Brasil

Marighela, Mario Magalhães e Garrincha

Foi ontem o lançamento do espetacular “Marighela, o guerrilheiro que incendiou o mundo” do meu amigo Mário Magalhães, de tantos treinos juntos – Telê Santana, que luxo – e competições internacionais. Mário sempre foi um repórter de alto nível, um perdigueiro que nunca desistia da notícia. Nunca se satisfazia com o menos. Para ele, todo detalhe era importante, nada deveria escapar.

Dizem que um antigo jornalista ao chegar na redação, pegou o jornal do dia e disse assim: “Mais uma batalha perdida”. E é isso mesmo . Por mais que a gente lute, nunca consegue saber tudo, nunca consegue informar tudo. O Magal lutava até o fim para perder de pouco.

É fácil notar isso no livro a que dedicou parte de seus últimos nove anos. São 730 páginas. São 256 entrevistados. São 88 páginas de notas explicativas. Tudo ali é realidade, provada e comprovada. E envolvida em um texto leve, que faz a gente pensar que poderia ser fixão.

E, para não dizer que não falamos de esporte, Mario traz uma poesia de Marighela dedicada a Mané Garrincha.

 

A Alegria do Povo

Uma grande jogada
pela ponta direita,
o balão de couro
como que preso no pé.
Um drible impossível…
Garrincha sai por uma lado,
e o adversário se estatela no chão.
Gargalhada geral,
o Maracanã estremece…
Lá vai o ponta seguindo,
os holofotes varrendo de luz o gramado,
o balão branco rolando,
seguro nos pés do endiabrado atacante.

Voa Garrincha,
invade a área contrária,
indo até à linha de fundo
para cruzar…
E as redes balançam,
no delírio do gol.

Garrincha! Garrincha!
A alegria do povo,
no balé estonteante
do futebol brasileiro.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo