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Ferran Soriano: “O Bahia será o segundo maior clube do City Football Group”

Ao assumir oficialmente o comando do Bahia, City Football Group fala sobre relação com a torcida, a importância do clube na sociedade e em aprofundar as relações sociais do clube

O Bahia passa a ser oficialmente um membro do City Football Group. A proposta foi negociada em 2022 e aprovada em dezembro pelos sócios do Bahia com 98,6% dos votos. Faltava o processo legal, que foi concluído e anunciado nesta quinta-feira. O City Football Group passa a ser dono de 90% da SAF do Bahia, com os outros 10% permanecendo com a associação do clube.

A compra do Bahia foi a segunda mais cara feita pelo City Football Group. O negócio foi fechado por R$ 1 bilhão (cerca de US$ 200 milhões, em cotação atual). Só o próprio Manchester City custou mais caro ao CFG. Na época, em setembro de 2008, o grupo pagou £200 milhões (cerca de US$ 360 milhões, na cotação da época).

O evento do anúncio contou com a presença do CEO do City Football Group, Ferran Soriano, que mostrou bastante entusiasmo com o novo integrante do CFG. “Obrigado por confiarem em nós para cuidar do seu clube. Nós já começamos a trabalhar juntos. Os times do Bahia e do City irão trabalhar juntos para a próxima temporada e todos os projetos que estão por vir”, afirmou o dirigente.

O clube não é nosso. O clube é da torcida, é da Bahia

Ferran Soriano, CEO do City Football Group

“Neste momento, este é um momento incrivelmente importante para nós. Comemoramos hoje o primeiro dia em que será certamente um projeto de longo prazo e o primeiro dia desta jornada para levar o Bahia ao seu potencial máximo”, afirmou Soriano. “É uma enorme responsabilidade. Todos os nossos clubes, com o Bahia sendo o 13º, todos têm história, mas o Bahia é excepcional pelo seu tamanho. O Bahia será o segundo maior clube do grupo. Nós também entendemos que o Bahia é parte do tecido social da Bahia”.

“É um enorme potencial e ficamos impressionados com a administração nas piores circunstâncias modernas de um clube de futebol, a pandemia e um rebaixamento. É muito difícil se sentir responsável. Na nossa estratégia, é fundamental não apenas manter essa relação entre o Bahia e a sociedade, mas aprofundar ainda mais. Queremos que o Bahia cresça em termos esportivos, econômicos e sociais”, disse ainda Soriano.

A relação do clube com a sua torcida foi um ponto perguntado por jornalistas a Soriano, que fez questão de ressaltar a diferença em relação a outros clubes do grupo nesse sentido. “Vamos construir uma relação com a torcida normal e natural. Não vamos construir. Está construída. Vamos continuar. Isso significa que, voltando um pouco, o clube não é nosso. O clube é da torcida, é da Bahia”, afirmou Soriano.

“O papel do City, como Bellintani falou, ‘cuidem da gente’. Papel é gerenciar o clube nos próximos anos, ser guardiões dos valores do clube. Vamos escutar a torcida, falar com eles, trabalhar com eles, mas não vamos deixar de fazer o que tem que ser feito. Não demitimos técnicos em lugar nenhum do mundo porque alguém não está contente. As decisões são técnicas, meditadas, vão ser compartilhadas com a torcida, mas não mudadas pela emoção de um jogo perdido. Tendo dito isso, o clube é a torcida, a torcida é o clube”, afirmou ainda o CEO do CFG.

Naturalmente, havia curiosidade sobre como será o tratamento do CFG ao Bahia e, por isso, Soriano foi questionado na coletiva de imprensa se o Bahia estaria no segundo escalão do grupo. “Primeira coisa a dizer: não há segundo escalão. Todos os clubes são importantes. Cada um dos nossos clubes têm uma coisa singular. O do Bahia é o tamanho da torcida, é muito grande, colocamos 55 mil pessoas em Manchester. Cinquenta mil pessoas vão na Fonte Nova. Do ponto de vista do grupo, o Bahia vai ser muito importante. Vai ser muito importante, porque vemos oportunidade de crescimento”, afirmou o dirigente.

“A oportunidade de crescimento do Bahia está ligada ao potencial do Campeonato Brasileiro. Estamos no momento em que isso pode acontecer. A mesma coisa que aconteceu em outos lugares do mundo anos atrás. Vinte anos atrás, a Premier League não era o que é hoje. O grupo vê no Bahia e no futebol brasileiro a maior oportunidade de crescimento do mundo”.

Cada um dos nossos clubes têm uma coisa singular. O do Bahia é o tamanho da torcida, é muito grande, colocamos 55 mil pessoas em Manchester. Cinquenta mil pessoas vão na Fonte Nova.

Ferran Soriano, CEO do City Football Group

Soriano ressaltou a importância da liga de clubes, que tem sido discutida no Brasil. O Bahia aderiu à Libra, que ainda discute com a Forte Futebol por uma união de clubes para formar a liga que efetivamente vá gerir o Campeonato Brasileiro. Isso é algo que fica claro na fala de Soriano, dizendo que será responsabilidade dos clubes brasileiros fazer a liga local se desenvolver.

“Vai depender de nós e de outros clubes brasileiros fazer crescer a liga como merece. Do outro lado, na procura de talento. Nossa aspiração é encontrar talento na Bahia, que vai se desenvolver conosco, com a melhor tecnologia de treinamento do mundo para chegar até o topo. Qual o topo? Primeiro, chegar no Bahia e ganhar campeonatos com o Bahia. Mas também chegar na Europa”, continuou. “Mas, para ser claro, objetivo não é encontrar talento e mandar para a Europa. O talento tem que jogar aqui, tem que ser campeão e, talvez, alguns deles irem para a Europa depois”.

Essa questão da liga brasileira foi explorada mais à frente na coletiva de imprensa e Soriano ressaltou, mais uma vez, a importância de um acordo entre os clubes. “Queremos ser protagonistas e participar. Vamos tentar trazer a nossa experiência. Trabalhamos em 12 e agora 13 ligas no mundo. Vamos querer tentar trazer essa experiência”, disse o dirigente. “O potencial é espetacular. Não só na teoria, mas na experiência a gente já participa de muitas ligas. O potencial do futebol brasileiro no mundo é espetacular. Esse potencial está sendo perdido enquanto não se organiza a nova competição”.

“Sobre questões políticas dos diferentes grupos, não tenho opinião, não falei com ninguém, mas vou me colocar à disposição para ajudar. Mas acredito que a oportunidade não pode ser perdida. Os clubes têm que encontrar posição de trabalhar juntos. O tamanho é muito maior do que hoje. Vamos colocar nossas ideias aos serviços dessas discussões”, disse.

“O Bahia se tornar um clube do City Football Group é um novo capítulo emocionante na grande história de um clube pioneiro desde a fundação, em 1931. Seguimos em frente com o apoio e a energia de milhões de torcedores e sócios, que aprovaram de maneira inconteste a adesão de nosso Esquadrão de Aço ao CFG”, afirmou Guilherme Bellintani, presidente do Bahia.

“Agora poderemos nos beneficiar de fazer parte da organização de futebol mais experiente e ambiciosa do mundo, enquanto fortalecemos nosso desempenho dentro e fora do campo, desenvolvendo jovens talentos que são o futuro do futebol brasileiro e oferecendo oportunidades ainda melhores para a Nação Tricolor, que sempre foi o coração e a razão de existir do nosso clube”, continuou o presidente do tricolor baiano.

O Bahia é o 13º clube do Grupo City. Os outros são, evidentemente, o Manchester City (Inglaterra) o New York City FC (Estados Unidos), o Melbourne City (Austrália), o Yokohama F. Marinos (Japão), Montevideo City Torque (Uruguai), Girona (Espanha), Sichuan Jiuniu (China), Mumbai City (Índia), Lommel SK (Bélgica), Troyes (França), Palermo (Itália) e agora o Bahia. O Bolívar (Bolívia) é listado como um clube parceiro, já que o Grupo City não é dono do clube boliviano.

Será interessante ver o que o City Football Group fará no Brasil e como ele impactará questões cruciais no país, como a discussão sobre a liga de clubes. A forma de lidar também pode criar diferenças com os demais, que veremos na prática. Se o torcedor do Bahia olha o que era o Manchester City em 2008 e o que é em 2023, certamente irá se animar. As dificuldades, porém, serão muito diferentes por aqui, mas devem oferecer oportunidades diferentes também.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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