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Antes do Mundial, Flamengo desbanca europeus e é o melhor do planeta em estatística agressiva

Em ranking divulgado pelo Centro Internacional de Estudos dos Esportes (CIES), Rubro-Negro ficou à frente de clubes como Bayern de Munique e Barcelona

Uma das principais características e virtudes do trabalho de Filipe Luís nesse seu início de carreira como técnico é a pressão alta. E em um cenário global, onde tal “artifício” e a intensidade elevada se tornaram marcas registradas do futebol moderno, o Flamengo, comandado pelo ex-lateral, tem se destacado de maneira surpreendente.

Prova disso é o levantamento recente feito pelo Centro Internacional de Estudos dos Esportes (CIES). Com o Mais Querido no topo do ranking, superando gigantes europeus, a análise considerou as maiores médias de profundidade de pressão exercida em campo pelos times das principais ligas do mundo.

Com 59,04 metros, o clube da Gávea lidera o quesito de maneira isolada. Esse número representa a distância da última linha rubro-negra em relação ao próprio gol. Bayern de Munique, Arsenal, Manchester City e Barcelona completam o top-5.

Além do Flamengo, outras surpresas figuram no top-10. À frente da grande sensação do momento Paris Saint-Germain, o Getafe aparece na sexta colocação. Campeão da Copa da Itália, o Bologna ocupa o oitavo lugar na relação. Lille, do zagueiro brasileiro Alexsandro — cria do Flamengo —, e Olympique de Marseille, fecham a lista.

Ranking das maiores pressões altas do futebol mundial:

  • 1º Flamengo: 59,04 metros
  • 2º Bayern de Munique: 57,16 metros
  • 3º Arsenal: 57,16 metros
  • 4º Manchester City: 57,01 metros
  • 5º Barcelona: 56,46 metros
  • 6º Getafe: 55,46 metros
  • 7º PSG: 55,35 metros
  • 8º Bologna: 55,28 metros
  • 9º Lille: 55,23 metros
  • 10º Olympique de Marseille: 55,04 metros

Entendendo a pressão alta e as escolhas de Filipe Luís

Filipe Luís adota uma abordagem ofensiva e intensa, que busca recuperar a posse de bola no campo adversário e manter o time do Flamengo sempre em movimento. Por isso, a pressão alta é algo quase que inegociável para o ex-lateral. Ela ilustra sua filosofia de jogo arrojada e agressiva.

E algumas escolhas mostram como o jovem treinador tem apreço por essa característica e dificilmente abre mão dela. A ideia de evitar utilizar Pedro e Arrascaeta juntos é um exemplo de tal premissa. Geralmente joga um ou outro.

O porquê disso? Explicamos:

A presença do centroavante e do meia uruguaio compromete a eficiência dessa pressão alta, uma vez que ambos não apresentam as valências físicas e comportamentais exigidas para executar tal movimento de forma consistente.

A recuperação da bola no terço final do campo é um elemento-chave na proposta de Filipe. Trata-se de uma escolha estratégica e um pilar tático, pautado na eficiência competitiva, e não em modismos ou apelo estético. Afinal, ele sabe que é nesse setor que os erros adversários se tornam mais letais e as chances mais claras de gol surgem.

— O que a gente olha é a pressão alta. Só que para mim o jogo é feito de fases, então tem a fase defensiva que são quatro fases, que é o tiro de meta, a pressão alta, o bloco médio e o bloco baixo. Todos eles têm que fazer as quatro fases, ou seja, tem que pressionar o tiro de meta, temos que pressionar alto quando a bola está no pé do goleiro, e quando eles rompem essa pressão, nós temos que saber fazer o bloco médio, temos que voltar todos — disse Filipe Luís durante entrevista em meados de maio.

Filipe Luís dirige o Flamengo desde outubro de 2024
Filipe Luís dirige o Flamengo desde outubro de 2024 (Foto: Imago)

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E no Mundial, o Flamengo fará pressão alta?

O ranking do CIES, que mostra as maiores pressões altas do futebol, foi publicado nesta segunda-feira (9), há exatos cinco dias do pontapé inicial do Mundial de Clubes. Dito isso, a pergunta que fica é: o Flamengo manterá essa característica de marcação adiantada e agressiva no torneio dos Estados Unidos?

Bom, a resposta mais realista para tal questionamento é: depende do adversário e do momento do jogo. Filipe Luís, apesar do afinco por pressão alta e sufocante, já demonstrou capacidade de adaptação durante as partidas. Se as coisas não dão certo e/ou exigem mudanças, ele não titubeia ao voltar atrás em suas convicções.

Após perder Bruno Henrique por expulsão em jogo contra o Corinthians no ano passado (pela Copa do Brasil), Filipe ajustou a formação para uma linha de cinco defensores e outra linha de quatro no meio. Com 10 em campo, o Flamengo adotou postura mais conservadora e passou a marcar em bloco baixo.

Cada partida pede uma coisa, e no Mundial esse “exercício” certamente será feito pela comissão técnica rubro-negra. Integrante do Grupo D da competição, o Mais Querido enfrentará Espérance (Tunísia), Chelsea e Los Angeles FC (EUA), nesta ordem.

Foto de Guilherme Calvano

Guilherme CalvanoRedator

Jornalista pela UNESA, nascido e criado no Rio de Janeiro. Cobriu o Flamengo no Coluna do Fla e o Chelsea no Blues of Stamford. Na Trivela, é redator e escreve sobre futebol brasileiro e internacional.

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