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[Memória] Os quatro jogos eletrizantes que Flamengo e Palmeiras protagonizaram em 1999

O clima é de decisão, por mais que o Brasileirão ainda guarde 13 rodadas depois disso. E, mesmo que o campeonato permita várias reviravoltas, a tabela aponta neste momento para um duelo particular entre Palmeiras e Flamengo. Separados por apenas um ponto, os dois clubes vem demonstrando mais regularidade que os principais recorrentes. Esperam que o resultado no Allianz Parque signifique um passo firme na caminhada rumo ao título.

O jogo desta quarta tem tudo para figurar em um lugar especial na história do confronto. Como, por exemplo, aquele de 2009. O Flamengo ainda precisou penar um bocado para comemorar a conquista no Brasileiro daquele ano. Independente disso, os 2 a 0 em São Paulo serviram para ratificar o bom momento dos rubro-negros, naquela que talvez tenha sido a melhor atuação individual de Petkovic, o maestro da campanha.

Curiosamente, Flamengo e Palmeiras completam o centenário de seu primeiro duelo neste ano. Em 1916, o Fla empatou amistoso com o então chamado Palestra Itália por 2 a 2. A partir disso, foram 111 partidas e também algumas boas histórias. Abaixo, relembramos o período de rivalidade mais acirrada nos últimos anos: as duas vezes em que os gigantes se cruzaram em mata-matas em 1999, entre maio e dezembro. Foram quatro jogos decisivos por Copa do Brasil e Copa Mercosul, que acabaram com 22 bolas nas redes. Cada time se deu melhor em uma delas, com os flamenguistas erguendo ainda a taça continental. Já em julho de 2000, houve um tira-teima pelas semifinais da extinta Copa dos Campeões. Melhor para os palmeirenses, na última glória antes do período de vacas magras após o fim da parceria com a Parmalat.

Copa do Brasil

Euller. Basta um nome para que as memórias daqueles embates venham à mente. Em um mês no qual o Palmeiras se desdobrava entre o Campeonato Paulista e a Copa Libertadores, o risco de eliminação nas quartas de final da Copa do Brasil pareceu real. Os alviverdes vinham de duas derrotas em clássicos, goleados por 5 a 1 pelo São Paulo no estadual e superados por 2 a 0 pelo Corinthians no continental – embora a vitória nos pênaltis tenha garantido a classificação às semifinais. Já na ida contra o Flamengo, perderam por 2 a 1 no Maracanã. Caio Ribeiro abriu o placar aos 30 do segundo tempo e Romário ampliou na sequência. Mas os palestrinos diminuíram o prejuízo nos acréscimos com Paulo Nunes, em comemoração célebre por imitar Marcelinho Carioca. Um gol valiosíssimo.

Já no Parque Antarctica, o Flamengo deu mais um passo rumo à fase seguinte ao terminar o primeiro tempo em vantagem, com gol de Rodrigo Mendes, apesar da pressão do Palmeiras e de duas bolas no travessão de Clemer. Ficou tudo para os eletrizantes 45 minutos finais. Oséas empatou aos 12, mas a resposta foi imediata, em uma pintura de Rodrigo Mendes cobrando falta. E, na sequência, o terceiro gol em menos de cinco minutos, com Júnior deixando tudo igual outra vez. Naquele momento, o Palmeiras precisava de dois tentos. Eles vieram graças a Euller. O bombardeio paulista resultou em mais duas bolas no travessão seguidas, aos 39. Mas o destino era mesmo o imponderável. O ‘Filho do Vento’ surpreendeu duas vezes na área, com duas cabeçadas certeiras entre os 41 e os 44. Por fim, nos acréscimos, ainda houve tempo para os rubro-negros lamentarem uma bola na trave, que não mudou o destino da derrota por 4 a 2.

O Palmeiras, contudo, pararia na etapa seguinte da Copa do Brasil. Foi eliminado nas semifinais pelo Botafogo, nos pênaltis, em edição conquistada pelo Juventude.

Copa Mercosul

Sete meses depois, o Flamengo teve a chance de se desengasgar com o Palmeiras. Muito havia passado desde então. Os alviverdes conquistaram a Libertadores, perderam o Mundial Interclubes e buscavam o bicampeonato da Copa Mercosul. Enquanto isso, os rubro-negros vinham de semanas turbulentas. Não bastasse toda a confusão nas semifinais contra o Peñarol, que terminou em cenas lamentáveis, o clube perdeu Romário e viu o ídolo rumar de volta ao Vasco, após entrar em rota de colisão com o presidente Edmundo dos Santos Silva.

O Baixinho, de qualquer maneira, não fez falta. No Maracanã, dominando desde os primeiros minutos, o Flamengo largou na frente com Juan, mas cedeu o empate antes do intervalo, com tento de Júnior Baiano. Outra vez, o melhor ficou para o segundo tempo, com cinco gols entre os 22 e os 39 minutos. O Palmeiras virou e por duas vezes ficou em vantagem, graças a Asprilla e Paulo Nunes. O Fla, por sua vez, viu Caio Ribeiro sair ao resgate, empatando ambas as vezes. E o papel de herói coube a Reinaldo, depois de vários gols perdidos, garantindo o triunfo fundamental por 4 a 3. Ótimo prólogo para o drama que aconteceu no Parque Antarctica.

Melhor durante o primeiro tempo, o Palmeiras desperdiçou a oportunidade de abrir boa vantagem em casa. Fez só um gol, com Arce cobrando pênalti. Na etapa complementar, de novo Caio Ribeiro apareceu para empatar. E a virada aconteceu graças a Rodrigo Mendes. Sonho acabado para os alviverdes? Nada disso. Havia tempo para mais uma reviravolta no placar, com Arce e Paulo Nunes retomando a dianteira entre os 12 e os 22. Forçando o terceiro jogo, Luiz Felipe Scolari optou por recuar o time. Pagou caro por isso. O técnico Carlinhos botou Lê em campo e ele decidiu aos 39, com chute no contrapé de Marcos, que decretou o empate por 3 a 3. Os flamenguistas comemoravam o primeiro título internacional desde o Mundial de 1981 – e o último a partir de então.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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