Futebol brasileiro

Hoje nós sairemos mais cedo

Hoje uma boa parte dos jornalistas da F451 (que publica Gizmodo, Trivela, Jalopnik, Tazio, Kotaku e ExtraTime) sairá mais cedo. O leitor provavelmente não perceberia se a gente não contasse, mas… a gente quer contar.

Sairemos mais cedo para nos juntar às pessoas que vão se encontrar no Largo da Batata, aqui em São Paulo, para mais um dia de protestos. “Mas contra o que vocês vão protestar, e o que nós temos com isso?” Primeiro de tudo, vamos protestar pelo direito de protestar. Pelo direito de achar que as coisas não vão bem e de expôr isso publicamente sem levar borrachada, tiro de borracha, gás de pimenta e nem ser tachado de vândalo. Mas vamos também protestar contra algo que tem tudo a ver com o nosso leitor, seja ele um fanático por games leitor do Kotaku, um entusiasmado torcedor do Chelsea leitor da Trivela ou um jovem amante dos esportes americanos que adora a NBA: não gostamos da maneira como nossos administradores públicos estão lidando com os problemas, e estamos dispostos a fazer alguma coisa para mudar isso.

O que nossos administradores fazem afeta a vida de todos, claro, mas afeta também a vida de cada um onde nós nos relacionamos. Afeta os leitores de Tazio e Jalopnik, que adoram carros mas compram o pior e mais caro carro do mundo no Brasil. Da mesma forma, afeta os consumidores de videogames e gadgets que lêem Kotaku e Gizmodo. Tem ligação direta com a Trivela, na medida em que é a Copa do Mundo de 2014 a desculpa favorita dos governos para uma boa parte de tudo o que vem acontecendo de errado no país.

Protestamos contra governo de menos onde ele deveria estar, e governo demais onde ele não deveria. Contra o total descolamento entre o que dizem e fazem nossos administradores públicos e o que acontece na realidade. Contra o modelo de sociedade que pretendem impôr às atuais, mas principalmente, às próximas gerações.

Pedimos saúde pública decente, educação pública decente. Transporte público decente. Ambiente de negócios que permita que as empresas façam sua parte – e possam ser cobradas por suas responsabilidades. Mas pedimos, principalmente, coragem e responsabilidade de quem diz nos representar.

Não é um protesto anti-político, não existe solução para qualquer problema da sociedade que não passe pela política. Não é partidário nem apartidário. Não é de um grupo social ou de uma faixa etária.

Protestamos porque não estamos felizes, e como cidadãos nos sentimos na obrigação de deixar isso claro para quem precisa nos representar melhor.

F451 Mídia

Jornalistas da F451

 

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