Brasil

Homenagem a Pedro Rocha (ninguém viu) e o choro de Casemiro (alguém vai ver?)

Trabalhei na Gazeta Esportiva de 1992 a 1997. Em um dos inúmeros jogos que cobri, aboletado na cabine de imprensa, vi algo de diferente na pista de atletismo. Leonidas da Silva dava uma volta olímpica, não me recordo o motivo. Vi, captei e nem comuniquei à redadação. Não me passou pela cabeça que o último ato um dos maiores jogadores da história do Brasil teria força para quebrar a pauta pré-estabelecida.

Na redação – sim, amigos, juro que é verdade que o repórter ia até a redação escrever sobre o jogo – estava fazendo meu texto, quando a televisão mostrou a volta olímpica de Leônidas. Levei uma bronca enorme de Vital Battaglia, chefe da redação. Ele perguntou, com seu estilo irônico e sua voz anasalada,  seu eu tinha visto Leônidas no Morumbi. Eu disse que sim. E ele perguntou se eu achava que Leônidas merecia uma linha que fosse no jornal.

Eu era bocudo na época e botei a culpa no jornal, no estilo ultrapassado de se sair da redação com a página já desenhada. Que tudo deveria ser feito depois….

Se algum chefe de redação de hoje quiser dar bronca no seu repórter porque não noticiou – pelo menos nos jornalis que li – a singela homenagem do São Paulo aos 70 anos de Pedro Rocha, completados hoje, não terá onde se basear. A televisão, pelo menos aquela em que vi o jogo, nem registrou que os jogadores entraram todos com camisas com o numero 70 e o nome do Verdugo nas costas. Nem um registro.

Hoje, nada nos jornais que li. O velho craque, lutando a última batalha, não terá a alegria de ver uma nota, uma lembrança nos jornais. 

O tempo é fugaz. A vida passa e uma carreira de jogador dura pouco, no máximo 20 anos, e acaba mais cedo ainda. Vive apenas na memória de quem conviveu com ele. Os mais jovens tem outros ídolos.

A carreira de Casemiro talvez não merecesse um segundo de pensamento. Se ele acontecesse, seria para dizer que o rapaz tinha futebol, mas não tinha juízo, não se firmou…. No clássico de ontem, ele começou a mudar isso. Parece que acordou. Não apenas pelos 13 desarmes durante a partida, mas pelo choro copioso ao final dela.

Casemiro repetiu várias vezes que só quer ser feliz. Na verdade, ele estava pedindo carinho. Atenção, coisa que só recebe, segundo ele, de Juvenal. Ele merece. Todo jogador merece. Nunca entendi esse negócio de treinador se comunicar através de listas. Não diz quem entra, não diz quem sai, não explica, não conversa como o cara está, apenas dá a lista para o assessor de imprensa comunicar. Prezam maia a hierarquia do que o convívio. Gostam de ser chamados de professor, mas se comportam como sargentos.

Casemiro mostrou capcidade de indignação. Mostrou fibra e coragem. Tudo o que duvidavam dele. Depois de ontem, fica muito mais difícil ele ser considerado moeda de troca. Mesmo porque, apesar dos dois gols de Maicon, não há comparação entre os dois.

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