Melhor do mundo? Argentina 3 x Brasil 2
Pelé completa 72 anos e cada vez mais pessoas começam a duvidar de sua perenidade como o melhor jogador do mundo. A culpa é fórmula magia + eficiência que Lionel Messi despeja em nossa sala a cada jogo do Barcelona. E agora, a partir da união com Alejandro Sabella, também a cada jogo da seleção argentina.
Eu não acho que Pelé seja inalcançável. Ninguém o é. Nem Beethoven, com quem Pelé gosta de se comparar. O Passional, que entende muito de música clássica, prefere Mozart.
Mas, se Pelé pode ser alcançado, eu não acho que o será por Messi. Por uma questão simples. No meu modo de avaliar, a participação em Copas do Mundo tem um bom peso. Muita gente prefere dizer que o Mundial não tem mais importância e que a Liga dos Campeões, sim, é o parâmetro maior. Discordo. O que Pelé fez um Mundial, aos 17 anos, não pode ser esquecido.
A Argentina leva, em minha opinião, vantagem sobre o Brasil quando se discute qual o melhor jogador do mundo em determinada época. Estou falando daquelas escolhas indiscutíveis, de jogadores que, realmente, dominaram o futebol mundial por uma determinada época. Não falo de Rivaldo e Kaká, por exemplo, que ganharam o título em um determinado ano, com justiça, mas que não marcaram uma época. Não houve um período Kaká ou uma era Rivaldo.
Falo de Di Stefano, Pelé, Maradona, Ronaldo e Messi.
Alfredo Si Stefano, revelado pelo River Plate, chegou ao Rel Madrid com 26 anos, em 1953. E mudou a história do futebol mundial. O Barcelona dominava a Espanha e o Real não era campeão há 20 anos. Com o argentino, ganhou oito dos dez campeonatos seguintes, além de cinco Copas da Europa seguidas. Por isso, o Real foi considerado o maior time do século 20.
Di Stefano tem duas frases maravihosas. Quando parou de jogar, colocou, em frente de sua casa, uma estátua em formato de bola, com a seguinte inscriação. “Gracias, vieja”. (Obrigado, velha. Melhor ainda, se fosse Obrigado, querida). E rencentemente, deixou claro seu desgosto com o “futebol moderno” ao dizer que “o futebol acabou quando o primeiro secador de cabelos entrou no vestiário”. Cristiano Ronaldo não concordaria.
Pelé foi Pelé. Campeão mundial aos 17 anos, ganhou ainda dois títulos, parou guerras, fez mais de mil gols e foi eleito o maior atleta do século 20. Maradona ganhou a Copa de 86 comandando um exército brancaleone, foi vice em 90, ainda com jogadores de nível apenas bom ao seu lado e em 94, quando tinha tudo para ressurgir foi derrotado pelo vício.
Ronaldo Fenômeno dominou o mundo de 97 a 2002. Suas contusões colocaram o mundo em estado de tristeza absoluta. Nem a sua falta de compromisso com a seleção (2006) diminuiu o amor de quem gosta de futebol.
E Messi veio para desempatar. Quando se fala em melhor do mundo, Argentina 3 x Brasil 2
Cinco sul-americanos. A Europa? Foi hospedeira de quatro deles. Produziu craques como Cruyff, Beckenbauer e Zidane, mas esses estão abaixo também de Garrincha.



