Brasil

Mais importante que a vitória foram as variações que o Brasil apresentou

De novo, a seleção brasileira não foi brilhante. De novo, dependeu da bola parada para conseguir a vitória. Porém, não dá para dizer que a partida contra o Equador foi uma decepção. O Brasil não criou muitas chances e tomou sufoco em alguns momentos, mas mostrou variações que podem ser interessantes nesse novo ciclo de Dunga – bem menos pragmático do que na estreia contra a Colômbia, por exemplo. Um bom sinal para o momento de reformulação que urge na Seleção, por mais que o placar de 1 a 0 conquistado em Nova Jersey não tenha sido dos mais impressionantes.

O Brasil foi a campo com uma escalação muito parecida com a que venceu a Colômbia na última sexta-feira, só com duas mudanças. Danilo e Marquinhos entraram na zaga, nos lugares dos cortados Maicon e David Luiz. Mas, se o time ainda tentava acertar o seu posicionamento naquela estreia, se apresentou mais entrosado desta vez. Não havia tantas faltas, embora o gramado adaptado no estádio de futebol americano atrapalhasse bem mais. Mesmo assim, a Seleção trabalhava bem o passe e se movimentava, em especial com Willian, Neymar e Diego Tardelli.

Faltava aproveitar um pouco mais os espaços que se abriam a partir dessa movimentação, por mais que o campo impedisse passes mais arriscados. O Brasil finalizou pouco a gol. A primeira chance demorou a surgir, apenas de um contra-ataque puxado por Neymar. Já o gol saiu a partir de uma bola parada. Desta vez, em mérito de Dunga, graças a uma jogada ensaiada. Se o time de Felipão mostrava pouca inventividade nesse quesito, nesse novo ciclo ele já se mostra decisivo. A movimentação de Willian foi perfeita para aproveitar o excelente lançamento de Neymar (em sua 23ª assistência pela Seleção) e fuzilar o goleiro.

Para o segundo tempo, Dunga lançou mão de duas alterações. Tirou Oscar e Willian para as entradas de Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart. E a dupla cruzeirense entrou muito bem no jogo, deixando a Seleção mais agressiva. Principalmente Éverton, de participação ativa pelo lado direito, criando chances para os companheiros e só não marcando um golaço por conta de uma bela defesa de Domínguez. Não parece ter sentido o peso da camisa nesse início.

Em compensação, o Brasil perdeu domínio de jogo e sofria mais com as investidas do Equador. Marquinhos e Miranda apresentavam muita segurança no miolo de zaga, assim como Filipe Luís fazia grande partida. O problema maior era Danilo, bastante explorado pelos avanços dos equatorianos, com dificuldades na marcação. Enner Valencia dava trabalho dentro dá área, mas um milagre de Jefferson ajudou a evitar o empate.

Com o jogo arrastado, a Seleção foi ficando mais leve com as mudanças feitas por Dunga. Elias, Philippe Coutinho, Fernandinho e Gil entraram no time, aumentando ainda mais a mobilidade da equipe. Aproveitando mais as brechas do Equador, o Brasil teve a sua melhor chance de ampliar com Neymar, que passou a atuar centralizado no ataque. Contudo, dentro da pequena área, o camisa 10 carimbou o travessão sem nem poder botar a culpa na grama.

Dentro da proposta de jogo que o Brasil apresentou, o placar importou mais para ressaltar que ainda falta agressividade. Porém, já existe um caminho, e o temor de que nem isso existisse talvez fosse o maior após a escolha de Dunga. Outro problema é o discurso prometendo guerra, que se manteve nesses amistosos, e deve aumentar com o início dos jogos competitivos. Se isso não significar pragmatismo exacerbado ou limitar um estilo mais solto, há esperanças de que a Seleção não volte só a ganhar, mas a recuperar um pouco de seu encanto perdido.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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