Fã de La U, Dunga desprezou observações no exterior
“Na Seleção, tínhamos scout. É comum em todos os lugares. Na própria Universidad do Chile, houve o caso do Marcos González, agora no Flamengo, que jogava bem, mas via a maioria dos gols sair por suas costas. Não quer dizer que ele seja necessariamente um mau jogador. Existe muito confete por parte desses profissionais”.
Dunga é assim. Direto ao ponto. Sempre foi.
O exemplo de La U tem razão de ser. Foi dado em fevereiro, em conversa com o blogueiro em San Pedro de Atacama, no deserto chileno. O ex-treinador da Seleção havia viajado até a cidade para um evento de uma de suas patrocinadoras. Antes, na companhia do empresário Luiz Viana, aproveitou para curtir um pouco a capital Santiago, tomar um vinho e visitar a Universidad do Chile.
Não queria falar muito a respeito do assunto. Na época, o então treinador da equipe, Jorge Sampaoli, era especulado nos Emirados Árabes e havia o temor por parte do brasileiro de que o vazamento de sua passagem pudesse vincular o futuro do clube ao seu nome. Mas Dunga não resistiu. Falou. E falou bastante a respeito dos chilenos, que, na época, ainda conservavam a imagem de melhor equipe do continente após se sagrarem campeões da Copa Sul-Americana. Dunga estava encantado.
“Todo mundo fica falando sobre o que fizeram, mas ninguém sabe o segredo”, comentou em conversa informal, no saguão do hotel em que estávamos hospedados. “É um resultado que passa pela estrutura que eles dispõem, são diversos campos, por exemplo”, respondeu. No Brasil, segundo o técnico, o Atlético Paranaense é um dos times que se aproxima disso. “Vocês deveriam ir conhecer”, sugeriu, completando que o Furacão contava em seu CT com uma máquina capaz de medir o percentual de gordura dos alimentos.
O relato pode dar a impressão de um Dunga que se preocupou nos últimos meses em se reciclar e ir atrás de ideias novas. Não é bem isso. O técnico pouco deixou a zona Sul de Porto Alegre durante o período. Abandonava o local basicamente para compromissos de seus patrocinadores apenas. Ainda na passagem pelo Chile, num almoço com o blogueiro, Dunga deixou claro que os melhores trabalhos, em sua opinião, não estão no Barcelona, no Real Madrid ou mesmo na Universidad do Chile. Estão mesmo no Brasil, motivo pelo qual, ele prosseguiu, não seria necessário ficar correndo atrás de estágios em outros lugares. E enumerou as razões para esse pensamento.
É esse o Dunga que desembarca hoje no Inter, com um contrato de dois anos, e um desafio que talvez se iguale em dificuldade ao enfrentado por ele na Seleção. A melhor aposta que os dirigentes do Beira-Rio poderiam fazer, ainda assim.



