Brasil

Leomar: carreira mediana antes e depois da seleção

Presidente do Sport, Luciano Bivar colocou em xeque a reputação da seleção brasileira nesta sexta-feira. Em entrevista à ESPN, o dirigente confessou que pagou a um lobista para ter um jogador defendendo a equipe nacional em 2001. O felizardo foi Leomar, volante pouco conhecido no país até o chamado de Emerson Leão. Foram seis aparições com a camisa amarela, incluindo jogos pelas eliminatórias da Copa e pela Copa das Confederações.

Inegavelmente, a convocação do volante foi bastante contestada na época. A “Era Leomar” serviu para intitular a fracassada passagem de Leão no comando da seleção. E o meio-campista, embora tenha se beneficiado pouco depois com uma venda ao exterior, nunca viu a carreira deslanchar.

A ascensão no Sport

Formado pelas categorias de base do Atlético Paranaense, Leomar passou também pelo Iguaçu no início da carreira. De volta ao Furacão, o volante teve sua maior conquista no Campeonato Brasileiro da Série B de 1995. Mesmo titular na campanha vitoriosa, o jogador acabou negociado ao Sport meses depois, indicado pelo técnico Hélio dos Anjos.

Na Ilha do Retiro, Leomar fez parte de um dos ciclos mais vitoriosos da história do Sport, conquistando o tricampeonato pernambucano entre 1997 e 1999. Naquele ano, o volante teve passagem de cinco meses pelo Botafogo, mas ficou afastado durante boa parte do tempo por lesão e recebeu pouquíssimas oportunidades.

De volta ao Sport em 2000, Leomar trabalharia novamente com Leão, que já havia sido seu técnico no Atlético. Sob o comando do treinador, os rubro-negros levaram mais um Campeonato Pernambucano e a Copa do Nordeste. Títulos que o impulsionaram para assumir a seleção brasileira e que, pouco depois, também rendeu frutos ao seu comandado.

A passagem pela seleção

Leomar foi chamado pela primeira vez por Emerson Leão em abril de 2001, para o confronto com o Peru pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2002. “É um atleta regular. Leomar é sempre nota sete”, foi a justificativa utilizada pelo treinador, ao listar o meio-campista de 29 anos, em sua terceira convocação desde que assumira a equipe nacional.

Na época, Leomar já vislumbrava a grande oportunidade que poderia vir junto com a seleção. Negando a possibilidade de ser protegido por Leão, o veterano afirmou a vontade de ser negociado na sequência. “É uma oportunidade para incrementar a minha carreira e, quem sabe, me levar para um time ainda mais de ponta”, declarou, em entrevista ao Estadão.

Além disso, a convocação já era colocada sob suspeita, por conta de uma dívida que o Sport mantinha com Leão. “O jogador mais valorizado do Sport é o Leonardo. Se fosse por isso, ele teria sido chamado”, respondeu Leomar, questionado sobre o tema, em entrevista ao JC Online.

Em campanha pífia nas eliminatórias, o Brasil empataria por 1 a 1 com os peruanos no Morumbi. Apesar do resultado, Leomar voltou a figurar entre os convocados para a Copa das Confederações. Não bastasse ser titular, o volante ainda portou a braçadeira de capitão . No entanto, a equipe que também tinha Carlos Miguel, Magno Alves e Gustavo Nery fracassou, perdendo a decisão do terceiro lugar para a Austrália, o que valeu a carta de demissão a Leão.

A venda e o ostracismo

A volta de Leomar ao Sport também não foi das mais felizes. Os rubro-negros foram rebaixados no Campeonato Brasileiro, ficando seis pontos atrás do Botafogo de Ribeirão Preto, penúltimo colocado na tabela. Em litígio com o clube, o jogador entrou na justiça exigindo passe livre, por conta de cinco meses de salários atrasados.

Avaliado pelo Sport em R$ 2,8 milhões antes da convocação, Leomar deixou o time em 2002. Foi para o Jeonbuk Motors, da Coreia do Sul, curiosamente um dos palcos da Copa das Confederações de 2002. O brasileiro foi anunciado com pompas pelo clube, que mencionava a possibilidade de ainda ser convocado à Copa.

Foram poucos jogos na K-League e seu retorno ao Brasil foi selado em 2003, levado novamente pelo Atlético Paranaense. Dispensado pelo Furacão, passou também pelo Náutico, pelo Operário de Ponta Grossa e pelo CSA, onde encerrou a carreira profissional em 2006. Depois, continuou disputando a Copa Suburbana de Curitiba. Sempre com a possibilidade de poder jogar na cara dos adversários amadores que foi capitão da seleção.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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