Brasil

“Eurico foi honesto e Dinamite nem atende o telefone”, diz mulher de Dener

Luciana Gabino começou a namorar Dener aos 15 anos. Ficou grávida aos 17 e perdeu o marido aos 21, quando já tinha três filhos: Denis, Felipe e Dener Mateus. Desde então, abril de 1994, data do acidente automobilístico no Rio, travou lutas contra a Portuguesa e o Vasco para receber que a lei lhe garantia.

Com a Portuguesa, tudo se acertou. “No começo, não queriam, mas depois me pagaram tudo. Não tenho do que reclamar”, diz a viúva, de 39 anos. Quando fala do Vasco, faz uma revelação surpreendente. “Fiz um acordo com Eurico Miranda que sempre foi honesto e cumpriu o que acertamos. Bastou o Roberto Dinamite entrar para que tudo desse errado. Ele não paga, ou paga só um pouco e nem me atende no telefone. E eu penso que ele jogou com meu marido, deveria ter um pouco de consideração”

A história é complicada desde o início. “O Dener morreu em abril de 94. Ele tinha certeza de que iria participar da Copa. O Eurico fez um acordo de salários, bichos e luvas com a mãe dele. Só que teria de fazer comigo. Fui falar com ele e o Eurico disse que desconhecia a mulher e os filhos do Dener. Eu falei que era eu e que também queria o dinheiro do seguro de vida”.

A negociação, segundo Luciana foi dura. “Ele não queria pagar tudo e eu não queria receber menos. Até que em 2007, estava cansada disso e aceitei um valor menor. Seria pago em 36 vezes. O Eurico nunca atrasou, mas o Roberto bagunçou tudo. Atrasa, paga uma parte, ultimamente me paga só 25%. Eu não deveria aceitar, mas tenho de pegar. Meus filhos ficarm muito tempo tentado jogar futebol e não me ajudavam. Agora, dois desistiram e só tem o mais novo, tentando ser lateral. Tenho uma filha de outra relação e todos dependem de mim. Não posso ser durona”.

Wolfran Menezes, advogado de Luciana, vai ao Rio essa semana para tentar acertar a dívida. “Nós queremos negociar e receber o que o Vasco deve. O certo era pedir uma execução, mas isso pode complicar porque a Luciana precisa do dinheiro para tocar o dia a dia”.

As prestações são de R$ 50 mil mensais. “O Vasco diz que não tem dinheiro para pagar. Eu li que eles tem R$ 10 milhões de débito com a Receita Federal e que há outras dívidas de R$ 170 milhões. A gente entende, mas a Luciana depende disso e vamos continuar lutando”, diz Menezes

Luciana tem vivido também a porcentagem que a Portuguesa lhe paga pela venda de uma camisa especial, que homenageia Dener. Ela remete as modelos dos anos 90 e, no peito, tem estampada uma arte que mostra o maravilhoso gol de Dener contra a Inter de Limeira. Gol de gênio.

A camisa custa R$ 74,50 e pode ser adquirida neste site.

Neto, atual comentarista da Bandeirates, comprou 100 camisas, o que ajudou e muito o primeiro lote de 500 camisas a se esgotar. O segundo lote já está à venda

FILHO DE GARRINCHA, PAI DE ROBINHO E AVO DE NEYMAR

Dener foi o pai de Robinho. O avô de Neymar. O filho (ou neto) de Garrincha. Um jogador espetacular, no sentido de espetáculo, com dribles e mais dribes, arrancadas desde o meio-campo, caminhando sempre em zigue-zague. Com Dener, a linha reta nunca foi o menor caminho entre dois pontos.

“Ele era tão bom como o Neymar, só que caía menos”, me disse Ronaldo Giovanelli, ex-goleiro do Corinthians e atual comentarista da Band. Ele se lembra o orgulho da uma defesa contra a Portuguesa. E humilde, explica qual foi o grande motivo para que naquele dia Dener não fizesse mais um gol de placa.

“Foi sorte minha, só isso. Ele pegou a bola no meio e veio em disparada. Mandei alguém parar, ninguém conseguiu. E o moleque foi crescendo na minha frente. Então, lembrei tudo o que aprendi na base. Toda a teoria. Poderia sair e agredir a bola ou parar e ter sangue frio até o final. Fiquei. Bati o pé no chão e ele nem se ligou. Bati de novo e escolhi um canto. Fui com tudo. Ele tocou, de leve no outro. Me enganou totalmente. E a bola bateu na pontinha da minha chuteira. Foi sorte, só isso. Não tinha outro jeito”.

Écio Pasca era o técnico de Dener no lendário time da Portuguesa de 1991, campeão invicto da Taça São Paulo, com nove vitórias em nove jogos. Quando fala de Dener, os olhos ficam marejados e exageros aparecem. “Eu joguei contra Pelé. E te garanto que depois do Pelé nunca houve alguém como o moleque. Rezo por ele toda noite.”

Dener foi a grande joia da vida de Pasca, treinador que teve sua dose de fama ao criar o esquema do losango flutuante para atender Dener. “Nosso time não dava chutão. O goleiro não quebrava a bola, ele tocava para o lateral e ela ia de pé em pé. Eu não queria ver o Dener marcando ninguém. Ele fiz um losango. Coloquei o Baiano, que era um volante espetacular bem atrás, avancei os dois laterais, Josias na direita e Charles na esquerda e avancei o centroavante Sinval. Baiano era uma ponta, perto do goleiro, Sinval era a outra, perto do goleiro deles e os laterais abriam. E o Dener flutuava nesse espaço. Fazia o que queria, ia de um lado para o outro. O Tico jogava bem aberto na direita, ajudava na marcação, o Pereira fazia o mesmo na esquerda  e ainda tinha Souza, Cícero e Maninho na defesa. Era um time lindo, uma maravilha….

Dener era de poucos gols. Todos lindos. Abaixo, alguns deles.

Mostrar mais

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo