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Sim, pode até ter sido um jogo pobre em emoções. Mas, ora bolas, a final da Taça Guanabara valia uma taça, ainda que pouco significativa. E coroou a ressurreição de uma equipe que pareceu errar, na demissão de Estevam Soares. Mas que conseguiu dar a Joel Natalino Santana a oportunidade de provar que ele não estava acabado. E ele conseguiu provar.
Não se pode dizer que o técnico de 61 anos sempre teve trabalhos razoáveis – houve ocasiões decepcionantes, como o trabalho no Corinthians, em 1997, ou no Fluminense, em 2003. E mesmo o trabalho recente na África do Sul, patriotadas à parte, teve seus defeitos. Afinal de contas, mesmo com a atuação satisfatória na Copa das Confederações, Joel não conseguiu fazer dos Bafana Bafana uma equipe mais difícil de ser superada – tanto é que houve sequência de oito derrotas.
Entretanto, já há algum tempo, o técnico passa por uma espécie de revalorização do seu trabalho. Que não data de 2007, quando ele conseguiu fazer o Flamengo reagir no Campeonato Brasileiro e ir à Libertadores. Mas data, talvez, de 2005, quando ele conseguiu salvar a equipe da Gávea do rebaixamento.
Claro, há extremos nessa revalorização. Tanto do lado dos que acham que Joel é muito menos valorizado do que deveria, como do lado dos que insistem em achar que o técnico ainda é muito afeito a práticas antigas, além de ser um tanto quanto “carioca” demais.
O mais correto, talvez, seja ficar no meio-termo: o técnico do Botafogo é um técnico que pode até ter defeitos, como o de ainda apostar demais num estilo tático antiquado, mas tem mostrado qualidades, como a de ser alguém que ainda aposta em conversas francas com os atletas, e um esforço para, rapidamente, se adequar à realidade do lugar onde está. Seja falando um inglês macarrônico na África do Sul, seja tornando um time em crise, como o Botafogo, campeão da Taça Guanabara.



