Brasil

Guarani começa mal a Série B, e ciclo vicioso pode rebaixar equipe em 2024

Falta de planejamento da diretoria culmina em troca de técnico e pouca evolução em campo

Com cinco derrotas e apenas uma vitória em seis jogos no Campeonato Brasileiro da Série B, o Guarani amarga a vice-lanterna da competição com apenas três pontos somados em 18 disputados. Na última segunda-feira, o time campineiro perdeu de virada para o América-MG, por 2 a 1, e só não é o lanterna por ter um saldo de gols melhor que o último colocado: o Ituano.

Na temporada passada, a equipe chegou perto do acesso, chegando a ficar na segunda colocação da tabela, mas perdeu forças nas dez últimas rodadas, não vencendo um jogo sequer, e fechando a Série B na modesta décima posição. Entra ano, sai ano, os problemas do Guarani são os mesmos. Troca-se a administração, o clube se mantém bem na parte financeira, mas em campo, nada dá certo. Umberto Louzer saiu ainda no Paulistão deste ano, e deu lugar a Claudinei Oliveira, que durou apenas duas rodadas no Campeonato Brasileiro.

Para o seu lugar veio Júnior Rocha, que levou a Inter de Limeira até as quartas de final do Campeonato Paulista. O começo de trabalho do novo treinador no Brinco de Ouro não é nada bom, o que mostra que os problemas do Guarani vão além do comando técnico, e passam principalmente pelas escolhas, no mínimo duvidosas, na contratação de novos jogadores.

Elenco inchado e pouca criatividade

O Guarani é o terceiro pior ataque da Série B com apenas quatro gols marcados. Parte dos problemas do time campineiro neste começo de Campeonato Brasileiro é fruto de seu inoperante sistema ofensivo. Apesar das contratações do meia Luan Dias, ex-Água Santa, e Caio Dantas, atacante que se destacou no Vila Nova na última temporada, o time de Junior Rocha cria pouco e joga lentamente. Por mais que tenha contratado dez nomes para reforçar o elenco, nenhum dos atletas tem peso suficiente para aumentar a produtividade do time.

Ainda sob o comando de Claudinei Oliveira, o Guarani chutou 16 vezes contra o Vila Nova, em derrota por 2 a 0 na estreia na Série B, e 39 contra a Chapecoense na segunda rodada. Este confronto decretou o fim do vínculo do treinador com o time campineiro. Estes foram os jogos com maior produtividade da equipe na competição.  Júnior Rocha assumiu o Bugre contra o Santos na terceira rodada. A troca de comando pouco tempo antes do confronto contra o favorito ao título, porém, cobrou seu preço.

O estilo mais ofensivo do ex-Inter de Limeira expôs a frágil defesa do Guarani, que acabou goleado por 4 a 1 na Vila Belmiro. Na rodada seguinte, a primeira vitória, contra o Botafogo-SP pelo placar de 2 a 0 poderia ser um alento após um turbulento começo, mas serviu apenas para maquiar os problemas de elenco do time campineiro.

As derrotas para Coritiba e América-MG nas duas últimas rodadas mostraram, mais uma vez, que o Guarani errou em seu planejamento para a temporada. O clube terá de ir novamente ao mercado atrás de peças para tentar permanecer na segunda divisão do futebol brasileiro.

Guarani repete ciclo vicioso, e tenta acertar na próxima janela

Em 2022, o time de Campinas acertou precisamente na janela da metade do ano, e trouxe nomes como Yuri Tanque, Jamerson e Richard Ríos, atualmente no Palmeiras, para salvar a equipe de um rebaixamento quase certo. No segundo turno daquela Série B, o time ainda comandado por Mozart Santos saiu da 19ª colocação, e encerrou a competição com 51 pontos, na primeira metade da tabela.

No ano seguinte, um novo pacotão de reforços comandados por Régis, Matheus Bueno, João Victor, Derek, entre outros, até trouxe certa esperança ao torcedor, mas novamente a falta de planejamento atrapalhou. Diferente da temporada anterior, o time começou bem a Série B, vencendo os três primeiros jogos, mas acabou se perdendo no caminho, trocando Bruno Pivetti por Umberto Louzer, que apesar de um bom início, não conseguiu levar a equipe ao tão sonhado acesso.

Este ano o ciclo se repete, e pelo jeito, o Guarani terá de ser certeiro na janela para reforçar a equipe com peças de qualidade para não sofrer o mesmo que sofreu em 2022, e ter que lutar contra o rebaixamento para terceira divisão nacional. Neste sábado (24), o Bugre enfrenta o Paysandu fora de casa, em confronto direto contra o Z4, a bola rola no Brinco de Ouro da Princesa, às 21h (horário de Brasília).

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Lucas de Souza é jornalista formado pela Universidade São Judas em São Paulo. Possui especialização em Marketing Digital pela Digital House, e passagens pelos sites Futebol na Veia e Futebol Interior.
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