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Feliz ano velho

Praticamente o mesmo desenho tático, a mesma filosofia de contratações e o mesmo pensamento sobre o futebol. O mesmo Botafogo também tem Cuca no banco e começa 2008 com as mesmas perspectivas que tinha no meio da última temporada, quando liderou o Campeonato Brasileiro por dez rodadas e brigou por títulos.

Com o ambiente renovado pelas saídas de Dodô e Zé Roberto, nomes importantes, mas que tinham claro desgaste com a direção, o Botafogo também se cercou de negócios bem interessantes e que, de certa forma, podem vir a ser lições para o Fluminense, que preferiu investir em grife e não olhar para as necessidades do próprio time. Os principais problemas de elenco foram as saídas de Juninho e Joílson para o São Paulo.

No setor defensivo, Ferrero e Édson parecem apostas com boa probabilidade de sucesso, caso se considere as opiniões de quem os seguiu de perto. André Luís, após uma fase ruim de alguns anos, receberá, em 2008, a chance de ser titular em um clube grande. Triguinho é um lateral seguido por todos há muitos anos, e terá a missão de repetir o papel antes feito por Luciano Almeida. A julgar pelo que mostrou com a camisa do São Caetano, a chance de se dar bem é muito grande.

No meio-campo, a probabilidade de Túlio Souza se tornar um titular deve aumentar com o desenrolar da temporada. Jogador versátil, inteligente e que tem a primeira chance em um clube grande, o ex-Coritiba tem tudo para cair nas graças de Cuca. As mesmas características se aplicam ao incansável Abedi, ex-Vasco, outro bom reforço. Marcelinho, outro que passou por São Januário, pode executar papel de meia ou aparecer em qualquer uma das duas pontas do ataque.

Aqui, Jorge Henrique parece renovado e com possibilidades de voltar a jogar o futebol dos primeiros meses do último ano, assim como Lúcio Flávio. O ataque botafoguense passa a ter Zé Carlos, que se ainda tiver o vigor que lhe caracterizou no início da carreira, pode se tornar uma boa aposta. Wellington Paulista, um dos nomes que mais vai sendo elogiado, tem a dura missão de substituir Dodô.

Em campo, o que é o mais importante, as expectativas vão se confirmando. O Botafogo não deu chances aos três pequenos que enfrentou, cumprindo assim a sua missão. O sucesso ou fracasso da receita, só mesmo o tempo para responder. Mas, caso os dirigentes, a comissão técnica e os jogadores remanescentes tenham aprendido as lições de episódios como as derrotas para São Paulo e River Plate, o Fogão pode ter em 2008 a chance de ir além do que fez em 2007.

O Santos e Emerson Leão

Nos últimos dias, Leão preferiu não negar que poderia haver um complô interno – formado por alguns jogadores – para lhe derrubar. A conspiração, claro, é movida por resultados e pelo clima negativo que o treinador, especialmente em derrotas, é capaz de produzir nos ambientes em que trabalha. As tais pichações recorrentes feitas por torcedores, de certa forma, reproduzem um momento complicado para o Santos, já em início de ano, algo que não ocorria há muito tempo na Vila Belmiro.

O desgaste na gestão de Marcelo Teixeira, na verdade, já não é de hoje. No início do ano passado, o presidente já dava sinais de problemas na então agradável relação com Vanderlei Luxemburgo. Cansado de ver vários investimentos não darem resultado, MT e todos já se questionavam se valia a pena gastar perto de 1 milhão de reais para manter a comissão caríssima. Mano Menezes, de bons resultados com um time de jogadores médios no Grêmio, era sempre citado em comparações.

Entre os negócios ruins, responsáveis por torrar o dinheiro da venda de Robinho e companhia, lembra-se imediatamente de Luizão, por quem o Santos pagou algo perto de 3 milhões de reais. De Nigris, Cláudio Pitbull, Giovanni, Magnum, Adaílton e Rodrigo Tabata foram apenas alguns dos negócios horrorosos e onerosos.

A opção por Leão, claramente, sinalizava o cansaço gerado por dois anos de Vanderlei Luxemburgo. Sem dinheiro para gastar e com Luxa recusando o projeto de apostar nos meninos da base, a saída foi recorrer a Emerson Leão, que já mostrou, em vários momentos, incapaz de ser eficiente no mercado. Betão e Marcinho Guerreiro, reforços indicados pelo novo técnico, já vêm sendo perseguidos pela torcida.

Ainda que às vésperas da Libertadores e com resultados iniciais desalentadores no início da temporada, o Santos tem sido tímido em falar de outros reforços. Até aqui, Betão, Evaldo e Marcinho Guerreiro foram as únicas atitudes da direção santista no mercado, demonstrando a difícil situação financeira, já alertada pela edição de abril de 2007 da Revista Trivela.

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