Guardiola pagou pedágio para Messi
Para agradecer ao gênio argentino, o gênio catalão exagerou - ainda não surgiu nada que se aproxime de Pelé
Foram quatro anos mágicos e 14 títulos conquistados no Barcelona. O suficiente para que Guardiola, um dos maiores treinadores da história do futebol, cultivasse enorme gratidão por Lionel Messi, o gênio argentino que é um dos maiores craques de todos os tempos. O catalão deve muito do que se convencionou chamar de ‘guardiolismo’ a Messi. Também a Xavi, Iniesta. Nada que tire seu mérito.
Embora tenha todo direito de se expressar e um cabedal de conhecimento futebolístico infinitamente superior ao meu, Guardiola trafega pelo açodamento ao dizer que Messi é melhor que Pelé e que Maradona.
Não se trata de ufanismo. Messi até pode ser melhor que Maradona, mas Pelé é de outra liga. Comparado a Messi, Maradona e a qualquer outro. Qualquer campo de futebol do planeta sabe disso.
Nem passo pela polêmica de Cristiano Ronaldo, para quem o futebol começou depois do videoteipe. Tampouco entro na ciranda dos números e estatísticas.
Ainda que nem todas as obras de arte produzidas por Pelé estejam preservadas em vídeo, as que estão são mais do que suficientes.
Tudo que Maradona fez, e Cristiano Ronaldo e Messi fazem, Pelé fez mais e melhor. Basta nos atermos aos fundamentos técnicos do futebol. Pelé chutava melhor que todos e usava os dois pés – um de cada vez, é claro. Cabeceava com gesto técnico perfeito. Dava as mesmas arrancadas imparáveis de Messi e CR7 nos auges. Mudava de ritmo e direção e conduzia a bola rente aos pés melhor do que Maradona.
Talvez o único aspecto em que Maradona tenha sido superior a Pelé foi o da habilidade, os malabarismos com a bola. Nos demais quesitos, ninguém se aproximou da nota de corte do Rei.
Além da gratidão, é preciso entender o que leva alguém com o conhecimento de Guardiola a citar Messi. La Pulga é o mais próximo de Pelé que Guardiola viu. Ainda que seja um fã declarado do futebol brasileiro, Guardiola treinou, orientou e conviveu com Messi.
Testemunhou obras de arte em jogos e treinamentos. Para o futebol que ele jogou e depois orientou, Messi é realmente a expressão máxima. Quando todos os gênios se juntam no mesmo balaio, as comparações com Pelé são todas prejudiciais aos demais.
Cada época tem seu gênio, argumentarão os que concordam com Guardiola.
Mas há gênios que transcendem suas épocas. Mozart, Picasso, Elvis, Shakespeare, os Beatles. Pelé é dessa turma.



