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Invicto e incessante, o Santos amassa mais um e pede passagem na Libertadores

Ganhar em casa e segurar o resultado fora. Uma estratégia antiga de sucesso, que vem dando certo com o Santos nesta Copa Libertadores da América. Não dá para dizer que os alvinegros jogam longe de seus domínios apenas para empatar, tanto que poderiam ter muito bem arrancado mais pontos. Entretanto, a intensidade do Peixe como mandante realmente impressiona. Nesta terça, o time de Dorival Júnior conquistou a terceira vitória no torneio ao pulverizar o Sporting Cristal na Vila Belmiro. Contra um adversário já entregue, os santistas não saciaram sua fome e anotaram 4 a 0 no placar. Avançam às oitavas de final como líderes da chave e como um dos únicos invictos até o momento – ao lado do River Plate, que ainda entra em campo pela sexta rodada.

Lucas Lima e Bruno Henrique, dois dos protagonistas do Santos na competição, não fizeram tanta falta assim. Obviamente, o Peixe perdeu em talento sem a dupla, mas ganhou em energia com as entradas de Hernández e Copete. Adiantando a marcação, o time de Dorival Júnior não demorou a resolver a partida. E, para tanto, contou com a inspiração de Ricardo Oliveira. O veterano comandava as principais ações de ataque. Chegou a acertar uma bola na trave e ter um tento anulado num mesmo lance, até permitir que David Braz abrisse o placar aos 19 minutos. A excelente cobrança de falta forçou grande defesa do goleiro Mauricio Viana, para que o zagueiro completasse no rebote.

Já aos 22, o segundo gol resumiu bem o trabalho do Santos na noite. Não dá para negar a bobeira do Sporting Cristal na saída de bola. De qualquer maneira, o tento dependeu também do empenho de Vitor Bueno na marcação, até que a bola sobrasse para Ricardo Oliveira acertar um belíssimo chute de fora da área, aproveitando o posicionamento ruim de Mauricio Viana. Nem mesmo a vantagem estabelecida tirou o controle do jogo, com o Peixe se posicionando no campo de ataque e criando novas chances. A noite seria de goleada.

Para a segunda etapa, o Sporting Cristal tentou mudar a sua postura em campo, mas pouco adiantou. O Santos voltaria a abrir vantagem aos 21 minutos, premiando a ótima atuação de Vitor Bueno. O camisa 7 fez uma jogadaça individual, abrindo um rombo na defesa peruana, e ainda deu sorte que a tentativa de passe, cortado pela zaga, voltou ao seu pé para fuzilar. A torcida pedia mais na Vila e, aos 26, David Braz destacou sua fase artilheira. Aproveitou bola desviada com classe por Renato após cobrança de escanteio para arrematar. Depois, sobrou tempo para tirar o pé, mas sem relaxar defensivamente, e desfrutar o excelente resultado.

O Santos pode não exibir com constância o futebol exuberante de outros tempos mais recentes – embora tenha, sim, enchido os olhos em vários momentos desta quarta. Entretanto, isso não diminui em nada a campanha na Libertadores, impulsionada pela intensidade do time. O Peixe até cometeu os seus pecados ao longo dos 540 minutos da fase de grupos, especialmente no setor ofensivo. Nada que desqualifique o desempenho, que merecia muito mais créditos do que vem recebendo. Os alvinegros sabem como lidar com as intempéries do torneio, e superaram um grupo de nível considerável, especialmente pelos desafios impostos por Strongest e Independiente Santa Fe. Tomaram apenas quatro gols, possuindo a segunda defesa menos vazada da competição. Com ajustes finos, os santistas podem fazer mais nos mata-matas, e já vêm em crescimento.

A primeira colocação do Grupo 2, em teoria, garante um chaveamento mais tranquilo nas ao Santos oitavas de final. Passam ao lado do Strongest, que segurou o empate fora de casa contra o Independiente Santa Fe e promete ser um adversário chato na próxima fase. Assim como os alvinegros, que passam sem dever a ninguém. Contando com o calor de sua torcida, especialmente como aconteceu na partida realizada no Pacaembu, dá para acreditar em uma boa campanha. Mas, antes de tudo, passo a passo, como já aconteceu nesta primeira etapa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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