Brasil

Monstro de desempenho

Darío Conca, 27 anos, meio-campista argentino que atua pelo Fluminense. Na carreira, apenas um título: o Clausura chileno de 2005, pela Universidad Católica. Jogou pelo River Plate entre 2002 e 2004, quando foi para a Universidad Católica. Em 2006, foi para o Rosario Central. Em 2007, desembarcou no Brasil para jogar pelo Vasco – sempre por empréstimo.

O desempenho do meia foi destacado. Como estava emprestado, o cruzmaltino não pagou o valor pedido pelo River e o jogador acabou novamente emprestado, desta vez ao Fluminense. O meia participou, como titular, da campanha do vice-campeonato. Desde então, é peça-chave do tricolor. Não por acaso, em 2009 Conca foi contratado em definitivo e assinou por três temporadas.

Conca pode não ser um craque de nível mundial, mas é um jogador que tem uma qualidade rara em jogadores desta posição – que, por sua vez, estão raros também -: a regularidade. É um jogador importante por seu papel em campo, de organizador, e não faz muitas partidas ruins. Mesmo em seus dias menos inspirados, é um jogador importante.

Além disso, tem a qualidade que Muricy Ramalho faz questão de destacar no Flu: joga sempre, com um custo-benefício altíssimo. No caso deste Campeonato Brasileiro, é sempre mesmo: o argentino esteve em campo em todos os 36 jogos do time na competição. Um recorde que só três jogadores conseguem manter no atual Brasileiro. Além de Conca, só dois goleiros: Fernando Prass, do Vasco, e Rogério Ceni, do São Paulo.

O feito é impressionante. No Brasileiro de 2007, três jogadores conseguiram estar em campo em todos os jogos: Michel Alves, do Juventude, Harlei, do Goiás, e Diego Cavalieri, do Palmeiras. Todos goleiros. Em 2008, quatro jogadores conseguiram a proeza: Harlei, do Goiás, Fábio, do Cruzeiro, Victor, do Grêmio e Wilson, do Figueirense. Novamente, todos goleiros. Em 2009, apenas Harlei conseguiu esse feito.

Não por acaso, o fato de Conca jogar todos os jogos do Flu no Brasileiro de 2010 é destacado. Mas não é uma surpresa, considerando o histórico de Conca. Em 2007, seu primeiro ano no Brasil, o meia jogou nada menos do que 30 dos 38 jogos do cruzmaltino, com seis gols marcados. Em 2008, já pelo Fluminense, jogou novamente 30 das 38 rodadas, quando ajudou o time a escapar do rebaixamento e marcou quatro gols. Em 2009, nova luta contra o rebaixamento e Conca jogou 36 das 38 rodadas, com sete gols marcados e líder absoluto em assistências, com 18 passes para gol, sendo decisivo para o time.

O ano de 2010 pode ser marcante para o argentino e para o futebol brasileiro. O meia pode escrever seu nome na história da competição como o jogador pode quebrar a escrita de goleiros que jogam todas as partidas e sedo o principal jogador do time, mesmo com o Fluminense estrelado com Fred e Deco.

Apesar de não ter conseguido sucesso no futebol argentino, Conca espera ter uma chance na seleção. Em entrevista ao diário Clarín nesta quarta, o jogador diz: “Meu sonho é defender a seleção do meu país, sem dúvida. Se estou trabalhando bem aqui no Brasil, teho essa esperança”. Apesar da forte concorrência – Ángel Di Maria, Lionel Messi e Javier Pastore, principalmente –, Conca é um jogador de uma qualidade alta e que poderia ter uma chance no grupo. Não convocá-lo, porém, não é nenhum absurdo, dada a concorrência.

Se o Fluminense confirmar o favoritismo e vencer o Campeonato Brasileiro, deve agradecer a Conca. Aliás, uma das polêmicas no clube é justamente essa: o argentino ganha menos do que Fred e Deco, mas foi mais decisivo. Tem contrato com o Flu até o final de 2011, mas se não houver um ajuste no salário, o tricolor pode ter um problema nas mãos. Eu renovaria o contrato, com o devido reconhecimento, antes que seja tarde demais.

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Equipe Trivela

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