Brasil

Gangorra gaúcha

Azul e vermelho são cores completamente opostas, ao menos se você está no Rio Grande do Sul. Grêmio e Internacional estão entre os maiores times do país e possuem uma das maiores rivalidades brasileiras – se não a maior. A rivalidade acirrada também cria a chamada gangorra: se um está bem, o outro está mal e vice-versa.

Quando o Inter venceu o Grêmio por 1 a 0, na quinta rodada do primeiro turno, em um jogo apertado, instaurou-se o inferno azul e a exaltação vermelha. O Grêmio de Silas era um time “faceiro demais” para um gaúcho. A campanha da equipe não era ruim, continuava conseguindo manter uma boa campanha, mas as críticas se mantinham.

No Campeonato Gaúcho, o Grêmio, apesar do futebol longe do ideal, manteve uma campanha respeitável. Com a vitória contra o Juventude no último final de semana, o tricolor gaúcho chegou a 18 jogos, 15 vitórias, dois empates e apenas uma derrota, justamente contra o Internacional. Já são 13 jogos de invencibilidade no Campeonato Gaúcho (com direito a melhor ataque da competição) e 16 jogos no total. Na Copa do Brasil, foram três jogos, com três vitórias e classificação tranquila nas duas primeiras fases. Isso sem falar no título do primeiro turno, que garantiu a equipe na final do Campeonato. A desconfiança sobre Silas, aos poucos, foi esvaecendo.

No Inter,o processo contrário. Apesar de o time não estar acertado e nem definido, vencer o Grêmio dá fôlego e permite algum tempo de tranquilidade e tolerância. A falta de futebol do Inter, porém, foi tornando a situação do técnico Jorge Fossati difícil. O time tem como prioridade a Libertadores, ao menos no discurso. Mas assim como outros times que disputam a competição, a má campanha do time no estadual causa desconforto, especialmente porque, ao mesmo tempo, os rivais gremistas conseguiram conquistar o primeiro turno e garantir lugar na final.

A campanha do colorado no Gaúcho não é tão ruim quando a gangorra, agora com o Inter embaixo, pinta ser. São 17 jogos, 11 vitórias, três empates e três derrotas. Na Libertadores, o time fez quatro jogos, venceu duas e empatou duas. O problema não são os números, mas a forma como o time se apresentou em campo. Não convenceu diante do Cerro, do Uruguai, que mudou o local do jogo e favoreceu o Inter, que tinha toda a torcida da fronteira do Uruguai a seu favor.

No Gaúcho, o time perdeu três vezes, mas a maneira como aconteceram é que foi decisiva para a crise: na semifinal do primeiro turno, por 2 a 1 para o Novo Hamburgo, que impediu o segundo Gre-Nal do ano, e duas derrotas consecutivas para São José, por 3 a 0, e Caxias, por 2 a 0. As derrotas levaram o Inter a classificar em terceiro lugar no grupo. O time terá a chance de enfrentar novamente o Novo Hamburgo, desta vez fora de casa, para avançar à semifinal. E com a gangorra do Inter em baixa, um mau resultado seria não só o final da possibilidade de título gaúcho, como o prolongamento da crise que assola o clube – o que talvez leve até à demissão de Fossati.

A final do turno pode ser um Gre-Nal capaz de fazer a gangorra se inverter. Se Inter está em baixa hoje, vencer o Grêmio na final do turno é capaz de chegar à decisão com força. O problema é o impacto dessa sequência de jogos decisivos também na Libertadores, o que pode desgastar excessivamente o time. A situação hoje é que o Grêmio tem a chance de chegar ao título do segundo turno e levar o Campeonato, o que, mesmo com classificação antecipada do Inter, criaria um problema no clube colorado.

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Equipe Trivela

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