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Exterminador de campeões: Esbanjando confiança, Botafogo se impõe sobre o Atlético Nacional

O início de campanha do Botafogo na Copa Libertadores é contundente. Rodada após rodada, os alvinegros vão conseguindo derrotar algumas das camisas mais pesadas da América do Sul. Em seis jogos pela competição continental, derrotaram quatro ex-campeões. Colocaram no bolso 10 títulos, depois de eliminarem Olimpia e Colo-Colo nas etapas preliminares, além de baterem o Estudiantes na estreia da fase de grupos. Já nesta quinta, o time de Jair Ventura conquistou outro resultado imenso fora de casa, contra o atual dono da taça. Em Medellín, os botafoguenses venceram o Atlético Nacional por 2 a 0 e somam seis pontos, dividindo a liderança do Grupo 1 com o Barcelona de Guayaquil. Mais uma vez, o empenho defensivo e a precisão no ataque valeram o sucesso dos cariocas.

O Estádio Atanásio Girardot pulsava. A torcida do Atlético Nacional fez uma belíssima festa para receber a Libertadores novamente. Durante a entrada dos times em campo, as arquibancadas se pintaram em verde e branco, para empurrar os atuais campeões continentais. Além disso, os colombianos deram outra prova de esportividade imensa, como já nos acostumamos a ver nos últimos meses: a pedido do locutor do estádio, aplaudiram o “povo brasileiro”. Depois, ofereceriam uma energia incessante aos verdolagas.

O jogo começou equilibrado. O Botafogo demonstrava muita segurança, tocando bem a bola e se protegendo na defesa, com uma linha de quatro jogadores no meio de campo trabalhando duro para evitar qualquer pressão do Atlético Nacional. Os colombianos tentavam jogar pela faixa central, mas logo passaram a encontrar alguns espaços a mais pelos lados. Aos 22 minutos, tiveram uma excelente chance de abrir o placar. Após cruzamento de Daniel Bocanegra, Dayro Moreno arrematou na área e Joel Carli salvou quase em cima da linha. Na sobra, Andrés Ibargüen ainda cruzou com perigo, mas a defesa se safou.

O momento parecia do Atlético Nacional, se impondo mais no campo de ataque. Porém, ao mesmo tempo se abrindo aos contragolpes do Botafogo. Assim, os alvinegros encaminharam a vitória. Camilo já tinha dado o seu aviso em chute que Franco Armani pegou. Pouco depois, aos 39, os verdolagas não conseguiram brecar a arrancada fulminante dos botafoguenses. A partir de uma roubada de bola no campo de defesa, a jogada se armou em extrema velocidade. Camilo participou de todo o lance e, na conclusão, recebeu de João Paulo para bater dentro da área. Gol importante para o camisa 10, que não balançava as redes desde setembro e teve o seu nome associado a insatisfações internas pela imprensa nos últimos dias.

Na resposta imediata do Atlético Nacional, Gatito Fernández fechou a porta para Ibargüen empatar. E os verdolagas intensificaram sua proposta no segundo tempo. O time de Reinaldo Rueda se colocava no campo de ataque, contando com o apoio dos laterais e tentando arranjar uma brecha na defesa do Botafogo. O empenho tático dos alvinegros, de qualquer maneira, preponderava. O trabalho defensivo era cumprido à risca, também com muita energia dos cariocas nas divididas. Macnelly Torres orquestrava sua equipe, enquanto Ibargüen e Bocanegra se apresentavam bastante. Contudo, faltava precisão aos colombianos nas conclusões.

O Botafogo, recuado, jogava por um contra-ataque. Aos poucos, as saídas em velocidade começaram a acontecer, especialmente depois que Sassá entrou no lugar de Roger. Já nos acréscimos, coube a Guilherme definir o placar. O jovem substituíra justamente Rodrigo Pimpão, talismã nesta Libertadores, que se lesionou no início da etapa complementar. Pois o camisa 20 teve uma personalidade imensa no contragolpe: partiu para cima da marcação, fintou, abriu espaço e confiou no chute, acertando o canto de Armani. Era mesmo uma noite alvinegra.

Por este início de campanha, o Botafogo mostra suas credenciais na Libertadores. Pode não ser o time que encanta por sua ofensividade, mas a efetividade é espantosa. Os alvinegros jogam de maneira intensa, compromissada e inteligente. Trancam a porta na defesa e vêm sendo fatais diante dos vacilos. Desta vez, bateram naquele que tem a faixa no peito. É bom ponderar, no entanto, que o Atlético Nacional ainda tenta se encontrar após tantas perdas nos últimos meses. As características do jogo proposto por Rueda se mantêm, mas sem os mesmos jogadores que garantiam seu funcionamento à perfeição. Não à toa, os paisas perderam seus três primeiros jogos internacionais do ano, por mais que sobrem na liderança do Apertura Colombiano. De qualquer forma, o resultado desta quinta vem mais por méritos botafoguenses do que por deméritos verdolagas. E nem tinha como ser diferente, tamanho caráter do time de Jair Ventura ao encarar a pressão de Medellín e não se intimidar em nenhum momento.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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