Brasil

Kenedy e Andreas oferecem novas possibilidades ao Flamengo, além de tornarem o elenco mais robusto à maratona de jogos

Os dois reforços não chegam a posições tão prioritárias, mas trazem características diferentes e podem cobrir lacunas

Durante os últimos dias, a torcida do Flamengo permaneceu na expectativa por aquilo que parecia certo. E as confirmações logo vieram, com dois bons reforços para o meio-campo rubro-negro. Na quarta-feira passada, o Fla tinha anunciado o empréstimo de Kenedy, do Chelsea. Já nesta sexta-feira, seria a vez de Andreas Pereira botar a camisa do clube pela primeira vez, em empréstimo junto ao Manchester United. Não era o setor mais necessitado da equipe, mas não se nega que Renato Gaúcho ganha bem mais recursos para as diferentes ambições do time neste segundo semestre.

Se fosse para o flamenguista escolher um reforço imediato, possivelmente priorizaria um zagueiro. Outras posições não desfrutam também de tanta confiança no momento, como o gol, onde Diego Alves não atravessa sua melhor fase. Gérson também deixou muitos órfãos, apesar de outras peças na cabeça de área. Ainda assim, é importante ganhar opções como Andreas Pereira e Kenedy, dois atletas que podem atuar em diferentes funções e oferecer características distintas. Pensando no desgaste da maratona de jogos ou mesmo no excesso de compromissos das seleções, será importante ter essa cobertura em posições-chave.

Andreas Pereira é quem mais carrega expectativas. O meio-campista nascido na Bélgica terá sua primeira passagem pelo futebol brasileiro, depois de experiências na Inglaterra, na Espanha, na Itália e nos Países Baixos. Andreas nunca desabrochou realmente no futebol europeu, apesar de um bom empréstimo ao Granada. Todavia, não dá para menosprezar o talento de um jogador que permanece vinculado ao Manchester United e teve seus lampejos em Old Trafford, embora nunca com regularidade.

Tecnicamente, Andreas Pereira é um jogador muito bom. Sabe bater na bola e tem visão de jogo. O problema está mesmo na intensidade. Até por isso, nunca se deu tão bem na Premier League, embora tenha sido bastante usado no United em 2019/20. Já durante a temporada passada, não correspondeu tão bem durante sua passagem por empréstimo pela Lazio. Pelo estilo de jogo vertical aplicado pelos biancocelesti, é de se questionar como ele funcionará num Flamengo também direto. Porém, o ritmo mais brando do futebol brasileiro e seu talento inegável também podem ajudá-lo nesta nova etapa da carreira, para vingar com a camisa rubro-negra.

E certamente Andreas Pereira terá uma motivação especial no Brasil, não apenas pela oportunidade inédita em sua trajetória, como também pela possibilidade de apresentar o seu melhor. Aos 25 anos, este é um momento importante na carreira do meio-campista, em que ele precisa deixar a imagem de eterna promessa. Considerando a maneira como outros jogadores se recuperaram no Flamengo durante os últimos dois anos, ele pode ser a bola da vez. É a deixa para ele realmente mostrar como é acima da média.

Andreas Pereira parece ser um bom substituto a Everton Ribeiro e Arrascaeta durante as Datas Fifa, em especial por sua aptidão na armação. Entretanto, não surpreenderá se ele puder fazer as vezes de Diego mais recuado no meio de campo. Será uma posição que cobrará empenho do novo contratado, mas ele já fez tal papel em repetidos momentos de sua carreira e o setor oferece mais espaço para ele distribuir seus passes. Como a exigência física no Brasileirão é menor, ele pode se encaixar por ali. Tende até a oferecer uma variação com três homens no meio, ao lado do próprio Diego e de um volante de proteção. Por vias tortas e com um estilo bastante diferente, pode ser um “substituto” para Gérson.

Por sua vez, Kenedy já conhece o Brasileirão, com seu surgimento no Fluminense valendo a transferência para o Chelsea. Na máquina de empréstimos dos Blues, o mineiro teve espaço apenas em sua primeira temporada no clube, quando atuava nas mais diferentes posições. Depois, começou a rodar por várias equipes. Mal entrou em campo com o Watford, antes de passar duas temporadas com o Newcastle e ser um reserva útil. Ainda assim, não apresentou um nível suficiente para retornar a Stamford Bridge.

As duas temporadas mais recentes de Kenedy se concentraram na Espanha. Ele também seria uma peça na rotação do Getafe, embora uma lesão no joelho tenha atrapalhado sua progressão. Já no Granada, Kenedy atravessou o melhor momento na Europa. Não era titular absoluto, mas foi um jogador bem importante no plantel de Diego Martínez. Anotou gols e deu assistências por La Liga, enquanto foi um dos protagonistas na campanha até as quartas de final da Liga Europa. Chegaria, inclusive, a ser o responsável por eliminar o Napoli nos 16-avos de final.

Com o Granada reduzindo seus investimentos, Kenedy não ficou. Acabaria retornando ao Brasil. O mineiro apresenta um nível maior de intensidade que o de Andreas, sobretudo num time bastante direto como era o Granada. Isso deve auxiliar neste começo dentro do Flamengo. Não é tão técnico quanto o outro reforço, mas conseguiu se tornar um jogador mais agressivo e completo na Europa. Não à toa, acostumou-se a atuar em diferentes posições em seus clubes, embora majoritariamente fosse utilizado em posições mais abertas no meio-campo. Além de ser uma alternativa aos titulares, sobretudo a Bruno Henrique na esquerda, pode até oferecer variações táticas, por ter um estilo diferente das demais peças.

Andreas e Kenedy poderão atuar na Libertadores, embora essa não deva ser a prioridade com ambos. Diante do entrosamento do quarteto de frente do Flamengo, o mais provável é que eles sejam mais utilizados no Brasileirão. E, diante da necessidade de contar com um elenco mais recheado numa competição longa, os dois podem preencher lacunas. É ver como os dois se sairão durante esses empréstimos e poderão até mesmo oferecer uma continuidade a longo prazo, caso os rubro-negros decidam fazer contratações definitivas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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