G. Silva sobre o Bom Senso: “Você é pequeno e luta contra uma grande máquina”
Gilberto Silva cobrou mais participação dos jogadores na política do esporte, diante dos escândalos de corrupção na Fifa, desvendados no último mês de maio. Um dos líderes do Bom Sensos, ele também descreveu, em entrevista ao jornal inglês The Guardian, o quanto é difícil militar pela melhora do futebol brasileiro.
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“Pessoas que olham de cima para você e veem o que é bom para eles. Você tem que lutar contra uma grande máquina. Eles querem apenas tirar vantagem dessa máquina. Nós queremos um jogo melhor para todos, não apenas para nós, os jogadores, mas para os torcedores, os clubes, o futebol brasileiro no geral. É louco porque algumas pessoas nos veem como os inimigos. Eu não sei por quê. Talvez eles tenham algo a esconder? Nós não temos. Por isso, mostramos nosso rosto”, afirmou.
O ex-jogador da seleção brasileira disse que sofreu muito com o 7 a 1 para a Alemanha, mas que as coisas não estão mudando na velocidade necessária. “Desde então, eu vejo as coisas relacionadas às mudanças se moverem muito devagar no Brasil. Nem todo mundo está sentando para fazer uma grande discussão sobre o que ocorreu de errado no futebol brasileiro nos últimos dez anos. Veja o que acontece no nosso futebol. Muitos clubes ainda precisam de grandes melhores de infraestrutura. Alguns nem tem um centro de treinamentos. Isso é vergonhoso em 2015”, disse.
“Em algumas favelas, não jogamos mais futebol nas ruas. Alguns dos lugares em que costumávamos jogar viraram grandes prédios. Nós perdemos muitos desses espaços. Algo precisa ser feito para encontrar um modelo, uma boa estrutura para ajudar as crianças a serem mais profissionais sem perder o que está no nosso sangue, o jobo bonito, as habilidades que podem produzir outro Neymar, Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, Pelé…”, completou.
Gilberto Silva, que aos 39 anos ainda quer continuar jogando, não consegue entender como tantos colegas assistem à podridão dos bastidores do futebol e não se manifestam. “Acho que todos que amam o futebol – jogadores, ex-jogadores, técnicos – têm que se posicionar sobre isso. É impossível que ninguém diga nada, que todos fiquem quietos. É muito estranho. Eu não sei por que, mas eu não vejo muitos jogadores ou ex-jogadores questionando o que está acontecendo. É muito frustrante e decepcionante. É a hora de uma grande mudança e os que cometeram um erro têm que ser punidos”, continuou.



