Brasil

Lula, Dilma, Luiz Adriano, Klose e o cabo Adolfo

Ah, as generalizações advindas da paixão popular pelo futebol. Quer dizer então que Lula deu R$ 31 milhões por ano ao Corinthians? Simples, assim? Nada disso. O patrocínio da Caixa ao time do ex-presidente deve ser analisado sob um contexto mais amplo.

1) Um banco estatal precisa fazer propaganda?

2) Um banco estatal deve investir em um clube de futebol?

3) Os valores cedidos ao Corinthians estão dentro do que se paga no mercado?

Só isso, sem paixão clubística.

Eu respondo sim para a primeira pergunta. Caixa e Banco do Brasil reduziram os juros e a Caixa é o banco que impulsiona, com crédito, o programa Minha casa, minha vida. Precisa de ações de marketing para enfrentar bancos privados. Até hoje ninguém reclamou porque o Raí e a Camila Pitanga recebem para fazer propaganda para a Caixa.

Eu respondo que não vejo nada de errado na segunda opção. A Petrobras já patrocinou até o River Plate. O Corinthians é um time de grande torcida e que vai ter uma grande exposição com a disputa do Mundial Interclubes.

Não faço ideia, é minha resposta para a terceira pergunta. Sei que o novo patrocínio do São Paulo é de R$ 23 milhões, mas é necessário buscar outros parâmetros para dizer se é justo, economicamente falando. Parece que sim. 

Por fim, está na hora de se imputar tudo o que acontece no Brasil ao presidente Lula. Quem governa é a Dilma, já faz dois anos. Se houve má gestão da Caixa nesse aspecto do patrocínio ao Corinthians, ela é que deve ser cobrada. Por ação ou por omissão, caso tenha atendido um pedido de Lula. Mas tudo isso parece um grande exagero.

Também não se pode criticar ninguém de outra torcida por dizer que o time do povo virou uma estatal, vive de dinheiro público. É uma bela gozação, um belo argumento, mesmo que falso. Os botequins vão ferver com essa discussão.

Mais absurdo eu acho uma ilação que se faz a partir de uma atitude antiética como a do Luiz Adriano, que não respeitou o fairplay e fez um gol pelo Shakhtar. A ilação dos vira latas é a seguinte

1) Klose, há pouco tempo, disse ao árbitro que havia feito um gol com a mão, possibilitando a a anulação da jogada.

2) Luiz Adriano enganou o juiz e os adversários, em uma atitude que ofende o esporte.

3) Klose é um jogador mais ético do que Luiz Adriano.

4) Klose é alemão

5) Luiz Adriano é brasileiro

6) Então, a partir de cinco afirmativas corretas, chegamos à conclusão de que o povo alemão é maravilhoso e que n~´os somos um bando de oportunistas, aproveitadores. Outros, mais afoitos, dirão que a culpa é da miscigenação, o que criou um povo malemolente, sem caráter, sempre pronto a enganar.

E eu, que sou chato, pergunto: E o cabo Adolfo?

Qual foi o país que elegeu um genocida? Qual foi o povo que se calou ao ver vizinhos sendo mandados para o forno crematório? Ou alguém acredita que o alemão comum não sabia o que estava acontecendo naqueles anos de infâmia?

Eu estou dizendo que todo alemão é nazista? Que nós brasileiros somos uma maravilha? Não, nada disso. Apenas que o fato de Klose ser um cara mais honesto – futebolisticamente falando – do que Luiz Adriano se basta. Para por aí. Não tem consequências.

PS – Vamos lembrar que um dos casos recorrentes de corrupção no futebol italiano foi denunciando por um brasileiro.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo