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O 56 a 0 do Flamengo no Carioca feminino escancara organização péssima da FERJ

Chamou a atenção neste sábado (28) a goleada incomum aplicada pelo time feminino do Flamengo/Marinha no Campeonato Carioca da modalidade: 56 a 0 contra o Greminho. Inevitavelmente, o resultado atrairá detratores do futebol feminino, mas ele diz mais sobre a organização do torneio do que qualquer outra coisa.

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A FERJ aumentou significativamente o número de clubes para a edição deste ano de seu campeonato estadual feminino. De 11 equipes em 2018, a competição foi para 30 clubes neste ano (ainda em 2016, apenas cinco participavam). Se mesmo entre os grandes clubes o investimento no futebol feminino é incipiente, você pode imaginar o patamar em que outros times estão. Um estadual no futebol masculino com 30 equipes, com muito mais investimento e tradição de competição, já sofreria com desnível técnico. No caso do feminino, era fracasso anunciado.

A federação que comanda o futebol no Rio de Janeiro se defendeu de críticas à organização do campeonato, afirmando que teve como princípio incentivar a modalidade e abrir portas com a inclusão de 30 clubes. Na melhor das hipóteses, é apenas uma boa intenção pessimamente pensada. São vários os times amadores que hoje disputam o Cariocão feminino ao lado de clubes profissionais.

O Greminho é uma dessas equipes amadoras. Criado em 2002, disputa torneios amadores da FERJ mesmo no masculino. Colocado em um confronto contra um Flamengo que acaba de alcançar a semifinal da primeira divisão do Campeonato Brasileiro da modalidade, nunca teria chance alguma de representar qualquer desafio.

A rodada deste final de semana é apenas a terceira do Carioca, e as duas anteriores já tiveram oito jogos terminando com placares com mais de dez gols. O Flamengo, particularmente, já havia marcado 23 gols nas duas primeiras partidas (13 a 0 na Liga Barramansense e 10 a 0 no Campo Grande).

Como não é amplamente praticado e incentivado, o futebol feminino, sobretudo no Brasil, está aberto a resultados excêntricos porque os níveis de investimento são muito díspares. Colocar 30 clubes em um estadual e manter um bom equilíbrio seria uma utopia em talvez algumas décadas. Dar um salto de quase três vezes no número de equipes em apenas um ano, preenchendo a lacuna com times amadores, é simplesmente ilógico.

Em abril deste ano, o próprio coordenador da seleção brasileira feminina, Marco Aurélio Cunha, reconheceu que o alto número de gols do Campeonato Brasileiro da modalidade, ainda assim muito menor que o do Cariocão (2,9 por partida no momento de sua declaração), se devia ao desnível financeiro. A CBF ao menos tem, então, gente capaz de entender essa ideia simples. E isso apenas piora a constatação de que este estadual inchado esteja acontecendo com a anuência das duas entidades que deveriam zelar pelo produto que diz querer promover.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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