Brasil

Mãos quentes

Não sofrer gols em um jogo é o primeiro passo para vencê-lo. É o que se tira das estatísticas, provavelmente pioneiras da imprensa britânica, de se contabilizar em quantos jogos determinado goleiro não levou nenhum gol – logo, um ‘clean sheet’ significa uma partida sem ser vazado. Em um campeonato repleto de ótimos arqueiros, ver o desempenho de boa parte deles significa, também, entender melhor a situação de cada equipe na tabela.

Não é à toa que, em 10 dos 19 jogos do primeiro turno, o gremista Victor não foi vazado. Em nove dessas 10 partidas, o time de Celso Roth, campeão de inverno, somou três pontos. É verdade, porém, que ter a melhor defesa do campeonato trabalhando para si representa uma enorme colaboração. Entende-se, então, por que o Vasco – a pior defesa – só passou ileso em três dos 28 jogos que fez no Campeonato Brasileiro.

Comparando por esse lado, é bom dar uma olhada nos números do Footstats, que contabiliza o número de defesas em média que cada goleiro faz por jogo. Ninguém pega tanto quanto André Luís, o camisa 1 mais utilizado pela Portuguesa, que tem uma defesa fraquíssima trabalhando para si – em sete jogos, a Lusa sofreu pelo menos três gols.

Mesclando as duas situações – clean sheets e média de defesas por jogo – o maior goleiro do Campeonato Brasileiro é o veterano Magrão, de 31 anos, que defende o gol do Sport. O camisa 1 campeão da Copa do Brasil está entre os cinco melhores de ambos os rankings e, de quebra, só não disputou uma partida do Brasileiro. Quase foi para a Espanha, mas ficou no país e brilha.

Outro desempenho que chama a atenção é do colombiano Viáfara, do Vitória. Considerado trapalhão e inseguro quando estava no Atlético-PR em 2007, foi emprestado para os rubro-negros baianos e encontrou a paz no Barradão. O Vitória, porém, tem um esquema peculiar – salta aos olhos, nos jogos da equipe de Vágner Mancini, a forma com que a equipe atua, com a linha de defesa sempre na intermediária e o goleiro funcionando como líbero, pois é rápido e bom com os pés. Assim, a bola chega menos no gol, e os riscos se diluem. Mancini costuma atribuir à essa compactação o sucesso de seu time, o 7º.

Mesmo sem possuir defesas completamente seguras, Palmeiras e Botafogo aparecem bem posicionados, representados por Marcos e Castillo. Isso se explica pelo fato de as equipes se caracterizarem pela enorme capacidade de reter a posse de bola e pressionar os adversários. Marcos, porém, ao contrário do inseguro goleiro uruguaio, ainda vive um grande momento, e jogou todas as partidas da competição até aqui.

Principal goleiro das últimas duas edições do Campeonato Brasileiro, o são-paulino Rogério Ceni tem uma participação mais discreta em 2008, mas aparece em posição intermediária no ranking, cresce com a defesa tricolor nos últimos jogos – principalmente pela chegada de Rodrigo, afirmação de André Dias e volta de Miranda – e ainda é capaz de colaborar com alguns milagres, frutos de seu reflexo apurado e bom posicionamento.

Os números, leitor, estão aí. Eleja o melhor goleiro do Campeonato Brasileiro. Saindo de cima do muro, este colunista ainda prefere Victor, do co-líder Grêmio, como o camisa 1 ideal.

Ranking de Clean Sheets (dados do colunista – ver tabela completa em seu blog)
1º Vítor (Grêmio) – 13 em 28 jogos
2º Viáfara (Vitória) – 11 em 25 jogos
3º Magrão (Sport) – 10 em 27 jogos
4º Marcos (Palmeiras) e Harlei (Goiás) – 09 em 28 jogos
5º Fábio (Cruzeiro) – 08 em 28 jogos
6º Castillo (Botafogo) – 07 em 18 jogos
7º Bruno (Flamengo) – 07 em 27 jogos
8º Rogério Ceni (São Paulo) – 06 em 25 jogos
9º Galatto (Atlético-PR) – 06 em 22 jogos
10º Renan (Botafogo) – 05 em 12 jogos

Quem mais defende (dados do Footstats – não considera a 28ª rodada)
1º André Luís (Portuguesa) – 4,9 defesas em 13 jogos
2º Vanderlei (Coritiba) – 4,7 em 13 jogos
3º Galatto (Atlético-PR) – 4,3 em 21 jogos
4º Wilson (Figueirense) – 4,1 em 27 jogos
5º Magrão (Sport) – 4 em 26 jogos
6º Fernando Henrique (Fluminense) – 3,9 em 21 jogos
7º Bruno (Flamengo) – 3,8 em 26 jogos
8º Eduardo (Náutico) – 3,8 em 26 jogos
9º Viáfara (Vitória) – 3,7 em 24 jogos
10º Edson (Atlético-MG) – 3,4 em 19 jogos

Rodada divide grupos na tabela

Dois times que claramente disputam o título (Palmeiras e Grêmio); três que pensam em Libertadores e sonham com o mesmo título (Cruzeiro, Flamengo e São Paulo); cinco que estão na zona de Sul-Americana e sonham com Libertadores (Coritiba, Vitória, Goiás, Botafogo e Inter); três aparentemente sem grandes riscos e/ou ambições (Sport, Atlético-MG e Santos) e sete que precisam se livrar da degola (Figueirense, Náutico, Atlético-PR, Portuguesa, Ipatinga, Fluminense e Vasco).

