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Fluminense cria campanha #FluPorTodas e inicia no Fla-Flu ações contra assédio às mulheres nos estádios

Fluminense inicia campanha por fim do assédio e violência contra as mulheres nos estádios em Fla-Flu pela semifinal do Campeonato Carioca neste sábado (9)

No Dia Internacional da Mulher, o Fluminense criou a campanha #FluPorTodas, que será iniciada no clássico Fla-Flu deste sábado (9), às 21h (de Brasília), no Maracanã. A ideia é divulgar iniciativas já existentes promovidas pelo clube e a administração do estádio em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher do Rio de Janeiro contra o assédio e a violência sexual contra as mulheres nos estádios.

A partir do projeto de lei 984/2019, de autoria da deputada estadual Dani Monteiro (Psol-RJ), que criou uma campanha permanente contra o assédio e a violência sexual nos estádios do Rio de Janeiro, os clubes do estado passaram a promover iniciativas. No Maracanã, hoje administrado por Flamengo e Fluminense, já havia uma ação que agora será melhor promovida, comunicada e ampliada: a criação de pontos de acolhimentos para mulheres no estádio.

Desde outubro de 2023 que esses pontos já existem, mas como não houve uma campanha massificada de informação para o público, poucas mulheres sabem da existência do local. Pensando nisso, o Fluminense entregará para suas torcedoras panfletos com um mapa de cada um dos locais dentro do Maracanã.

Mapa do Maracanã com pontos de acolhimento para mulheres vítimas de assédio ou violência no Maracanã - Foto: Divulgação/Fluminense FC
Mapa do Maracanã com pontos de acolhimento para mulheres vítimas de assédio ou violência no Maracanã – Foto: Divulgação/Fluminense FC

Este espaço contará com duas acolhedoras profissionais e uma stewardess da Sunset, a empresa de segurança privada do Maracanã. O ponto serve como apoio para mulheres que se sentirem assediadas ou violentadas de alguma maneira.

— A nossa lei de combate ao assédio nos estádios foi construída a partir de uma demanda do movimento feminista nas torcidas. O futebol é uma paixão nacional e as mulheres não podem ser excluídas da cultura de arquibancada que se entrelaça à história do Rio de Janeiro. É fundamental que estádios sejam ambientes seguros, onde todos sintam-se confortáveis para frequentar —afirmou a deputada Dani Monteiro em entrevista exclusiva à Trivela.

Jecrim do Maracanã passará a ter policiais da Delegacia de Apoio à Mulher

Uma das novidades que o Fluminense colocará em prática já no Fla-Flu é a presença de policiais da Delegacia de Apoio à Mulher (Deam) em uma sala especial do Juizado Especial Criminal (Jecrim) do Maracanã. A ideia é prestar um atendimento específico para os casos de violência à mulher e aumentar o acolhimento às vítimas.

O clube, a administração do estádio e as autoridades perceberam que, grande parte da subnotificação de crimes contra às mulheres no Maracanã não eram levados ao Jecrim por conta da abordagem policial. Antes, policiais tratavam de crimes mais comuns no estádio, como cambismo, roubo, furto e brigas, ao mesmo tempo que tratavam de violência às mulheres.

Fluminense observou subnotificação de crimes de assédio e violência no Maracanã - Foto: MARINA GARCIA// FLUMINENSE FC
Fluminense observou subnotificação de crimes de assédio e violência no Maracanã – Foto: MARINA GARCIA// FLUMINENSE FC

Uma demanda das torcedoras era não ter suas versões contestadas durante abordagens policiais. Pensando nisso, e unindo esforços entre a Secretaria da Mulher, a Deam, o Jecrim e os clubes, agora, a unidade passará a ter um atendimento especial para as mulheres.

As torcedoras serão acompanhadas desde o ponto de acolhimento até a sala especial do Jecrim caso queiram prosseguir com denúncias criminais sobre os assédios e violências que tenham sido vítimas.

— Existe um movimento notório contra o machismo nas arquibancadas e pequenas mudanças podem ser percebidas, mudanças em cânticos machistas, torcidas femininas se formando etc… A campanha permanente contra o assédio e a violência sexual tem caráter pedagógico e muito a contribuir nesse processo de mudança, isso foi o que nos motivou. A lei está em vigor e nesse 8 de março, dia internacional da luta das mulheres, aproveitamos para fazer essa reinvidicação pelo cumprimento adequado da lei — declarou Dani Monteiro, presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Fluminense percebe subnotificação de casos por falta de informação

A campanha #FluPorTodas começará no Fla-Flu, um jogo de grande apelo, porque o Fluminense percebeu que a subnotificação de casos no Maracanã também tem a ver com falta de informação. Além de distribuir panfletos para as torcedoras e adesivos pelo fim do assédio nos estádios para todos, o Tricolor passará uma campanha publicitária nos telões do estádio.

Embora iniciativas pelo fim do assédio nos estádios tenham aumentado nos últimos anos pelo lado do clube, ainda são poucas as torcedoras cientes das informações. O Fluminense entende que muitas não sabem da existência dos pontos de acolhimento, por exemplo, e por isso não procuram os locais destacados.

Objetivo de Fluminense e autoridades é dar fim aos crimes de assédio e violência sexual contra mulheres no Maracanã - Foto: Fluminense observou subnotificação de crimes de assédio e violência no Maracanã - Foto: MARINA GARCIA// FLUMINENSE FC
Objetivo de Fluminense e autoridades é dar fim aos crimes de assédio e violência sexual contra mulheres no Maracanã – Foto: Fluminense observou subnotificação de crimes de assédio e violência no Maracanã – Foto: MARINA GARCIA// FLUMINENSE FC

A ideia é conscientizar e educar os torcedores para evitar os casos de assédio e violência contra as mulheres.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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