que precisa se descobrir é como mudar de esquema sem Kaká, já que o milanista não tem substitutos. Se resolver atuar com três volantes, é preciso que os laterais apóiem mais e Lúcio e Juan precisam se dar conta que são zagueiros. O blablabla de que Diego é uma “opção mais ofensiva” do que Baptista é clichê burro. É uma opção taticamente muito diferente – que o técnico não percebe.

Contudo, entre todas as inadequações cometidas por Dunga – e olhe que não são poucas – a maior é a sua tentativa de impor autoridade à força. Sem competência comprovada como treinador, o técnico precisa mostrar que é ele quem manda. Nenhum ser humano em sã consciência ousaria dar uma entrevista dizendo que não conta com Kaká nem Ronaldinho para a Copa de 2010. Menos Dunga. Para ele, imprescindíveis são Gilberto e Josué. Dá para ver.

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Equipe Trivela

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