A 28ª rodada, com a disputa que se iniciou na quarta e se encerrou às vésperas das eleições municipais, determinou algumas divisões que se desenhavam na tabela de classificação. O campeonato, que entrou na contagem regressiva, ainda é imprevisível, de fato. Mas, se o correto é olhar o momento, a divisão feita no parágrafo acima é pertinente. Embora, por projeções, dá para se colocar São Paulo e Flamengo na briga por título.

O Fla, que só sairá de casa em três dos últimos dez jogos, tem por que pensar em título. Foi o Maracanã, em 2007, que lhe tirou da rabeira e lhe deu a terceira posição. E nos Aflitos, no sábado, a equipe de Caio Júnior venceu a terceira seguida, mostrou força e sorte para resistir à pressão Timbu, inteligência para matar o jogo e trouxe um ótimo resultado onde três de seus quatro concorrentes não venceram – o Cruzeiro ainda enfrenta os alvirrubros fora.

O São Paulo, que causa pavor aos rivais, tem a maior série invicta (ver tabela ao lado) do Campeonato Brasileiro e, embora aparentemente lhe falte talento, sobra consistência e equilíbrio – só levou dois gols nos últimos seis jogos, sendo um contra e outro de pênalti. No Vale do Aço, Muricy recheou o meio-campo com três volantes, mas utilizou Zé Luís para liberar Jean e Hernanes como meias – e o primeiro fez um gol, o segundo sofreu penalidade.

Na outra ponta da tabela, Vasco e Fluminense completaram a quarta rodada consecutiva dentro da zona de rebaixamento – a segunda como últimos. E são os dois cariocas, em estado de calamidade, que representam as chances de se ter um clube grande na Série B de 2009.

Renato Gaúcho, ainda que seja bom técnico, mostrou que tem dificuldades em fazer a leitura do momento vascaíno. Embora se soubesse que o Figueirense viria fechadinho para São Januário, o treinador abriu muito o time e sofreu com a fragilidade da pior defesa do campeonato. Usou dois laterais que não marcam ninguém, dois zagueiros lentos, um volante instável, três meias e dois atacantes. E foi goleado em casa, somando sua terceira derrota em três jogos na volta ao Vasco.

Rei do acesso, só Benazzi pode salvar a Ponte Preta

Este colunista, há aproximadamente dez dias, batia em seu blog na tecla de que, com a vitória sobre o Santo André, no ABC, a Ponte Preta podia chegar ao G-4 da Série B. Isso porque tinha, em seqüência, jogos em casa contra os rebaixáveis Brasiliense e CRB, e a chance clara de fazer mais seis pontos. Um empate contra o Jacaré, porém, selou a passagem de Bonamigo pelo Moisés Lucarelli – o treinador demitido havia pego a Ponte na 16ª posição e entregou na 7ª.

A chegada de Benazzi à Campinas se deu, principalmente, pela avaliação de que o elenco pontepretano precisava de oxigenação, e também por ter, supostamente, problemas com Bonamigo. E o ex-técnico da Portuguesa, então, vem para motivar a equipe nos 10 jogos finais e tentar o que seria o 11º acesso em 14 anos de sua emergente carreira.

A Ponte, vice-campeã paulista e que ainda sonha em chegar ao G-4, é um time bem idêntico ao que foi montado por Sérgio Guedes no início de ano. As diferenças são os acréscimos do zagueiro Gum, do volante Jairo, do meia William e do atacante Leandrinho – as perdas foram Wanderley, que foi vendido para o Cruzeiro, e Elias – a mais sentida – que hoje defende o Corinthians.

Em potencial técnico, principalmente, a Ponte não deve nada aos rivais pelo acesso – muito disso pelo talento de Renato e Luís Ricardo. A grande missão é dar motivação e pernas para uma equipe que joga no limite desde a segunda semana de janeiro. Eis a tarefa para Benazzi, que tirou a Portuguesa de cair para a Série C, pôs na elite e, no âmbito estadual, também voltou da A-2 para a A-1. O novo técnico estreou com vitória, tímida, no Moisés Lucarelli: vitória pelo placar mínimo sobre o lanterna CRB.

Tapetão e força em casa na Série C

Mesmo com quatro jogos no último sábado, o octogonal final da Série C começou na sexta à tarde. Isso em razão de o Confiança, de Sergipe, ter sido absolvido pela suposta escalação irregular – fossem condenados, os sergipanos abririam espaço para o ASA de Arapiraca, de Alagoas.

No sábado, então, quatro jogos foram definidos pelo mando de campo, e quem atuou em casa somou três pontos. Duque de Caxias (que bateu o Confiança por 3 a 1), Águia de Marabá (que venceu o Guarani por 2 a 1), Brasil de Pelotas (que venceu o Rio Branco-AC por 2 a 1) e Campinense (que bateu o Atlético-GO também por 2 a 1), saíram na frente na disputa pelas quatro vagas que levam à próxima Série B.

Pelas próximas seis semanas, serão disputadas duas rodadas em cada. Entre a 13ª e a decisiva 14ª rodada os times terão uma semana de folga, enfim, para descansar. Haja viagem em um octogonal que tem jogos do Rio Grande do Sul ao Acre.

Resumos do primeiro turno
Grêmio, Cruzeiro, Palmeiras, São Paulo e Vitória
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-grmio-cruzeiro.html
Coritiba, Flamengo, Botafogo, Sport e Internacional
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-coritiba.html
Figueirense, Atlético-MG, Goiás, Portuguesa e Náutico
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-figueirense.html
Atlético-PR, Vasco, Santos, Fluminense e Ipatinga
http://dassler.blogspot.com/2008/08/anlise-do-primeiro-turno-atltico-pr.html

Mostrar mais

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo