Brasil

Fundamentais para o sucesso

Houve um tempo em que ter um treinador de futebol era mera formalidade. Houve outro, ainda, em que ser técnico era apenas incentivar jogadores e distribuir camisas. Esses tempos, definitivamente, já se foram. A forma com que Palmeiras e Corinthians se mostram nesse ano, parece nítido, tem relação direta com seus comandantes. Possuir profissionais completos à frente de um bom elenco se mostra tão importante como ter, de fato, um bom elenco. A passagem da MSI pelo Parque São Jorge, de certa forma, pode ser marcada por isso.

A evolução do futebol como um todo é ponto decisivo para que o trabalho do treinador passe a ser visto como parte fundamental dentro de qualquer clube. Antes de tudo, o técnico é o comandante de uma extensa comissão, repleta de profissionais dos mais diferentes segmentos. Luxemburgo, paternalismos à parte, trata isso como prioridade no seu trabalho. Dentro de Fluminense e São Paulo, por exemplo, também há uma atenção enorme dedicada a esse segmento, preenchido desde nutricionista, psicológico, fisiologista e até mesmo auxiliares em preparação física.

Inerente às questões dentro de campo, há outras situações em que possuir um bom treinador é algo prioritário. Uma das principais é saber planejar a montagem de um elenco. Traçar prioridades, estar atento ao mercado de transferências, indicar jogadores com perspectivas de lucro financeiro e construir uma reputação que atraia nomes de relevo para o clube que dirige. Algumas ações muito importantes, mas que podem passar despercebidas aos mais desavisados.

Saber lidar com a superexposição característica do futebol é outro ponto indispensável. Profissionais mais rudes e/ou de pouca sensibilidade podem se perder em questões extra-campo, tão capazes de prejudicar o ambiente de trabalho e afetar individualmente algum jogador. Trabalhar com a imprensa, controlar animosidades e filtrar situações prejudiciais ao grupo também são questões vitais. Mano Menezes, sereno e muito escolado, é mestre nesse tipo de contato. Muricy não se sai bem em coletivas, mas é habilidoso com o vestiário fechado. Renato Gaúcho e Emerson Leão, de gerações diferentes, deixam a desejar nas duas questões.

Há tempos, Corinthians e Palmeiras sofriam pela falta de uma referência no banco de reservas. Dirigir um clube de ponta no Brasil traz uma série de prerrogativas, algo com o qual Caio Júnior e Paulo César Carpegiani, ainda que bons treinadores, não souberam lidar bem em 2007. Se já tiveram, em um passado recente, profissionais como Marcelo Vilar, Jair Picerni, Ademar Braga e José Augusto, hoje sentem claras as diferenças em ter um nome de ponta à frente de tudo.

Cedo demais

Só nesse ano, esta coluna já disse que: o Internacional brigaria por todos os títulos que disputasse, mas o Colorado perdeu duas vezes para o Juventude; o Atlético Paranaense deveria ser seguido de perto, mas o Furacão vem decepcionando, sua diretoria errou feio e Ney Franco continua falhando, pois seus times são emocionalmente instáveis; o Grêmio teria muitos problemas, mas os tricolores vêm surpreendendo; colocou até o Flamengo como o possível melhor do país, dois dias antes de o rubro-negro levar três do Nacional em Montevidéu.

De fato, os primeiros meses apresentam ainda mais irregularidade para se prever o desenrolar de toda a temporada. Na verdade, é só no segundo semestre que se podem tomar posições mais definitivas. Por ora, as oscilações são inevitáveis. As equipes, na maioria das oportunidades, ainda estão sendo montadas e o deslanche, ou não, se dará mais adiante.

É claro que isso deve ser ponderado. Ainda assim, faz parte tentar traçar panoramas e projetar os acontecimentos que se darão nas competições.

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Para ler uma análise completa sobre o Choque-Rei entre Palmeiras e São Paulo, visite o blog deste colunista:
http://dassler.blogspot.com
 

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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