Friday Black Friday
A turma mais nacionalista, que tenta, em vão, transformar o Dia das Bruxas em Dia do Saci deve estar subindo pelas paredes (saltando em um pé só). Afinal, o Black Friday chegou ao Brasil. Se o Halloween não vai muito além dos cursos de inglês e festas “descoladas”, esse novo dia festivo importado dos EUA tem mais chances de se firmar no nosso calendário. Promoções fazem sucesso em todo lugar do mundo, não seria diferente por aqui. Quem não gosta de conseguir uma pechincha? Quem não gosta de fazer dívidas no cartão de crédito, comprando algo que sequer era necessário? Eu não gosto, mas sei que sou minoria no país do samba, do futebol e do Serasa.
Para quem não sabe, o Black Friday acontece no dia seguinte ao Dia de Ação de Graças (outra dessas coisas que só existem nos Estados Unidos e no seu quintal Canadá, que também o comemora, mas em outra data), quando o comércio dá o pontapé inicial para as vendas de natal. No Brasil, a maioria dos descontos é discreto, ou tão inexistente quando o Dia de Ação de Graças (o que faz certo sentido, vai). Por lá, os preços desabam. Tem até gente acampando na porta das lojas alguns dias antes, como se esperassem por um show da Madonna (não que seja justificável em algum dos dois casos) A intenção é esvaziar o estoque para que as novidades sejam o carro-chefe nas vendas para a festa do Noel que não é o Rosa.
Em fim de temporada, o futebol brasileiro também precisa dar aquela renovada nas suas prateleiras. O que não quer dizer que o produto encostado ou em baixa por aqui não possa ser sonho de consumo em outros países. A Europa passa por uma séria crise econômica, então precisamos dar uma mãozinha (de obra) ao nosso tradicional parceiro de exportações futebolísticas. Por que não aproveitar para colocar alguns de nossos profissionais da bola em promoção, esquentando o mercado e deixando muita gente feliz (mais por aqui do que por lá)?
Vamos às ofertas
Todo mundo já sabe que o Barcelona precisa de zagueiros. Mascherano se acostumou a jogar na última linha de defesa, mas é fraco no jogo aéreo. Piqué e Puyol passam segurança quando estão em campo, mas vivem se machucando. O segundo pode ficar só de toalha na frente da rainha quantas vezes quiser, que não vai conseguir se enganar de que, mesmo desejado pela realeza, já está no final de sua carreira. Some isso a laterais ofensivos e apenas um volante marcador e temos um time que sofre demais na recomposição defensiva, sempre que contra-atacado. Ter a bola por 85% do tempo evita a chegada do adversário. Mas e nos outros 15?
A solução está no banco do São Paulo. Ou melhor, nem no banco está. João Filipe chegou ao clube durante o Brasileirão 2011, quando o bonde já havia até passado. Medida emergencial e desesperada, conquistou uma vaga como titular e o carinhoso apelido de Blackenbauer. Não teve a mesma sorte em 2012, mas nada impede que vire o Blackenfridaybauer que dará mais opções à zaga da equipe catalã. Pode estar longe do nível dos seus futuros companheiros, mas, com suas arrancadas impulsivas, deixará longas avenidas na defesa culé, mantendo os calafrios que se tornaram a marca registrada da ainda curta Era Tito Vilanova.
Uma pena que o Chelsea já tenha contratado Rafa Benítez para o lugar de Roberto Di Matteo, demitido apenas algumas horas antes. Se tivesses esperado mais um mísero dia, poderia aproveitar o saldão de balanço do futebol brasileiro e contratar um técnico jovem, ambicioso e que não parece ter lá muito pudores na hora de puxar tapetes, o que certamente traria identificação imediata com o xerife da equipe, o gente finíssima John Terry.
Não que ter alguém exercendo a função seja um fator impeditivo para Abramovich, que já deve estar mesmo pensando em demitir o treinador espanhol, por não ter conquistado nenhum título no treinamento recreativo da manhã de hoje. Minha recomendação é que os Blues invistam em Fernandão, que fez um trabalho bem fraquinho como técnico no Internacional, mas continua blindado pela mídia, por ser um cara articulado, que fala bonito, que emposta a voz com rara elegância para um boleiro. Quase um lorde inglês. Como está desempregado, vai sair praticamente de graça. Ou mesmo literalmente.
Na minha mão é mais barato! Barbara Berlusconi não paga! Mas também não leva… (mentira, se ela pedir com jeitinho, eu me derreto todo)
Quem também poderia se beneficiar de um barato que sai caro é o Milan. O clube até se classificou por antecipação às oitavas da Champions League, mas ainda não convenceu nesta temporada. Podemos dizer que, não fosse o excelente momento vivido por El Shaarawy, o Pequeno Faraó, os rossoneri já teriam encomendado o sarcófago onde sepultariam todos os seus sonhos para 2012-13. Com notória falta de criatividade no meio campo e vivendo essa febre egípcia, por que não contratar um craque que de tão improdutivo, parece até embalsamado? Para quem pensou em contratar Zé Love, Daniel Carvalho nem seria um reforço tão absurdo.
Meias ofensivos como ele nunca sairão de moda (embora o Daniel em si tenha saído faz tempo). Mas a onda do momento é contar com um volante moderno, que saiba criar e marcar com a mesma desenvoltura. Por que não Ibson? Com a imagem um tanto desgastada no Flamengo, o jogador se encaixa exatamente na descrição de um Pirlo, de um Xavi, ou de um Schweinsteiger: ataca e defende com igual eficiência. Nenhuma, no caso. Mas não nos prendamos a detalhes sórdidos. Ele cairia bem no Chelsea de “Big Ferdinand”, já que Mikel só destrói e Ramires tem dificuldades de marcação. Imagine um super-atleta, que pode unir as deficiências dos dois, sob o custo de apenas um salário, bem mais baixo. Baita negócio.
Por fim, uma dica para os consumistas patológicos. Sabe aquele pessoal que citei lá no começo do post, que adora se endividar comprando o que não precisa? Pois bem, o Tottenham está fazendo um revezamento entre Lloris e Friedel, dois ótimos goleiros. OK que o rendimento de ambos parece estar caindo um pouco, graças a essa invenção de André Villas-Boas (que certamente adquiriu a sua cópia do Football Manager 2013 em uma promoção de Black Friday). Mas onde cabem dois, cabem três. Por que não trazer mais um arqueiro para apimentar essa disputa?
O nome ideal está no Santos. Sim, muita gente não sabe, mas ele ainda tem contrato com o clube até o final de 2013, onde continua treinando, separado do grupo. Lógico que estou falando do aguerrido Fábio Costa, cujos carrinhos imprudentes não deixaram saudade aos centroavantes de norte a sul do país. Um cara tranquilo, de grupo, que nunca arruma confusão, excelente escolha para se ter em uma incessante disputa por posição (desculpem, estou me empolgando no papel de vendedor). E se o treinador português preferir não utilizá-lo, não tem problema. Fábio Costa já se mostra muito à vontade com essa vida de receber para não atuar.



