Brasil

Ganso retorna à Seleção com todos os méritos. Que aproveite com vontade

Em quatro semanas, cinco cortes. A seleção brasileira que vai à Copa América não tem necessariamente todos os nomes vistos como ideais por Dunga. E o último a ser limado do grupo foi Kaká, após sofrer uma lesão muscular. No entanto, o adeus do veterano abre as portas para um acréscimo interessante ao elenco. Paulo Henrique Ganso estava na pré-lista e só precisa da permissão da Conmebol para ser confirmado no grupo. Depois de quatro anos distante das convocações, em período no qual sua carreira passou por altos e baixos, o meio-campista finalmente volta à equipe nacional. Com justiça.

Os são-paulinos ficam na bronca pela ausência de seu protagonista para a sequência do Campeonato Brasileiro. Mas sabem melhor do que ninguém os méritos de Ganso pelo chamado. O meia vem sendo o melhor jogador do São Paulo na temporada. Mesmo quando o time não foi bem, ele gastou a bola na Copa Libertadores. Mais do que o talento reconhecido, vem demonstrando muita aplicação sob as ordens de Edgardo Bauza – o que nem sempre é comum, convenhamos. E, quando está interessado, o camisa 10 tem plenas condições de figurar entre os melhores do país em sua posição.

A inclusão de Ganso, aliás, é muito mais benéfica para a Seleção, pensando em um projeto de preparação à Copa do Mundo. Kaká foi um monstro em seu auge, mas hoje agrega mais pela experiência do que pela qualidade em si. Ganso, por sua vez, inegavelmente pode causar muito mais impacto em campo. Certamente não vai como titular nos planos de Dunga. Mas, nos Estados Unidos, pode mostrar serviço o suficiente para conquistar o seu espaço. Curiosamente, ocupando a lacuna de quem lhe ajudou tanto a se destacar no Brasileiro de 2014.

Aquele craque que tanta gente vislumbrou no Santos nunca eclodiu. Mas o talento de Ganso é inegável. E, em sua melhor forma, ele pode se colocar com tranquilidade na Seleção, ao menos entre os 23 convocados. Que tenha consciência deste potencial e aproveite a chance que lhe foi dada ao acaso. A Copa América pode ser o complemento ideal a um ano que já vem sendo marcante para o camisa 10. No fim das contas, o futebol brasileiro como um todo ganha com o meia esbanjando vontade.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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