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Ir bem no estadual é bom, mas o nacional é mais importante

Ganhar é sempre bom. Quando vale título, mais ainda. Muitas torcidas tiveram a alegria de gritar “é campeão” no último fim de semana. Os estaduais vão chegando ao fim, depois de quase cinco meses de disputa. Entre as comemorações, um desejo: o de brilhar no resto do ano também. Para alguns, o título estadual é só o começo: é preciso pensar no que vem mais à frente, nas competições nacionais.  E um fracasso no cenário nacional pode colocar a perder o sucesso regional.

Um caso emblemático é o Santa Cruz. O Santinha conquistou o tricampeonato pernambucano com uma categórica vitória sobre o Sport em plena Ilha do Retiro, 2 a 0, depois de vencer o primeiro jogo no Arruda por 1 a 0. Um título que merece ser comemorado com afinco. O time acabou com a hegemonia que o próprio Sport tinha no estadual entre 2006 e 2010, quando foi pentacampeão. E o feito é ainda maior se pensarmos que os rivais estão entre a Série A e a Série B nos últimos anos, com mais recursos financeiros, enquanto o Santa ainda está preso na Série C – e estava na Série D quando ganhou o primeiro título desse tri. E é por isso mesmo que o time precisa mirar no nacional como a prioridade do ano.

A Série C é um campeonato muito traiçoeiro. Menos do que já foi, quando havia diversas fases de grupo, mas ainda perigoso. A primeira fase divide os times em dois grupos de 10. São jogos de ida e volta dentro do grupo e os quatro primeiros colocados se classificam para as quartas de final. Os times então se enfrentam em jogos de ida e volta para definir o acesso. Isso significa que um jogo ruim nas quartas de final coloca toda a campanha a perder. Parte do jogo – e do regulamento. Por isso, a Série C é perigosa.

Esse tem que ser o principal objetivo do Santa Cruz no ano. O acesso à Série B é fundamental para que o time seja ainda mais competitivo e possa ter um calendário maior – o que significa ter mais jogos, mais exposição na mídia, mais renda com jogos, mais dinheiro de TV, que paga melhor pela segunda divisão nacional. O título estadual é muito bacana e muito importante na história do clube. Ganhar dos rivais é sempre importante e um título estadual é um título. Mas o torcedor sabe, os jogadores sabem, o técnico sabe, a diretoria sabe: não adianta muito se o time não conseguir subir para a Série B. É um degrau importante e difícil que precisa ser superado para que o clube possa aproveitar melhor o enorme potencial em sua torcida.

De olho na Série D

O Londrina, campeão do interior no Paraná, vai para a Série D, o que é uma grande conquista para o clube. O objetivo de um clube em uma cidade grande como Londrina tem que ser subir de divisão nacional. Tem força para isso e uma torcida que tem comparecido ao estádio. Está no Grupo A8, com J. Malucelli, Lajeadense-RS, Matropolitano-SC e Penapolense-SP. Esse tem que ser o principal objetivo do time, que tem potencial para isso – embora o desmanche no elenco possa atrapalhar.

O foco na Série D vale também para o Juventude. Finalista do segundo turno do Campeonato Gaúcho, o time precisa subir para a Série C. Fazer boa campanha no Gaúcho não irá valer nada em outubro se o time estiver eliminado sem conseguir o acesso. Se a Série C já é deficitária, a Série D é ainda mais. Para o clube voltar a ter bons momentos, precisa subir. Só assim será possível voltar a competir com os times do estado e voltar a atrair grandes jogadores.

Subir na escala nacional é o ponto alto do ano. Pode não ser o mais visto, talvez os jogos não tenham seus gols mostrados no Fantástico. Mas serão mais importantes para o clube. É fundamental estar em cenário nacional para ter um calendário anual.

Infelizmente, no Brasil, o único jeito de jogar o ano inteiro, de verdade, é estar ao menos na Série B. Mesmo a Série C é mais curta. Enquanto o cenário for esse, os clubes precisam almejar estar na Série B. E precisam se unir por melhor condições nas Séries C e D. A ajuda de custo da CBF já é uma grande ajuda e foi um grande avanço. Mas é preciso fazer mais. Enquanto os clubes acharem que estar só com o estadual e seus cinco meses deficitários no calendário está bom, só mesmo estar na Série B salva.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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