Falta elenco para tanta competição

Os mais ávidos, românticos, e os que têm interesses no assunto – entenda donos de direitos televisivos -, já se apressaram para criticar e perguntar como é possível jogar o Campeonato Brasileiro com o time reserva. A mescla de titulares e reservas às vésperas de partidas importantes é natural em todo o mundo, mas no Brasil há quem se surpreenda com essa situação.
Os resultados geralmente ruins obtidos pelas equipes envolvidas em outra competição – São Paulo, Fluminense, Santos, Sport, Vasco e Botafogo neste fim de semana – têm provocado ainda mais discussões sobre a lógica de utilizar reservas. Há alguns pontos importantes a serem ressaltados sobre isso.
A primeira e nítida questão é que boa parte dos clubes da Série A não tem elenco homogêneo e que, principalmente, falta profundidade. Em equipes como Internacional e Fluminense, por exemplo, a disparidade entre titulares e reservas é abissal. Aí, é possível criticar o planejamento dos tricolores, que investiram em contratações caras e se esqueceram de montar um grupo de jogadores capaz de se revezar em mais de um torneio. Basta sacar os titulares de Renato Gaúcho e o que sobra, em maioria, são garotos recém-saídos dos juniores. Casos de Maicon, Dieguinho, Marinho, Alan e Sandro, entre outros.
Rival do Flu na Libertadores, o São Paulo precisou lançar juniores e até juvenis em Curitiba, onde Muricy se recusou a levar um titular sequer. Está razoavelmente claro que o técnico, ao contrário dos últimos dois anos, já não dispõe da mesma qualidade que tinha em peças de reposição. Isso, no Campeonato Brasileiro, costuma ser letal.
Na questão, ainda é válido questionar o planejamento de todas essas equipes. É aceitável que, no atual momento, priorizar a Copa do Brasil e a Libertadores seja mais importante. Mas, em maio, vários elencos já estão desgastados. Melhor seria, antes, ter rodado os titulares nos estaduais, prevendo o afunilamento de calendário no quinto mês da temporada. Na Europa, clubes como Milan e Liverpool fazem isso com maestria – e costumam colher grandes resultados.
Se hoje o São Paulo precisa jogar o Campeonato Brasileiro lançando meninos como Bruno e Wellington, nas primeiras semanas de janeiro viajava para o interior paulista em jogos que, na prática, eram muito menos importantes. Além de não montar um elenco com margem de manobra para Muricy Ramalho, o Tricolor do Morumbi, como vários outros, não se preparou da maneira aparentemente devida.
Hoje, ao contrário do que pensam os mais céticos e/ou românticos, é evidentemente válido poupar os titulares. Nesse momento, porém, aparece a falta de maneabilidade na rotação do elenco e os erros, lá de trás, no planejamento para a temporada.
Aquele pontinho precioso, perdido agora, pode faltar no fim do campeonato. Por enquanto, sorte do Cruzeiro, único dos possíveis favoritos que tem seis pontos em duas rodadas – embora, claro, não esteja mais na Libertadores. Aí, será interessante questionar o que valia mais: desgastar titulares em jogos dos estaduais para dar resposta à imprensa e aos torcedores, ou começar a temporada, de fato, um pouco mais adiante?
Os trintões da Ilha do Retiro
Magrão, Luisinho Netto, Durval, Dutra, Sandro Goiano, Romerito e Enílton: nada menos que sete, dos onze titulares do Sport, têm mais que trinta anos. Veja, ainda, que Leandro Machado, muito utilizado, é outro com mais de três décadas de vida. Igor e Carlinhos Bala, escolhas habituais de Nelsinho Baptista, também estão logo ali.
Surpreende, entretanto, a forma do Leão da Ilha em 2008. Se o estadual não é um parâmetro exato, não se pode descartar que o Sport venceu os dois últimos vencendo todos os turnos. E, especialmente, que deixou para trás Internacional e Palmeiras na Copa do Brasil, onde eram, indiscutivelmente, os principais favoritos. Agora, a bomba está nas mãos do Vasco, adversário por uma das vagas na final.
Encarar o Sport na Ilha do Retiro vem sendo uma missão muito árdua. Lá, os rubro-negros venceram 13 jogos e empataram três. A atmosfera nos jogos de Copa do Brasil vem sendo fabulosa, a ponto de Marcos, do Palmeiras, deixar o campo dizendo que “gostaria que o Boca Juniors viesse jogar aqui e ver o que é pressão”.
Nelsinho Baptista, após vários trabalhos horríveis, acertou a mão na Ilha do Retiro. Mais incrível ainda é que jogadores aparentemente desprezíveis – e acima dos 30 anos – formem uma equipe tão forte e que vem atuando com grande intensidade.
Sobre a queda de Geninho
Há algumas semanas, a coluna pós-goleada do Cruzeiro sobre o Atlético, defendia, de certa forma, o trabalho de Geninho. Por assumir uma postura tão direta e imprevisível, foi duramente criticada. Nesse momento, em que o Atlético se redireciona na temporada, vale trazer alguns esclarecimentos.
O principal propósito do texto era mostrar que o grande desafio atleticano era anestesiar os efeitos de uma impiedosa goleada do maior rival. Em muitos momentos, transformar isso em uma drama maior do que já é, fez temporadas inteiras irem por água abaixo. Nesse instante, não há exemplo mais claro que o América de Natal de 2007.
Primeiramente, o Atlético precisava reconhecer que, indiscutivelmente, tem nas mãos um elenco médio. E só. Para fazer mais do que vinha fazendo era necessário um treinador de ponta. Emerson Leão poderia ser, mas o Galo preferiu apostar em Geninho – que não ganhava pouco, e em uma penca de reforços inexplicáveis. E vários deles já foram embora.
Portanto, demitir Geninho àquele momento significaria ampliar uma crise que, na prática, pouca participação tinha do treinador. O grande erro atleticano foi não segurar Leão. Hoje, de nada adianta telefonar para ele, que faz ótimo trabalho com o limitado time santista. Poderia fazer o mesmo no Atlético Mineiro.



