Brasil

Mano: “Brasil precisa de uma filosofia de jogo própria”

Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira no Footecon 2011, o técnico da Seleção Brasileira, Mano Menezes, afirmou que sabe que a Seleção Brasileira precisa melhorar.

“Precisamos vencer melhor, de maneira mais convincente. É ilusão achar que o resultado não influencia no trabalho aqui no Brasil”, afirmou.

O técnico, que participou de um painel sobre formação de atletas e teve ao lado as presenças de Rodrigo Caetano (diretor executivo do Vasco da Gama), Marcelo Teixeira (gerente de futebol do Fluminense) e Jorge Macedo (coordenador da base do Internacional), afirmou que falta aos clubes e à seleção uma filosofia de jogo específica.

“Filosofia não é apenas estabelecer que todos os times da base e do profissional joguem no mesmo esquema tático. É algo muito maior, tem a ver com concepção de jogo, estilo, valores estabelecidos. A tática vai depender das características dos jogadores que compõem o elenco”, analisou Mano, que apontou a falta dessa filosofia e de valorização do profissional da base como causas para os problemas de formação de jogadores no país.

“É o famoso puxadinho brasileiro. Os clubes querem economizar muito na base. Se você tem um cara gente boa, que precisa de emprego, acaba colocando na base, e às vezes o cara não é capacitado para assumir o cargo, o que acaba prejudicando todo o trabalho. Além disso, o profissional da base não é valorizado no país”.

O gerente de futebol do Fluminense, Marcelo Teixeira, ex-observador técnico do Manchester United, concordou com a análise de Mano, comparando com a situação no clube inglês. “No Manchester United, o treinador do sub-11 ganha um salário igual ao de todos os técnicos da base, que é muito bom. No Brasil, a base é apenas vista como trampolim para que o profissional suba na carreira”, opinou.

Renovação, Olimpíadas e Andrés Sanchez

Durante a entrevista, realizada após o painel, Mano foi questionado sobre a renovação feita na Seleção Brasileira durante o período em que ele foi técnico, e aproveitou para cutucar a imprensa na resposta.

“Foi uma mudança grande? Foi. Poderia ter sido menor, mas foi uma opção minha mudar. Em 2010, após a Copa, era o que todos vocês, repórteres, queriam”, alfinetou.

Perguntado sobre os jogos Olímpicos, o técnico já afirmou também que já tem uma equipe-base em mente. Sobre a efetivação de Andrés Sanchez como novo diretor de seleções, o treinador afirmou que vê a escolha como positiva.

“É sempre bom ter alguém que possa facilitar a comunicação entre a comissão técnica e a CBF. Ainda não conversei com o Andrés sobre isso, pois nos encontramos muito rapidamente apenas no Prêmio Craque do Brasileirão e ali não era o momento para falarmos sobre trabalho”, completou.

Ano positivo na base

Indagado sobre o trabalho de formação de jogadores durante o ano de 2011, Mano afirmou que o ano foi positivo nesse sentido. “Unificamos os três títulos sul-americanos de base e acho que avançamos na busca de uma filosofia de jogo em comum que, repito, não tem nada a ver com jogar com todas as seleções no mesmo esquema tático. Mas ainda temos muito o que fazer nesse sentido”.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo