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Início difícil dos técnicos novatos em São Paulo contrasta com bom começo da dupla Fla Flu

Campeonatos Estaduais são, na prática, um período de preparação para outras competições importantes, como a Libertadores e o Brasileiro. Não deve ser feita uma avaliação a ferro e fogo. É uma ressalva importante a se fazer quando vamos falar sobre o desempenho dos times neste início de temporada. O trio de ferro, em São Paulo, sofre com um início ainda instável. Com técnicos jovens, os três ainda tentam achar um caminho em meio a desempenhos pouco convincentes. Enquanto isso, no Rio, Flamengo e Fluminense vão mostrando força e parecem já estar em um estágio mais avançado e dando esperanças aos torcedores de poderem voar mais alto – cada um dentro da sua possibilidade.

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O São Paulo do novato Rogério Ceni foi quem teve um fim de semana feliz com uma vitória convincente por 5 a 2, mas já tinha perdido na estreia por 4 a 2 para o Audax. No meio da semana, venceu o Moto Club no Maranhão por um magro 1 a 0, sem jogar muita coisa.

A reação veio no jogo contra a Ponte Preta no Morumbi, em um domingo especial para os são-paulinos. Foi a estreia de Rogério Ceni como técnico e ainda a apresentação de Jucilei e Lucas Pratto à torcida. Dois reforços caros – Pratto pelo quanto custou e ainda pode custar e salários, Jucilei apenas pelos altos salários. Veremos se o time consegue ser consistente nos próximos jogos. A vitória foi um banho de alegria aos torcedores e a quarta-feira reserva um jogo duríssimo: Santos, na Vila Belmiro. Será preciso mostrar que o time pode mais contra um dos mais consistentes times do Brasil.

O Corinthians começou vencendo o São Bento de forma bastante econômica, mas segura. Assim como a vitória sobre a Caldense, na Copa do Brasil, no meio da semana. Só que no sábado, veio o primeiro revés. Um placar de 2 a 0 contra o Santo André que teve erro de pênalti, finalizações erradas e uma dificuldade grande para marcar gols.

Fabio Carille ainda terá que acertar um time que não tem lá grandes nomes no seu elenco, mas que tem um início. A segurança defensiva falhou no jogo contra o Ramalhão. Mas as falhas na finalização continuam. O Corinthians tem muitos novos jogadores e deve levar um tempo para se ajustar. Jadson ainda irá estrear.

Ainda há esperança. Mas Carille não é Tite e, por isso, os resultados serão mais cobrados dele do que do seu mestre. Só que é preciso paciência. O Paulista pode servir para o técnico ver as possibilidades do elenco, inclusive com os contratados. O elenco do Corinthians não é maravilhoso e está abaixo dos principais times do país, mas ainda pode ser competitivo. O próprio treinador disse que começa pela defesa.

Eduardo Baptista, do Palmeiras (Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)
Eduardo Baptista, do Palmeiras (Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)

O terceiro time do trio de ferro carrega também a maior expectativa. O Palmeiras do técnico Eduardo Baptista fez um jogo só razoável na sua estreia no Campeonato Paulista, em uma vitória magra por 1 a 0 sobre o Botafogo de Ribeirão Preto. Neste domingo, uma derrota, também por 1 a 0, para o Ituano no interior paulista. A atuação tinha sido só razoável na primeira partida, mas foi abaixo disso no segundo jogo. Uma partida ruim de um elenco espetacular. O técnico já começou a ser cobrado para que haja um desempenho melhor.

Ninguém espera que o desempenho do Palmeiras já seja espetacular, como o seu elenco, já no início de trabalho. Cuca e Eduardo Baptista são técnicos diferentes entre si e houve mais contratações no Palmeiras, o que leva a uma mudança de características em alguns pontos.

A derrota do Palmeiras foi na estreia de Alejandro Guerra, uma das grandes contratações do time. Felipe Melo também esteve em campo, embora não tenha tido uma grande atuação. Willian, ex-Cruzeiro, foi outro a entrar em campo. Dudu, talvez o grande craque do Palmeiras campeão em 2016, foi outro a ter uma atuação bastante discreta, para dizer o mínimo.

Tudo isso, até certo ponto, faz parte do esperado. O problema é que o que foi visto em campo até aqui é pouco diante da expectativa de um time campeão brasileiro. O Palmeiras também sofre com a adaptação de novos jogadores, como o rival Corinthians. Há ainda a mudança de técnico, mesmo que não tenha sido por escolha do Verdão.

O que diferencia o Palmeiras de São Paulo e Corinthians é que apesar de todos terem técnicos novos e precisarem de adaptação, o alviverde é certamente quem tem mais qualidade no elenco. Por isso, se espera que ao menos haja um pouco mais de desempenho, mesmo que ainda precisando de ajustes. A temperatura do caldo começa a esquentar. Quanto melhor o time, maior a pressão para fazê-lo render.

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No Rio, Fla e Flu saem na frente dos rivais
Abel Braga, técnico do Fluminense (FOTO NELSON PEREZ/FLUMINENSE F.C.)
Abel Braga, técnico do Fluminense (FOTO NELSON PEREZ/FLUMINENSE F.C.)

