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[Entrevista] Gerson: “Jogar com Neymar na Olimpíada está fazendo todos correrem mais”

A decisão foi tomada: Neymar disputará a Olimpíada do Rio de Janeiro, e não a Copa América do Centenário. Na estreia da seleção brasileira nos Estados Unidos, o atacante do Barcelona estava sentado confortavelmente nas tribunas, ao lado do cantor canadense Justin Bieber e do piloto britânico Lewis Hamilton. Descansa o corpo e a cabeça para o torneio carioca, enquanto o resto do elenco, que será convocado em definitivo no próximo dia 29, corre ainda mais para uma chance de atuar ao seu lado.

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Foi isso que Gerson contou à reportagem da Trivela e de outros veículos, em contato realizado durante um evento da Nike, no Rio de Janeiro. Segundo o jovem de 19 anos, a possibilidade de atuar ao lado do maior craque brasileiro da atualidade motiva os atletas com idade olímpica a correrem ainda mais para serem convocados para os Jogos Olímpicos. “Mas, se eu não for chamado, vou trabalhar mais forte para um dia talvez disputar a Olimpíada ou uma Copa do Mundo”, pondera.

Gerson sabe que sua situação é difícil. A concorrência na posição é muito grande. Na última convocação da seleção olímpica, em março, foi preterido por Felipe Anderson, da Lazio, Rafinha Alcântara, do Barcelona, e Andreas Pereira, do Manchester United. Já havia ficado fora do Mundial Sub-20 do ano passado, depois de problemas com o então técnico Alexandre Gallo.

Ele tenta focar no próximo objetivo. Despontou pelo Fluminense, destacou-se e arranjou uma ótima proposta da Europa. Rendeu mais de R$ 40 milhões para o clube em que foi formado. Voltou por empréstimo no começo do ano e, campeão da Primeira Liga, conseguiu realizar o sonho de levantar um troféu pelo tricolor carioca. “Sabia que mais para frente tinha que sair, mas tinha na minha cabeça que precisava sair do clube que me formou com um título”, afirma.

Estudando italiano, já “adaptado” à Roma, segundo suas próprias palavras, projeta ser utilizado pelo técnico Luciano Spalletti na próxima temporada e, por que não?, fazer umas tabelinhas com Totti. “Ele é uma pessoa sensacional. Na Roma, ele é como se fosse um Deus”, atesta.

Veja os melhores trechos do bate-papo com Gérson:

Como foi esse retorno ao Fluminense?

Eu vim desde a base do Fluminense e sai daqui sem ganhar nenhum título. Quando tive a oportunidade de voltar, fiquei muito feliz. Sabia que mais para frente tinha que sair, mas tinha na minha cabeça que precisava sair do clube que me formou com um título.

Você acha que saiu na hora certa?

Temos que tomar decisões. Eu tive a oportunidade de sair. Eu poderia muito bem ficar e não ter mais propostas mais para frente. Achei que era a hora de sair. Não apenas eu, como meus familiares também. Estou feliz porque pude ajudar o Fluminense de alguma forma.

O que mais pesou? A proposta para você, para o Fluminense, ou a chance de já jogar na Europa?

Jogar na Europa. Mas a proposta que a Roma fez foi muito boa. Para mim, para o clube, para todos que trabalham em volta de mim. Achei que era o momento de sair, começar cedo meu futebol na Europa. Acho que vai ajudar muito minha carreira.

Dá um aperto no coração sair de novo do Fluminense?

Como eu fui criado aqui no Fluminense, tenho vários amigos desde a base, às vezes é difícil saber que vou ter que sair, ir para outro país. Mas é o trabalho. Escolhi isso para trabalhar e dar o melhor para a minha família. Sempre há desafios. Para querer ter o melhor, tem que ir para cima desses desafios. Depois, no final, todo mundo estará junto, brincando, curtindo. Mas tudo tem seu preço.

Antes de você voltar para o Fluminense, houve a possibilidade ser emprestado para outro time italiano. Mas você quis voltar para o Flu. Como foi isso?

A Roma me deixou escolher, e achei melhor ficar aqui no Fluminense, para quando tiver que voltar, dar o meu melhor por lá. Acho que fiz a escolha certa. Voltei para o clube que me criou e fiquei mais perto dos meus amigos.

Espera já ser utilizado pela Roma?

Espero chegar lá, mostrar meu trabalho, ir para o treino, trabalhar forte. Quando tiver oportunidade, agarrá-la e mostrar o que sei fazer.

O que já conheceu de Roma?

Fiquei um mês treinando com a equipe. Eu ia aos jogos também. Já conheci tudo e estou adaptado.

Vai estudar italiano?

Estou estudando, procurando saber o que é mais falado. Até para ficar ligado nas coisas que estão acontecendo, saber o que o treinador está passando para mim. Creio que, quando chegar lá, será tranquilo.

Já deu um abraço no Totti?

Ele é uma pessoa sensacional. Na Roma, ele é como se fosse um Deus. Mas é um cara tranquilo, humilde, gente boa.

A Roma renovou contrato com Totti por mais uma temporada. Qual a expectativa de jogar com ele e disputar a Champions League?

O sonho de todos os jogadores é ir para a Europa e disputar o campeonato mais badalado do mundo, ainda mais ao lado de um cara que é ídolo no país dele e em outros países também. Como sou muito novo, será uma boa experiência para a minha vida.

Quem mais impressionou durante treino da Roma?

Tem o De Rossi também. Tem o Maicon, que eu conhecia só de vista. Tive a oportunidade de jogar com ele, ficar perto dele.

Como está a expectativa de talvez jogar a Olimpíada aqui no Rio?

Os jogadores que têm idade para disputar a Olimpíada estão trabalhando forte para isso. Quem for vai jogar com o Neymar, e isso está fazendo todos correrem mais. Mas, se eu não for chamado, vou trabalhar mais forte para um dia talvez disputar a Olimpíada ou uma Copa do Mundo.

Você tinha acertado com o Barcelona antes de ir para a Roma. Como foi isso?

O presidente (do Fluminense) fechou com o Barcelona, que tinha meu direito de compra. Mas ele achou melhor para o clube a minha vinda para a Roma. E eu e meus familiares também achamos que era melhor começar na Roma, e depois ir para outros clubes.

Não se arrepende? Poderia jogar com Suárez, Neymar, Messi.

Não me arrependo. Estou vestindo a camisa da Roma, um grande clube, que disputa os melhores campeonatos do mundo.

O repórter viajou ao Rio de Janeiro convidado pela Nike. 

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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