Brasil

Morre Dorval, o ponta-direita do Santos que povoou os sonhos de muitas gerações

Ídolo santista tinha 86 anos e vinha lutando contra um câncer nos últimos anos. Clube decretou 7 dias de luto

Se alguém se propusesse a explicar como se deveria jogar futebol, alguns times notáveis seriam os exemplos utilizados como referência. Os mais antigos dirão que foi o Brasil de 1970, outros mais novos apontariam o Barcelona de 2011, e no fim é tudo questão de opinião. O que não é questão de opinião é que o Santos dos anos 1960 foi o primeiro clube da história a romper fronteiras nacionais e continentais. E o sucesso estrondoso do Peixe só foi possível graças a um de seus atacantes, o notável Dorval, que morreu neste domingo (26).

O ex-ponta-direita tinha 86 anos e vinha sofrendo na luta contra o câncer. Dorval estava internado na Casa de Saúde de Santos e atravessou um quadro de insuficiência cardíaca, segundo o site oficial do Santos. O velório será realizado na Vila Belmiro, palco dos melhores anos da carreira do ex-atleta.

Na ponta da língua

Quantas pessoas ao redor do Brasil não cresceram ouvindo a última parte da escalação do Grande Santos? Dorval, Coutinho, Mengálvio, Pelé e Pepe. Um ataque fabuloso que infernizou defesas e colocou o Alvinegro praiano no mapa do futebol mundial. Apoio para quem queria decorar times como decorava a tabuada na escola. E assim passamos pelas décadas exaltando aquela formação. As façanhas da equipe santista foram fartamente documentadas (infelizmente não em vídeo), o que nos garante navegar por tanta história, fazendo justiça aos que desbravaram o cenário da Libertadores para os Brasileiros antes de qualquer outro clube.

Foi em 1957 que o gaúcho Dorval Rodrigues desembarcou em Santos para vestir a camisa do time da cidade. Revelado pelo Força e Luz, de Porto Alegre, em 1955, o ponta não emplacou logo de cara na Vila. Foi cedido por empréstimo ao Juventus e fez algumas partidas na Rua Javari antes de retornar ao Peixe. Ao longo de sua carreira, que teve o auge nos anos 60, Dorval defendeu várias camisas, mas nenhuma com o mesmo brilho e a satisfação que tinha quando alinhava com o Ataque dos Sonhos.

Depois de se consolidar entre os titulares, prestou serviços ao Bangu, Athletico Paranaense e Racing, por empréstimo. Em 1967, se despediu pela última vez do Santos, para assinar com o Palmeiras. Do Verdão, saltou para outra fase no Furacão, de 1968 a 71. Ainda vestiu a camisa do Carabobo, da Venezuela, e do extinto Saad, equipe do ABC Paulista.

Uma sala repleta de troféus

Dorval colaborou diretamente para o período avassalador do Santos, que varreu o Campeonato Paulista em seis ocasiões com a sua presença, entre 1958 e 65. Não bastasse a força jogando no Estadual, a equipe também estendeu seu domínio em território nacional, conquistando a Taça Brasil (que conhecemos como Campeonato Brasileiro) cinco vezes, de 1961 a 65. A cereja do bolo foi o bicampeonato da Libertadores, em 62 e 63, seguida da dobradinha na Taça Intercontinental em cima de Milan e Benfica. O Santos, com Dorval, ainda levantou quatro vezes o Torneio Rio-São Paulo e o Troféu Teresa Herrera, este conquistado em 1959.

Convocado para a Seleção Brasileira até 1963, participava ocasionalmente de partidas amistosas, mas esteve entre os relacionados que venceram a Taça Bernardo O’Higgins em 1959 e a Copa Roca em 63, ambos torneios que consistiam em duelos contra os rivais sul-americanos Chile e Argentina. Embora fosse um gigante de sua época, Dorval não esteve em nenhuma Copa do Mundo, tamanha concorrência no seu setor entre os Mundiais de 1958 e 62.

A intermitência por outras equipes não impediu que Dorval alcançasse uma marca bastante expressiva pelo Santos: ao todo, fez 612 jogos e marcou 194 gols, consolidado como o sexto maior artilheiro do clube em toda a história. Vencedor e predestinado a fazer parte de um esquadrão tão memorável e colecionador de recordes, Dorval é o segundo craque do quinteto santista a partir, dois anos e meio após a morte de Coutinho. Sua camisa 7 é uma das mais estimadas pela torcida e não será esquecida jamais. Por hoje, aquele Santos que só sabia vencer será o Santos de Dorval. Nosso máximo respeito à família, amigos e admiradores de Dorval, bem como o carinho à torcida santista neste momento.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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