Brasil

Lusa não pode ser prejudicada por ser pequena. E nem beneficiada.

Quero deixar uma coisa bem clara de início, e já aviso que não responderei nenhum comentário que ignorar este aviso: não estou tomando partido de time nenhum, não defendo a queda de fulano, nem de beltrano e acho que seria muito pior para o Fluminense não jogar a Série B do que jogá-la.

Isto tudo posto, me incomoda bastante o “coitadismo” que toma conta da maior parte das discussões sobre quase tudo no Brasil. O “mais fraco” sempre tem que prevalecer. Entendo o sentimento, é nosso, legitimamente brasileiro, e eu mesmo me lembro da situação máxima em que isso aconteceu na minha vida, na final da Copa de 90, quando torci, alternadamente, por Alemanha, Argentina, Alemanha, Argentina, enfim, quem parecia o coitado da vez contava com a minha torcida.

Assim é, por exemplo, com a Ponte Preta. Nada contra torcer para o pequeno, eu também torci, a não ser, claro, quando jogou contra o meu time. Mas querer ver a Ponte disputando uma Libertadores é coitadismo. No último grau. Ah, é bacana, o time tem tradição, tem torcida. Perfeito, que se estruture, então. Disputar a Libertadores tendo acabado de cair para a Segundona, entretanto, é ruim para o futebol brasileiro. É um time que será eliminado rápido, que não vai botar medo em ninguém. Ou alguém acha que ter o Tigre jogando a Libertadores faz maravilhas para o futebol argentino?

Para deixar claro: se fosse o Goiás  a jogar a Libertadores, bem estaria. Não tenho simpatia nenhuma por “times médios”, mas estaria justo, como está justo o Atlético-PR, outro time pelo qual não tenho nenhuma simpatia, jogar. Se estruturou, pode fazer boa campanha. Mas não a Ponte, que ganharia a vaga muito mais pela irrelevância da Sul-Americana (sim, o título que o meu time ganhou no ano passado é irrelevante) e pela fraqueza dos adversários do que porque se preparou, porque vem crescendo e esse crescimento pode ser sustentável.

Aí surge um caso como o do jogador irregular, ou supostamente irregular, que a Lusa usou, e cai o mundo. Mais um aviso: sim, eu também acho que os times grandes, e os cariocas ainda mais, cansaram de se beneficiar de decisões no tapetão, e também me incomodo com isso. Mas me incomodo mais ainda com regulamentos não cumpridos. E isto, parece que a maioria esmagadora das pessoas parece não estar levando em conta.

Há uma regra, e ela é relativamente clara. Há precedentes. Há uma lógica que deve reger o julgamento da questão. Só isso deve ser levado em conta. Se o Fluminense sera o beneficiado, se ele deve uma Série B, se ele é grande e a Portuguesa, pequena, se ele é carioca e a Lusa paulista, nada disso importa. A decisão tem que ser meramente legal, seja qual for.

Sou favorável ao rebaixamento da Lusa, então? Não, não sou, não tenho a menor condição de reunir todas as informações necessárias para ser a favor ou contra. Mas sou a favor de que se julgue pela regra. E que caia quem tiver que cair. Porque se o prejudicado, ao invés de ser a Lusa, fosse o Corinthians, o São Paulo ou o Flamengo, ninguém estaria chiando. E se tem que valer para os grandes, e tem que valer para os grandes, também tem que valer para os pequenos. Beneficiar os grandes é aburdo. Por que motivo não seria absurdo beneficiar os pequenos?

 

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