Brasil

Marcos históricos

A volta de Luís Fabiano ao futebol brasileiro seria notícia fosse como fosse, pelo grande jogador que é, pelo que vinha fazendo no Sevilla e por aquilo que fez pela Seleção Brasileira, especialmente no caminho para a Copa do Mundo de 2010. A forma como ele chegou, porém, deve ser destacada. Uma festa grande, do tamanho de uma estrela internacional, como, de fato, ele ainda é.

Luís Fabiano volta ao Brasil com 30 anos, depois de atuar seis temporadas em alto nível pelo Sevilla. A passagem pelo Porto decepcionou, assim como a passagem pelo Rennes, ainda muito jovem, depois que saiu da Ponte Preta. Pela Seleção, ocupou o espaço que parecia destinado a outros, como Adriano e Fred, virou dono da 9 e foi à Copa do Mundo como o artilheiro brasileiro.

O evento no Morumbi e a presença de mais de 30 mil pessoas (alguns cogitam 40 mil) no estádio para recepcionar Luís Fabiano mostra o tamanho da contratação e do acerto do São Paulo em repatriar o jogador. É um dos ídolos do time em uma era de seca. Luís Fabiano esteve no São Paulo em um período sem conquistas – exceção ao Rio-São Paulo de 2001, que revelou Kaká nas finais.

A apresentação de Luís Fabiano foi um grande evento, o que é bom para o futebol brasileiro. Expõe o clube, o jogador e o campeonato. Esse tipo de apresentação em alto nível teve uma grande melhora com Ronaldo, ídolo mundial, quando chegou ao Corinthians. Roberto Carlos também teve destaque, Ronaldinho seguiu a linha neste ano com evento marcante.

Alguns perderam a chance de fazer o mesmo. Caso do Fluminense com Deco e Fred, e do Botafogo, com Sebastian Lobo Abreu. Mesmo o Atlético-MG poderia ter aproveitado melhor a apresentação de Guilherme, a contratação mais cara do futebol mineiro até agora.

Em menos de uma semana, o São Paulo emplacou duas vezes no noticiário internacional de futebol. Primeiro,c om o recorde quebrado de Rogério Ceni, com o gol 100 contra o maior rival do clube, antes da contratação de Luís Fabiano.

Rogério merece a reverência. Marcar 100 gols é um feito incrível para um goleiro e que será muito difícil conseguir não repetir, mas mesmo chegar perto. Sem contar que todos os gols foram por um só clube, pelo qual em breve chegará a marca de 1000 jogos. O seu tamanho no São Paulo atualmente é inigualável. A marca é histórica e deve marcar o futebol mundial.

Com Luís Fabiano e Rogério Ceni, o São Paulo tem dois grandes ídolos em campo, o que é um atrativo e tanto para o clube, além do Campeonato Brasileiro como um todo, que já tem Rivaldo, também no São Paulo, Ronaldinho e Thiago Neves no Flamengo, Deco, Conca e Fred no Fluminense, Guilherme no Atlético-MG, Montillo no Cruzeiro e Liédson e Adriano no Corinthians.

Adriano, aliás, deve ser apresentado também com muita pompa pela diretoria corintiana. E como se trata de Corinthians, não dá para duvidar da participação em grande número do torcedor corintiano. Apesar de todas as dúvidas que pairam sobre o Imperador, é uma contratação de impacto e pode, como não, ser um bom reforço. Depende, essencialmente, dele. Resta saber se ele fará o suficiente para ser destaque.

O Brasil melhorou sim no futebol. Um jogador como Luís Fabiano, ainda com muito a oferecer, em forma, voltar ao país é um sinal que as coisas estão melhores. Os salários oferecidos por aqui beiram a Europa e, em alguns casos, de centros menores do velho continente, superam. Ainda é um sinal tímido, mas que mostra que é possível fazer do futebol brasileiro melhor.

Neymar e mais 10

A Seleção Brasileira de Mano Menezes voltou a vencer. Passou pela Escócia por 2 a 0 em Londres. Apesar da aclamada falta de qualidade do time escocês, os britânicos não são tão fracos assim. Sabem construir excelentes sistemas defensivos, uma qualidade que valorizamos pouco. Tanto que os gols brasileiros surgiram da criatividade de Neymar. O primeiro, com um tapa na bola de forma genial. No segundo, em um pênalti que ele mesmo sofreu (ainda que seja um pênalti perfeitamente “não marcável”).

O problema é que Neymar é dos poucos garantidos. Júlio Cesar é um goleiro do mais alto nível, mas resta a conquista definitiva de Mano. Daniel Alves é um dos melhores laterais do mundo, com a sombra de Maicon, que não vive uma grande fase. Na defesa, Thiago Silva e David Luiz são tecnicamente ótimos, mas Mano preferiu trazer a experiência de Lúcio de volta. A ideia é trazer experiência, mas pode acabar brecando o crescimento do excelente David Luiz, que perdeu a vaga.

No meio-campo, dupla consolidada de volantes: Lucas e Ramires. Daí em diante, tudo indefinido. Paulo Henrique Ganso é, teoricamente, o dono da 10, enquanto Neymar é o 11, no ataque ou fechando pela esquerda. Robinho deve ser o titular, mas também o primeiro candidato a perder a posição. Vale o mesmo para o 9, que pode ser Pato, mas pode ser qualquer outro que surgir bem e conseguir convencer – como fez Luís Fabiano antes da Copa.

O problema é que sem o Paulo Henrique Ganso ainda na Seleção, o único com capacidade de decidir uma partida é Neymar. Só ele tem esse talento e essa capacidade, mesmo sendo muito jovem. Por isso, a Seleção de Mano atualmente é Neymar e mais 10.

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Equipe Trivela

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