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Marco do renascimento: cinco meses depois da tragédia, Chape é campeã catarinense

Era 29 de novembro de 2016 quando o mundo da Chapecoense ruiu. A caminho de Medellín, para a final da Copa Sul-Americana, a maioria de seus jogadores, seu técnico e boa parte de seus dirigentes perderam suas vidas. O clube teve que renascer, e só não foi do zero por causa da força da sua torcida e da comoção que despertou no mundo do futebol. Este domingo foi um marco desta ressurreição: as peças foram rapidamente colocadas no lugar, com uma equipe comandada por Vágner Mancini capaz de ser campeã catarinense apenas cinco meses depois da tragédia que deixou uma ferida permanente em sua história.

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Foi o sexto título catarinense da Chapecoense, confirmado apesar da derrota por 1 a 0 para o Avaí, em uma Arena Condá com 19 mil pessoas, quase o recorde do estádio. E, pela primeira vez, conquistou o bicampeonato estadual. Levantou o troféu imediatamente antes e imediatamente depois do desastre aéreo, dando indícios de que o clube segue pelo menos no mesmo caminho da sua ascensão no futebol brasileiro. O grande teste será o Brasileirão, no qual será imperativo não ser rebaixado mais uma vez.

O título veio graças à boa campanha ao longo dos dois turnos do Catarinense, com a disputa da Libertadores ao longo deles, manifestação de força de um elenco inteiro montado às pressas desde dezembro. Foi segunda colocada do primeiro turno e liderou o returno. A melhor campanha combinada permitiu que jogasse pelo empate na grande decisão. Foi campeã ganhando por 1 a 0, na Ressacada, e perdendo pelo mesmo placar na Arena Condá, apesar de ter criado as condições para selar o título com um resultado melhor.

A Chapecoense foi melhor que o Avaí na primeira metade da etapa inicial. Luiz Antonio foi responsável pela primeira chance, aos 15 minutos, com um chute perigoso da entrada da área. Exigiu duas grandes defesas seguidas de Kozlinski: o cruzamento de Reinaldo desviou em Judson, e o goleiro teve que fazer uma bela defesa, em dois tempos; na sequência, o mesmo Reinaldo cobrou lateral na área, um míssil, e Wellington Paulista desviou ao ângulo, aonde Kozlinski foi buscar. Ainda houve rebote, que Arthur Caike chutou cruzado para fora.

Os visitantes ainda não haviam finalizado quando Leandro Silva marcou o gol do Avaí. Ele tabelou pela lateral direita e arriscou, despretensiosamente, do bico da grande área. Artur Moraes demorou para reagir e chegou atrasado. Uma pequena falha do goleiro da Chapecoense que atribuiu bastante emoção para o restante da final. Wellington Paulista quase empatou, aos 42 minutos, ao recolher um chutão de Moraes, arrumar com a cabeça e bater na rede pelo lado de fora. Marquinhos ficou próximo do segundo gol: recebeu de Romulo, dentro da área, e, livre, tentou encobrir o goleiro da Chape, mas mandou para fora.

Artur Moraes redimiu-se da falha no começo do segundo tempo. Denilson cruzou da ponta esquerda para a segunda trave, onde Romulo estava bem posicionado para pegar de primeira e exigir uma grande defesa do goleiro. Ele salvou outra vez a Chapecoense ao espalmar por cima do travessão um chute forte de Romulo, da entrada da área. Luiz Antonio e Rossi ainda tiveram duas grandes oportunidades de empatar para os donos da casa, no final da partida, mas as desperdiçaram.

Foi uma decisão emocionante. Os dois goleiros tiveram que trabalhar bastante. Kozlinski para manter a meta do Avaí intacta, no primeiro tempo, e Artur Moraes para compensar a falha do gol de Leandro Silva. Apesar da derrota, a noite será apenas de celebrações em Chapecó, no título estadual mais especial do fim de semana. A Chapecoense perdeu quase tudo nas montanhas de Medellín, mas já dá passos firmes na sua reconstrução. Neste domingo, pode gritar e comemorar: é campeã catarinense mais uma vez.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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