Brasil

Mais negro que rubro

Terça atribulada no noticiário flamenguista. Adriano se atrasou para o treino, justamente dois dias depois de sua reestreia com a camisa rubro-negra. Um sinal de falta de profissionalismo? Falha de comunicação? O Flamengo tentou justificar, não foi convincente e, no fundo, nada disso é importante. Adriano não aparecer em treino é e continuará sendo normal, o Flamengo sabe disso e, se o contratou, é porque acha que vale o risco. Enquanto muita gente se descabelava pela ausência do Imperador, coisas muito mais importantes aconteciam na Gávea.

Dois fatos que podem influenciar o futuro da campanha do Flamengo no Brasileirão se expuseram nesta terça. Primeiro, Petkovic se apresentou ao clube em uma negociação bastante esquisita e que não teve a anuência de toda a direção rubro-negra. Depois, em entrevista coletiva, Cuca falou sobre sua preocupação com uma eventual debandada de jogadores nos próximos dois meses. Dois focos de crises futuras que precisam ser contornados se o Flamengo quer conquistar o Brasileiro (algo possível pelo elenco atual).

A chegada de Petkovic é preocupante pelo modo como o clube ainda não se livrou de fantasmas do passado e se mostra disposto a soluções heterodoxas para resolver os problemas. Não é assim que se age em um ambiente realmente profissional. Se o clube tem dívida com um jogador, precisa encontrar meios de quitá-la com medidas administrativas. Misturar isso com o futebol propriamente dito é abrir as portas para que o problema de um setor contamine outro.

Tecnicamente, não há justificativas para a contratação de Petkovic. Ainda que alguns torcedores do Flamengo pensem no talento do jogador, na capacidade de chutar bem uma bola, isso é passado. As últimas experiências do sérvio como jogador não foram das melhores. Em Santos e Atlético Mineiro, ele deixou claro que tem talento, mas ficou mais claro ainda que, na prática, é um ex-jogador.

O pior é que o meia representa muito para a torcida rubro-negra, sobretudo por causa de seu gol na final do Estadual do Rio de 2001. Assim, mesmo sendo um jogador sem condições de fazer uma quantidade minimamente razoável de partidas por ano, a torcida pode pressionar Cuca a escalá-lo sempre que o time apresentar problemas no meio-campo.

Aí surge a segunda grande interrogação flamenguista do momento. O Rubro-Negro tem vários jogadores no elenco com contrato previsto para terminar em junho ou julho de 2009. Entre eles estão Ibson, Jônatas, Émerson, Josiel e Maxi Biancucchi. Considerando a situação financeira do Flamengo, há uma chance razoável de tais vínculos não serem renovados, como também é bastante provável que alguns jogadores importantes saiam para o clube fazer caixa.

Somando isso tudo aos jogadores que têm contrato encerrado no final de 2009 – Zé Roberto, Diego e Ronaldo Angelim, por exemplo –, fica um clima de incerteza muito grande pairando sobre o elenco. O time de hoje pode ser desfigurado em breve, o que minaria as chances de título nacional, mesmo com a chegada de Adriano. Cuca sabe disso e deve ficar desmotivado ao ver que a resposta da diretoria é contratar Petkovic.

Se conseguir sobreviver a esses problemas nos próximos dois meses, o Flamengo pode seguir entre as equipes mais fortes do Brasil. Caso contrário, vai ter um final de ano no meio da tabela.

Enquanto isso, no Paraná

Se serve de consolo ao Flamengo, outro rubro-negro vive uma situação muito mais delicada. O Atlético Paranaense – coincidentemente, o adversário do Fla no último domingo – amarga um péssimo início de Brasileirão, dividindo a lanterna com o rival Coritiba (que, ao menos, tem a desculpa de estar se poupando por causa da Copa do Brasil) após quatro rodadas. Pior, a perspectiva é de que a campanha continuará sendo bastante agônica para sua torcida.

O problema básico é que a equipe não foi bem montada. Com limitações financeiras (terminou o ano passado no vermelho e ainda trata como prioridade a finalização da Arena da Baixada), o clube não pôde investir muito em reforços. Assim, o elenco ficou desbalanceado e pouco preparado para enfrentar a dura batalha na metade de baixo da tabela da Série A.

Em teoria, a aposta foi na – já batida – mescla de garotos saídos das categorias de base com outros mais experientes. No entanto, o clube o fez de modo arriscado. Entre os jovens, Chico é o único com um mínimo de familiaridade com o Brasileirão. Outros, como Fransérgio, Raul, Wallyson e Patrick podem ter dificuldade em lidar com a pressão de uma torcida exigente e potencialmente insatisfeita.

Na cota de “experientes”, também há problemas. Marcinho, Antônio Carlos, Rafael Moura e Galatto são jogadores que já tiveram bons momentos, mas não chegam a ser uma garantia de experiência (o mais velho é Marcinho, com 28 anos) e qualidade técnica. Por isso a diretoria tanto se esforça para contratar Paulo Baier. Também é um jogador de altos e baixos, mas já está acostumado a liderar equipes limitadas na luta contra o rebaixamento.

Em um dia bom, o Atlético pode protagonizar grandes atuações, como na vitória por 3 a 2 sobre o Corinthians na Copa do Brasil. No entanto, a tendência é que, em 38 rodadas, prevaleça a apatia, como a vista na derrota em casa diante do Náutico.

Ainda que normalmente seja um clube mais organizado que a média brasileira, o Atlético Paranaense vive um momento de baixa em sua história recente. E, até um fato novo mudar sensivelmente o cenário, o clube e sua torcida precisam olhar com muita atenção para a possibilidade de queda. O Furacão não está entre os favoritos ao rebaixamento, mas não seria nada surpreendente se caísse.

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

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