Brasil

Mais que a obrigação

“Ganhar de cinco é obrigação”, era o título do post que escrevi para o Blog da Trivela horas antes do começo da partida. Mais que o número de gols, porém, a obrigação brasileira era passar fácil por um adversário muito frágil. A Seleção fez isso. E fez mais: dominou a partida, nunca esteve de fato em risco e, se não mostrou de novo grande padrão tático, pelo menos se organizou de maneira a deixar brilhar seus maiores talentos.

O próprio desenho da equipe começou diferente: ao invés de Kaká pela direita e Ronaldinho pela esquerda, o que se viu foi o milanista principalmente avançando pelo meio, e Robinho jogando pela direita. O mais importante, entretanto, foi a movimentação dos três. Aos 35 do primeiro tempo, por exemplo, quem estava na esquerda para tabelar com Kaká no que quase se transformou no segundo gol era Robinho.

Outra mudança importante foi a movimentação dos laterais. Ao contrário de partidas anteriores, os volantes ficaram, e quem subiu foram Gilberto (pouco, com menos qualidade) e Maicon (muito bem, um dos melhores em campo).

No primeiro tempo, foi o suficiente para chegar ao 1 a 0. O gol de Vagner não foi sua única participação na partida. Ligado, quase marcou no início do jogo e, embora tenha perdido um gol feito aos 19 do segundo tempo, voltou a ameaçar o gol aos 20. Fez, em uma partida, tudo o que não fez desde que começou a ser presença freqüente nas convocações.

No início do segundo tempo, falhas da defesa quase deixaram o Equador empatar. Aos 14, Lucio falhou feio, e Julio Cesar salvou – da mesma maneira que aos 26, quando a falha foi geral. O capitão da Seleção, aliás, mostrou seu futebol habitual: alguns bons desarmes, boa colocação e, como acontece com freqüência, uma falha grotesca. O Equador, porém, não teve qualidade para chegar ao gol, e o Brasil fez então questão de deixar claro que, de uma maneira ou de outra, ganharia a partida.

Aos 28 do segundo tempo, Ronaldinho aplicou mais um dos lances que o fazem um jogador diferenciado – embora ele mesmo tenha admitido que foi um lance de sorte – ao desviar o chute de Kaká para marcar. Aos 32, Kaká, que aparecera pouco até então, mostrou porque é o melhor do mundo hoje.A partir daí, a partida acabou, e deu para jogar para a torcida e para o Galvão. O lance de Robinho no quarto gol, primoroso, provavelmente não teria acontecido contra uma equipe um pouco melhor, ou um pouco menos “derrotada”. Nada a reclamar, porém: a tal da “ginga” também é futebol, e agrada a quem adora o esporte. O quinto gol… bem, o quinto gol deveria ter servido pra mostrar que, afinal de contas, o quarto não foi tudo isso, certo?

Dunga acertou na montagem do time desta vez. Conscientemente ou não, desenhou um esquema que depende pouco de sua intervenção, e muito da qualidade de nossos três maiores craques. Méritos ao treinador por isso.

Vagner, Maicon e Julio Cesar se mostraram à vontade, foram importantes e têm de usar as boas atuações para se afirmar. Mineiro e Gilberto Silva, contra um meio-campo muito fraco, não tiveram nenhum trabalho. E os nossos meias são os nossos meias. Basta deixar eles jogarem.

É necessário, entretanto, levar em conta a fragilidade do adversário. Como treino, valeu, e muito. Só que precisa funcionar quando houver um adversário. Para isso, é bom insistir, Dunga precisa definir este como o esquema do time, e treiná-lo.

Para terminar: faria muito bem o treinador da Seleção se, em alta, desse um “tapa com luva de pelica” em seus supostos desafetos, e aproveitasse para pedir desculpas pelo comportamento que teve nos últimos dias. Faria muito no sentido de reconciliar o time nacional com o país que ele representa.

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