Longa vida a Neymar e cartão vermelho para os pancadeiros
Quando um jogador sofre 13 faltas em um jogo, quatro delas dignas de cartão amarelo, é muito hipócrita ficar discutindo se ele dribla em exc esso, se ele irrita, se ele humilha adversários em campo. Principalmente pela atitude de Neymar ao levar um chapéu de Preto, do Bragantino, ontem.
O que fez Neymar? Correu atrás, deu pontapé, deu carrinho, chorou as pitangas, disse que foi humilhado, ligou para pai e mãe? Nada disso. Segue o jogo. Craque é craque. Alguém ouviu Neymar dizendo que vai quebrar, vai arrebentar etc?
Drible ou porrada? O que você prefere? O que é permitido em campo? Existe alguma lei que impeça o drible, o deboche? Não. O que existe é um código de honra. Se me deu um chapéu, eu posso dar um pontapé. Pode, mas vai ser punido.
Há uma hipocrisia muito grande nessa história. Os adversários de Neymar, geralmente toscos de bola, usam argumentos pré-históricos.
1) Por que ele não faz firula quando o jogo está empatado?
Faz sim, mas se não fizer, qual é o problema. Ele tem 90 minutos para jogar, faz firula quando quiser. E, se a firula ofende e humilha e isso rende faltas para o Santos, melhor ainda.
2) Por que deu carretilha no Nunes e não fez nada na final da Libertadores contra o Corinthians ou na final do Mundial, contra o Barcelona?
Não fez porque nao deu para fazer. Porqe foi dominado. Porque o Santos perdeu. Porque não dá para driblar sempre Porque Neymar não é infalível.
3) Neymar disse que é rico para os adversários.
Essa é a mais ridícula. Sabem quanto ganha um desses zagueiros botinudos aí do Paulistão? No mínimo R$ 8 mil reais. Mais de dez salários mínimos. Mais do que a grande maioria da população brasileira. Então, eu vou ser solidário a um rico que foi humilhado por um milionário?
E, se Neymar é politicamente incorrreto, se não tem espírito esportivo, se dá chapéu com bola rolando, se provoca os pancadeiros, qual é a opção? Não, amigos. Eu não vou torcer para que alguém desprovido de técnica acerte um pontapé em um grande jogador como Neymar.
É uma sociedade doente essa em que o drible é questionado e o pontapé é aplaudido. Ou justificado.
Triste país do futebol em que o treinador mais badalado da atualidade diz que o garoto que dribla é mau exemplo para a juventude. E escala Jorge Henrique.



