Brasil

Mau prenúncio para os promovidos

A permanência é sempre um norte para quem sobe de divisão no Campeonato Brasileiro. Almejar maiores objetivos que esse significa pensar adiante demais, especialmente em um futebol onde reconhecer as próprias limitações é algo raro. Coritiba, Ipatinga, Portuguesa e Vitória têm elencos modestos e não poderiam pensar além da manutenção de patamar ao fim de 2008. Contudo, têm pensado menos ainda. O Brasileirão nem começou, mas esse fantasma não pode ser ignorado por essas equipes.

Campeão da Série B na temporada passada, o Coritiba vem tendo dificuldades em apresentar regularidade em 2008. Já no início deste ano, o Coxa perdeu seus dois maiores jogadores defensivos: Henrique e Anderson Lima. A instabilidade política fez com que Renê Simões desconsiderasse a permanência no Couto Pereira, onde, aliás, os alviverdes têm mostrado um futebol abaixo da crítica, sobretudo para o Campeonato Paranaense.

Ainda que por enquanto não passe de especulação, a transferência de Keirrison pode consumar uma queda de nível do clube. Há alguns meses, o jovem atacante traz soluções ao time dentro de campo – já fez 14 gols na temporada. É evidente que ele também pode trazer solução às finanças. Contudo, há de se definir o que é prioridade.

Até aqui, vários garotos têm sido promovidos pelo Coritiba, com a tentativa de repetir a fórmula que lhe colocou na primeira divisão. O nível de disputa e exigência da Série A, porém, é bem maior. É necessário um elenco amplo, experiente e qualificado. Dorival Júnior é bastante competente, mas precisa de melhor material em mãos.

Dono de meteórica ascensão no futebol brasileiro, o Ipatinga deveria chegar à Série A com a mesma ambição que lhe caracterizou nas últimas temporadas. Subir muitos degraus rápido demais, porém, nem sempre oferece um sucesso duradouro. Em 2008, o Tigre de Aço vem tendo péssimos resultados no Campeonato Mineiro, onde corre até risco de rebaixamento. E vem falando sobre priorizar o torneio nacional. Não parece uma justificativa aceitável.

Após um tempo razoável com Emerson Ávila no comando, o clube trocou de treinador após o terceiro jogo do ano. Seu substituto, Moacir Júnior, não melhorou muito as coisas. Esse cenário já foi muito visto e quase nunca tem um final feliz. Foi justamente superestimar o torneio estadual que fez com que o América de Natal desse o primeiro passo errado em 2007, a então demissão de Estevam Soares.

Nestes primeiros meses, o elenco do Ipatinga vem sofrendo retoques com o desenrolar das rodadas. Desde o início do ano, reforços como William, Osmar, Marcelo Costa (todos ex-Palmeiras), Nenê e Mariano (ambos os dois ex-Cruzeiro) chegaram em doses esporádicas. Antibióticos, do tipo que pode curar uma dor de cabeça instantaneamente. Mas de resultados nada duradouros.

Não dá pra dizer que a Portuguesa vem indo muito mal no início de temporada. Porém, a timidez de seus números no Campeonato Paulista traz preocupações para quando adversários mais fortes pintarem no caminho. Atualmente, a Lusa está atrás de equipes como Mirassol, Bragantino, Noroeste, Ituano e Barueri.

O trabalho dedicado e reconhecidamente bom de Benazzi possui uma margem final e isso deve ser compreendido no Canindé. Dono de feitos semelhantes com os de Mano Menezes no Grêmio, o treinador precisa urgentemente de mais qualidade. Times competitivos com jogadores limitados não têm força suficiente para brigar de igual para igual na primeira divisão.

Tão importante quanto o “coxa-branca” Keirrison, o jovem Diogo pode ser a solução para uma melhora no futebol rubro-verde. Lesionado desde o primeiro jogo do ano, é um atacante com ótimo prenúncio para a Série A, sobretudo se tiver Christian como companhia. Mas, basta olhar para trás, especialmente para a criatividade limitada do time, e problemas são detectados.

Quarto colocado da última Série B, o Vitória possui uma estrutura e recursos que poderiam lhe colocar em uma situação privilegiada em relação aos outros três ascendentes. Além de já possuir um elenco numeroso, o rubro-negro baiano pinçou reforços interessantes e ainda tem reputação para atrair ao Barradão alguns nomes de primeira linha do Nordeste.

Se o torneio estadual, vez por outra, serve para iludir equipes com bons desempenhos, no caso do Vitória apresenta, inegavelmente, uma temporada desde já preocupante. No Campeonato Baiano, os rubro-negros estão a oito pontos do líder Bahia e a seis do modesto Vitória da Conquista.

Foram precisos 22 jogos para a direção do clube detectar que o trabalho de Vadão estava estagnado. O treinador, sempre lembrado pelo trabalho que já tem 15 anos, no Mogi Mirim, costuma vivenciar esse tipo de situação. Vágner Mancini, contratado há poucos dias, estreou com derrota. Os adeptos do rubro-negro baiano podem se preocupar. Os de Coritiba, Portuguesa e Ipatinga, também.

Encurralado

Todo centenário de clube grande deveria ser recheado de festas, grandes craques e títulos. O Atlético Mineiro, porém, não fez diferente dos outros brasileiros que atingiram essa marca. A situação do Galo, em um âmbito geral, não é condizente com a grandeza de suas cores e de sua torcida. A constrangedora contratação de Petkovic é sintomática.

O raciocínio da atual direção atleticana não é equivocado. Apertar os cintos, fazer negociações interessantes, apostar na revelação de garotos como Diego Alves e ir reequilibrando as contas. Triste é ver o Galo chegar nesse ponto. A situação não é indiferente para outros clubes grandes brasileiros.

De qualquer forma, o Atlético Mineiro merece os parabéns pela história que tem. E isso não há dinheiro que compre, tampouco administrações ruins que estraguem. História não tem preço e respeito se adquire. O Galo tem tudo isso. Que possa ter mais. Que possa ter mais cem anos. É muito bom para o futebol brasileiro.

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Equipe Trivela

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