O Flamengo já era um dos melhores times do país em 2016, quando rivalizou com o Palmeiras em parte do Campeonato Brasileiro. A falta de consistência, especialmente na primeira metade do campeonato, comprometeu os rubro-negros em uma briga efetiva com o alviverde paulistano. Em 2017, porém, o Flamengo parece estar se aprimorando. Ao menos é o que os primeiros jogos do estadual indicam.

Entre os times do bloco de cima da tabela do Campeonato Brasileiro, só dois mantiveram seus técnicos: o Santos, vice-campeão, que manteve o ótimo Dorival Júnior, e o Flamengo, que continua apostando em Zé Ricardo. Essa é uma vantagem competitiva diante de tantos rivais se remontando. Só que além disso, o Flamengo se reforçou muito bem.

A saída de Jorge seria um problema, porque o jogador foi um dos melhores da sua posição no último ano. A contratação do peruano Miguel Trauco supriu a necessidade de um lateral para a posição. Renê veio como uma aposta do Sport, depois de um 2016 ruim. O time ainda trouxe Orlando Berrío, ótimo atacante do Atlético Nacional e o volante Rômulo, em uma posição que a equipe precisava.Darío Conca é mais um bônus, que deve fazer parte do time só a partir de maio, quando começa o Campeonato Brasileiro.

O time venceu os quatro jogos que fez no Campeonato Carioca até aqui. Mais que os resultados, que acabam não sendo tão importantes neste momento, o desempenho do time tem sido satisfatório. Ainda não está no nível que se espera que o Flamengo possa render, mas isso é o esperado. Aos poucos, o time vai se formando e tem potencial para ir além. E já começou a mostrar um pouco disso, o que ajuda a torcida a ter mais paciência. O teste de verdade começa na Libertadores, no dia 8 de março, contra o San Lorenzo.

O Fluminense também tem chamado a atenção neste início de temporada. O tricolor não fez como os rivais Flamengo e Botafogo, que apostaram em técnicos jovens. Abel Braga é o nome para comandar o Flu e tem ido muito bem no seu início. Assim como o Flamengo, venceu seus quatro primeiros jogos.

O elenco do tricolor das Laranjeiras não tem tantas opções de peso como o Flamengo, mas tem bons nomes que começaram a funcionar melhor juntos. Henrique, o centroavante, não é um Fred, mas em um time bem montado, pode marcar seus gols. Tem conseguido fazer isso. Gustavo Scarpa é o grande craque do time e parece que continuará assim por mais algum tempo.

O meia Sornoza já mostrou serviço neste começo de temporada, assim como o volante Orejuela. Dois reforços que estão se mostrando ótimas opções para Abel. O rendimento do time o coloca como um dos favoritos ao Carioca neste momento e dá esperança ao torcedor. Mesmo sem os astros de Atlético Mineiro, Flamengo e Palmeiras, o time vai mostrando organização em campo, um bom primeiro passo para conseguir ir bem.

O Botafogo vive uma situação diferente. Jair Ventura é um novato, mas traz o respaldo de um bom desempenho com um time que brigava para não cair. Mais do que isso, já começou o ano vivendo uma batalha dura, na fase preliminar da Libertadores. Sobreviveu à disputa com o Colo Colo e agora tenta, contra o Olimpia,  uma fase na fase de grupos.

Por isso, o desempenho do Botafogo é mais difícil de medir, exceto pelas partidas da Libertadores. E o time, dentro das suas possibilidades, fez bons jogos. Mas é muito diferente de ajeitar o time no estadual – que, inclusive, foi colocado de lado em três dos quatro jogos até aqui pensando na disputa continental.

A dificuldade no início do ano é esperada em times que mudam seu elenco e que têm técnicos que começam o trabalho. É só o começo. Mas a pressão, em clubes grandes como todos estes que citamos, é grande. E os técnicos terão muito trabalho para manterem o desempenho em um nível satisfatório até que comece a Libertadores ou o Brasileiro, as duas metas mais importantes do ano.

O contraste de Vasco e Santos

Vasco e Santos possuem situações bem diferentes dos rivais e de forma oposta. O Santos, em termos de preparação, parece à frente dos adversários paulistas. Manteve o técnico, o elenco mudou pouco e é um dos que consegue ter o melhor rendimento. O elenco não é tão recheado quanto o Palmeiras, mas os dois últimos anos mostraram que o Santos pode competir em alto nível. E por ter o trabalho mais longo entre os times da Série A do Brasileirão, deve conseguir arrumar o time mais rápido.

O Vasco, por sua vez, parece um nível de preparação abaixo dos rivais locais. Primeiro porque o time é mais fraco que os demais. Segundo, porque o técnico Cristóvão Borges, que assumiu este ano e vem de trabalhos bastante questionáveis.

O time ainda parece está abaixo dos principais rivais. Com os reforços, o time pode melhorar, mas a chegada deles ainda está sendo mais lenta e, por isso, é possível que não vejamos a melhora do Vasco no Carioca. Será preciso mais tempo. A questão é se Cristóvão Borges é o nome para isso. Seja como for, a escolha foi feita e é preciso que ele tenha esse tempo do estadual para começar a arrumar a casa para que o time esteja pronto no Brasileiro.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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