Maurão, Mirtu, Passional, mestres de Aguaí, falam de futebol
No domingo, fui até Aguaí exercer a cidadania. Pela Internet, havia um clima assustador de guerra entre os partidários do atual prefeito, Gutemberg, do PPS e de Sebastião Biazzo, o candidato mais velho do Brasil, que é do PMDB, apoiado pelo PT. Eu votei em Sueli, do PHS, porque não concordei com o PT. Mas isso, é o de menos.
O bacana é que o clima de ódio não se refletia na rua. Em sua maioria, as pessoas – mesmo que adversárias virtuais – conversavam animadamente. Falavam em pesquisas – é gente, até em Aguaí as pesquisas dominam a política – e, depois de votar, iam para os bares e restaurantes.
Assim é que deve ser. Por isso, é tão bom visitar Aguaí. Pude falar com alguns amigos de times diferentes e trago aqui o que estão pensando.
O Maurão Braga é um cara legal. Engenheiro pela Unicamp, sempre risonho e falando alto é corintiano por demais, como dizem os baianos lá da Gabriela. Eu já tive uma inveja saudável do Maurão e confessei isso a ele no domingo. Nada a ver com ele ser um engenheiro milhão de vezes melhor do que eu, mas sim por haver namorado, há mais de 35 anos, uma certa morena de nome Eliana.
E o Corinthians, Maurão?
Empatou com o Náutico, né (ele ainda não sabia do segundo gol pernambucano, ocorrido minutos antes) e não estou muito satisfeito não. O time perdeu o Leandro Castán e não veio ninguém. Falta um matador. O Sheik está punido. Precisava dar uma deslanchada nesse Brasileiro e pensar só no Chelsea. Se acertar umas coisas, a gente ganha esse Mundial aí.
No caminho para o Padre Geraldo Lourenço, minha escola querida, encontrei o Mirtu. Ou melhor, o Milton da Iberia, como ele se apresentou para o eleitor. Ibéria é uma industria lá da terrinha. Antes, era o Milton do Itaú. Para mim, será sempre o Mirtu do Anísio. Ou o Mirtu da dona Teresa.
Amigo de infância, a gente passava parte da tarde na área de casa ouvindo Hélio Ribeiro na Rádio Bandeirantes ou então jogando xadrez. E, devo confessar, lendo fotonovela também. Fotonovela era uma febre e eu sempre gostei de ler lixo cultural, qualquer coisa.
Eu ensinei o Mirtu a jogar xadrez e ele me ensinou a usar Binaca para refrescar a boca e impressionar as meninas na hora do beijo. Ele era mais velho e a dica do Binaca, até pode ter sido boa, mas pouco usada. Digamos assim que eu não era um conquistador. Ou, para ser mais exato e usando o linguajar de hoje – ali, em Aguaí, com 14 anos, não catava ninguém.
“Pode vender todo mundo do time. Não sobra um. Ah, só o Barcos, esse joga muito”, dise meu amigo verde.
Ele entende de bola. Era ótimo atacante, me lembro dele na Vila Braga. Jogava meio pelo lado esquerdo e chutava forte. Para sacanear, lembrei que ele jogava com a mão aberta, com os dedos para baixo. Desmunhecava. “Ah, pode falar, eu fazia assim mesmo mas metia muito gol. Eu era bom e por isso posso falar que o Barcos é bom”.
E o resto? Não gosta do Assunção?
Olha, o Assunção não tem fôlego, só sabe bater falta. Ele e o Valdivia juntos são um jogador só. Um cava falta e outro cobra a falta. Pra time grande não pode ser assim, jogador de um lance só.”
Concordam?
Depopis, encontrei o Passional. Está cada vez mais fanático. No bar, enquanto o pessoal brigava – na boa – pelo Tião ou pelo Gutemberg – ele desafiava alguém a apontar algum zagueiro atuando no Brasil melhor que o Rhodolfo. Só tem um, só tem um, ele gritava no bar.
E quem é, Passional?
O Tolói.
Assim é minha Aguaí. Se cobrir, vira circo. Se cercar, vira hospício. Mas a gente não vive sem ela.



