Brasil

Jornalista não pode ser quinto árbitro

Nos tempos de Pasquim, o genial Millor Fernandes soltou uma de suas frases históricas: “ou se instaura a moralidade ou nos locupletamos todos”. É lógico que nenhuma das duas opções se concretizou. A lembrança de Millor vale para a discussão, reavivada com a anulação do gol “manual” de Barcos contra o Inter.

Ou se instaura a arbitragem eletrônica ou continuamos apostando na qualidade e visão de raios-x de nossos árbitros. Não se pode viver em meio termo. Barcos fez o gol com a mão. Se o juiz não viu, que procure o bandeirinha (detesto o nome auxiliar, sou do tempo de bandeirinha). Se o bandeirinha não viu, procure o quarto árbitro. Se ele também não viu, que se pare por aí. Seria uma injustiça a mais, seria um erro a mais, uma suspensão a mais…

O que não pode é procurar ajuda eletrônica se a ajuda eletrônica não é autorizada pela Fifa. A Fifa está errada? Antes, eu achava que não, agora começo a achar que sim, mas o que eu acho não interessa. O que interessa é que o futebol tem de seguir regras. O gol de Barcos foi anulado pela televisão. E o gol do Joaquinzinho, da série D, onde não tem televisão?

Outro lado dessa questão é a presença dos jornalistas. Correm duas versões sobre o que aconteceu ontem no Sul.

a) O quarto árbitro teria perguntado aos repórteres de campo e eles disseram que houve a mão.

b) Uma repórter da TV Bandeirantes teria mostrado ao árbitro, em um tablet, que houve erro. E teria dito isso no ar, em conversa com Neto.

Para mim, as duas opções são erradas. O repórter está ali para reportar. Reportar aos seus ouvintes e não ao árbitro. Ele não pode ser o quinto árbitro. E também não pode substituir a arbitragem eletrônica. Mesmo porque ela é proibida.

Imaginemos que o responsável pela arbitragem está em casa e viu que houve um erro. Deve avisar o árbitro, por um telefone? Nem assim eu acho correto.

A realidade é única.

1) a Fifa não permite a atuação da televisão para definir dúvidas

2) Há quatro pessoas cuidando da arbitragem. São bem pagas e não estão ali por obrigação. Que cumpram seu papel e paguem por seus erros.

3) Jornalista faz jornalismo. Não faz bico para a CBF ou para seu time de coração.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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